O blábláblá da previdência
Passado pouco mais de um mês depois da confirmação da vitória eleitoral de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, pode-se perceber a nítida consolidação de uma linha editorial bastante simpática e favorável ao novo governo. Os grandes meios de comunicação estão totalmente alinhados com a equipe do capitão e fazem questão de expressar tal entusiasmo a cada dia.
É bem verdade que ainda são encontradas algumas lamentações, aqui e acolá, relativas a algumas das muitas trapalhadas que vêm sendo cometidas por integrantes do futuro esquadrão e mesmo quando patrocinadas pelo chefe da equipe e seus familiares. Os exemplos são inúmeros. Mas os que mais chamam a atenção desses analistas relacionam-se às declarações comprometedoras de nossa diplomacia e relações comerciais, como é o caso do apoio à mudança da embaixada brasileira para Jerusalém ou ao rebaixamento de prioridade a ser concedida ao Mercosul.
Por outro lado, os comentaristas favoráveis ao establishment tentam justificar as inabilidades cometidas na área ambiental e de sustentabilidade do futuro governo. Argumentam que se trata de intenções que serão vencidas, em futuro próximo, graças ao pragmatismo da política e à força dos interesses econômicos. Bolsonaro considera que esse debate a respeito de aquecimento global não passa de influência nefasta de um certo “marxismo cultural”. O futuro presidente já deixou claro em inúmeras oportunidades que não pretende manter as políticas de combate ao desmatamento ou de desrespeito às terras indígenas. Mas, ao que tudo indica, está sendo aconselhado a recuar de sua esdrúxula proposta inicial de fundir o Ministério do Meio Ambiente à pasta da Agricultura.
Guedes: o eficiente da vez
De forma geral, o gancho encontrado pelos articulistas vinculados ao interesse do financismo relaciona-se à agenda econômica. Nesse campo estão quase todos de acordo com as diretrizes gerais traçadas pelo futuro superministro Paulo Guedes. Essa conduta de apoio incondicional à equipe de Bolsonaro opera como houvessem perdoado todas as posições e declarações do capitão a respeito da tortura, da apologia da ditadura militar, dos direitos das minorias, da pena de morte, da liberação do porte de arma, entre tantas outras manifestações públicas comprometedoras de qualquer limite razoável da ordem democrática e civilizacional.
E tudo se passa como se houvesse um retorno no túnel do tempo, para o segundo mandato da Presidenta Dilma Roussef. Naquele período, dentre as inúmeras armações para justificar a necessidade do golpeachment, as páginas dos jornais e os programas de TV nos empanturravam de notícias e opiniões dando conta das supostas trapalhadas fiscais e da incompetência da equipe responsável pela economia à época. E aí veio o famoso mantra de que “bastava” tirar a legítima ocupante do Palácio e convencer Michel Temer a trazer um time de economistas sérios e responsáveis. A solução da crise e a retomada do crescimento seriam favas contadas.
Porém, todos sabemos qual foi o final dessa aventura criminosa e irresponsável. A chegada da duplinha dinâmica dos banqueiros Meirelles& Goldfajn à Esplanada só fez aprofundar a política do austericídio, jogando o Brasil na maior recessão de toda a sua História. Idolatrados pela grande imprensa por seu tão cantado perfil “técnico e eficiente”, eles conseguiram ajudar nessa impressionante proeza. Em poucos meses transformaram o governo Temer naquele de mais baixo índice de popularidade de todos os tempos.
Previdência não resolve o problema fiscal
No entanto, o capital tem pressa e não se incomoda muito com esses rituais de lealdade e demais ritos da liturgia da seara da política. Seus interesses e sua lógica de operação são de natureza distinta. Mais do que nunca, agora vale a máxima do rei morte, rei posto. E o que temos para o jantar é um economista de perfil conservador e monetarista, bastante alinhado com o pensamento hegemônico no sistema financeiro, que está designado como responsável pelo conjunto das medidas e posições do futuro na área da economia.
Ocorre que, apesar de todos os sinais preocupantes e os temores justificados em sentido contrário, ainda estamos operando num quadro em que a ordem democrática e institucional depende do Congresso Nacional e de algum grau de respeito à Constituição. E isso significa que boa parte das medidas previstas por Paulo Guedes para “arrumar a casa” carecem de aprovação pelas duas casas do poder legislativo. É bem verdade que o início do mandato presidencial é sempre facilitado pela chegada de um governo novo, embalado pela maioria de votos obtidos em eleição recente. Mas nada deverá ser assim tão fácil como supõem alguns.
A profundidade da crise econômica e a gravidade da crise social contribuem para acelerar o relógio das exigências de uma forma ampla. A própria campanha de Bolsonaro foi exitosa em interpretar esse sentimento generalizado de desalento e desamparo que aflige a grande maioria da população. Essa foi uma das razões que contribuíram para a dinâmica eleitoral, que culminou na escolha de uma espécie de salvador da pátria. Isso permite intuir que a cobrança popular deverá ser menos condescendente quanto ao cumprimento de tais expectativas.
Essencial é retomar o crescimento da economia
Os arautos do financismo tentam unificar o discurso em torno da necessidade de resolver o problema do déficit fiscal das contas da União. As estimativas para 2018 são de encerrar as contas com um valor negativo de R$ 170 bilhões. A previsão inicial para 2019 é de um saldo negativo de R$ 140 bi. Ora, parece mais do que evidente que essa realidade das contas públicas foi agravada pela recessão econômica, intencionalmente provocada pelos responsáveis tão marcados pela eficiência. Não existe saída para esse quadro complexo que não seja pela retomada do crescimento econômico. Manter a obstinação com o corte generalizado de despesas não é solução inteligente, caso se tenha em mente um projeto de desenvolvimento de uma Nação a médio e longo prazos.
A maioria dos países capitalistas desenvolvidos percebeu que não bastava o discurso liberaloide conservador para solucionar questão econômica. A tentativa de saída da crise, iniciada em 2008/9 nos Estados Unidos e na própria União Europeia, só foi possível com a adoção das chamadas medidas contra cíclicas. Exatamente o oposto do sugerido por Paulo Guedes. Assim, nos momentos de crise, o Estado deve ser chamado a aumentar seu nível de despesas, tanto para minorar os efeitos da crise social como para estimular o setor privado a recuperar seu investimento e promover o crescimento geral das atividades da economia.
No entanto, a teia de defesa dos interesses do sistema financeira não perde a oportunidade. E mais uma vez volta à cena o surrado blábláblá da Reforma da Previdência. Esse assunto é apresentado como a única maneira de resolver o imbroglio fiscal em que estamos metidos. Trata-se de uma grande enganação. Não existe mudança nas regras previdenciárias, por mais elevada que seja a dose de maldades ali embutidas, capaz de reduzir esse déficit. As despesas estão dadas. Todos beneficiários de aposentadorias e pensões continuarão a receber seus rendimentos normalmente em 2019 ou 2020. Esse, aliás, é um dos pressupostos assegurados por nosso sistema judiciário - o direito adquirido.
A recuperação do equilíbrio nas contas públicas passa, fundamentalmente, pela recuperação das receitas do governo. A crise e a redução drástica das atividades econômicas provocaram, para além da tragédia do desemprego e das falências, a queda significativa na arrecadação de tributos. E esse raciocínio vale tanto para os impostos de uma forma geral, como também para as fontes específicas de receita do Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Como a contribuição para o modelo gerido pelo INSS incide sobre a folha de pagamento, o fato é que houve uma diminuição brutal das receitas previdenciárias. Até 2015, por exemplo, as contas do RGPS estavam equilibradas.
Financismo: olho gordo na previdência
A verdadeira intenção desse novo ataque ao nosso sistema de previdência social não é a questão fiscal. O objetivo do financismo sempre foi o de se apropriar desse enorme fundo público, que deverá ter movimentado por volta de R$ 600 bi em 2018, com o cumprimento de benefícios previdenciários para mais de 35 milhões de pessoas. A verdadeira guerra midiática estabelecida contra o modelo definido pela Constituição em 1988 pretende desmoralizar o nosso sistema público e inviabilizá-lo em termos econômicos e financeiros no futuro. Assim como foi feito com a saúde e com a educação, onde a privatização crescente foi comendo o sistema estatal e público pelas beiradas.
Isso significa, portanto, uma mudança essencial no modelo. Ele deixa de ser um direito de cidadania que o Estado presta de forma universal à sua população. E se transforma em mais um produto mercadológico, como tantos outros, a ser oferecido pelo sistema financeiro a seus clientes. São os tão famosos planos “prev”, que os empregados dos grandes bancos se vêm obrigados a nos enfiar goela abaixo. Paga hoje pelo plano quem pode e se beneficia lá na frente quem conseguir. Todos sabemos muito bem como são plenamente assegurados os direitos do consumidor na sua relação mercantil com o cartel do conglomerado financeiro.
Paulo Guedes pretende atropelar o Congresso Nacional com suas propostas de zerar o déficit fiscal em um ou dois anos. Balela! Joga apenas para sua plateia de gente refinada do topo da pirâmide, que não depende dos benefícios do INSS. O regime previdenciário necessita apenas de retomada do emprego para que suas contas voltem a ficar equilibradas. Mas não se ouve uma palavra a respeito dos privilégios existentes na previdência da alta oficialidade das Forças Armadas, da cúpula do Poder Judiciário e Ministério Público, sem contar as conhecidas distorções no modelo de aposentadorias e pensões do Congresso Nacional.
É razoável supor que o sistema previdenciário, de forma geral, necessite alterações. As mudanças na estrutura demográfica e no mercado de trabalho apontam para tanto. Envelhecimento da população e ingresso tardio no mercado de trabalho significam menos recursos ingressando nas contas do órgão gestor e maiores despesas pela frente. Porém, trata-se de uma transformação de longo prazo, com consequências intergeracionais. Nada que justifique essa fúria pela redução de direitos básicos, em um sistema onde quase 70% dos benefícios não ultrapassam o valor de um salário mínimo. Essa lógica que rege a obsessão pelo corte uníssono de despesas para ontem não resolve o problema de fundo.
A previdência social é um direito que a sociedade resolveu adotar seus membros. É um mecanismo estratégico de políticas públicas para preservar equilíbrio e reduzir desigualdades. A única certeza que devemos manter é nossa oposição intransigente a que se transforme em mercadoria a ser oferecida nas prateleiras do supermercado das finanças.
Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal
Fonte:Paulo Kliass
Previdência paga 12 vezes mais para os ricos do que para os pobres, diz estudo do Ministério da Fazenda
Estudo sobre os principais desafios do país divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Ministério da Fazenda mostra que o sistema previdenciário do Brasil paga 12 vezes mais para os mais ricos do que para os mais pobres. O levantamento considera os benefícios do INSS e os dos servidores públicos, segundo reportagem do jornal O Globo, desta quinta-feira (6).
Segundo o relatório, de todos os benefícios previdenciários, só 3,3% vão para a parcela mais pobre da população. Isso equivale a R$ 17,8 bilhões. Enquanto isso, os mais ricos ficam com 40,6% do bolo – ou seja, 12 vezes mais -, o que representa R$ 243,1 bilhões.
O caso é o inverso do que ocorre no Bolsa Família, em que mais de 44% do total de benefícios vão para a parcela mais pobre da população.
Fonte:Redação Revista Forum
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8 de dezembro: Roda de Samba no Brás terá Leci Brandão e Toninho Gerais
Evento, organizado pela CUT-SP, comemora o Dia Nacional do Samba; entrada será 1 kg de alimento não perecível.
Para comemorar o Dia Nacional do Samba, a CUT-SP realiza uma celebração nas ruas do Brás com shows de diversos artistas e entrada social. A roda de samba será no dia 8 de dezembro, sábado, a partir das 13h, na altura do nº 575 da rua Caetano Pinto, região central de São Paulo.
Entre as atrações confirmadas estão Leci Brandão, Toninho Gerais, Celsinho Mody, André Ricardo, Dorina, Samba da Alegria e a escola de samba Unidos de Santa Bárbara. A cantora Letíciah Santos é quem comandará os shows.
“O samba carrega muitas histórias de celebração e resistência, mas fundamentalmente é uma forte expressão cultural dos trabalhadores. É nesse sentido que promovemos essa atividade nas ruas”, diz o presidente da CUT-SP, o professor Douglas Izzo.
O evento também encerra a agenda de atividades do Mês da Consciência Negra promovida pela entidade e seus sindicatos pelo estado. “Os primeiros batuques de samba no Brasil surgiram com os africanos, que vieram escravizados para cá. Então esse evento também será uma homenagem à cultura e à luta do movimento negro”, diz a secretária de Combate ao Racismo da CUT-SP, Rosana Aparecida.
A atividade é aberta ao público, mas os organizadores pedem para que os participantes tragam 1 kg de alimento não perecível. As doações serão encaminhadas aos projetos sociais da Igreja Nossa Senhora de Casaluce, também localizada no Brás.
A Roda de Samba no Brás é uma realização da CUT-SP, por meio da Secretaria de Combate ao Racismo e do Coletivo de Cultura da entidade. Tem o apoio da Revista Raça, Rádio Comunitária Cantareira, Rádio Brasil Atual, Rádio USP e TV dos Trabalhadores (TVT).
Serviço
Roda de Samba no Brás
8 de dezembro – sábado
A partir das 13h
Rua Caetano Pinto, altura do nº 575 – Brás – São Paulo (SP)
Entrada: 1 kg de alimento não perecível
Clique aqui e confirme sua presença.
Fonte:Rafael Silva - CUT São Paulo
Aposentados e pensionistas definem lutas em defesa da Previdência em 2019
Categoria afirma o compromisso de defender a Previdência Social com mobilizações nas ruas e formação política nas bases.
Os aposentados e pensionistas estão em alerta desde que Jair Bolsonaro (PSL) foi eleito presidente da República e sinalizou possíveis mudanças na Previdência Social no Brasil.
A chamada “reforma” da Previdência traz preocupações sobre os impactos sociais que a medida trará ao país a médio e longo prazo. Bolsonaro detalhará seu plano no próximo ano, quando assumirá o cargo, mas já sinalizou que pretende substituir o atual sistema de repartição pelo modelo de capitalização. Na prática, o modelo que hoje conta com a participação do Estado, de empresas e dos trabalhadores deixa de existir e, em seu lugar, haverá um sistema privado, que traz, entre outros problemas, a redução do valor do benefício da aposentadoria no final da vida.
Foi para debater esta e outras questões que associações de diferentes estados brasileiros participaram do encontro nacional organizado pela Federação Nacional dos Trabalhadores Aposentados, Pensionistas e Idosos (Fenapi), filiada à CUT, nesta quinta-feira (29), na cidade de São Paulo.
Presidente da Fenapi/CUT, Wilson Ribeiro destacou a construção de alianças para enfrentar as reformas do próximo governo. “Bolsonaro está falando que irá acabar com todas as organizações de luta que defendem os direitos sociais e trabalhistas. Será uma continuação das medidas já adotadas por (Michel) Temer”.
Como lembrou o secretário-geral da CUT-SP, João Cayres, o modelo de privatização da Previdência hoje defendido por Bolsonaro e o seu braço direito, o economista Paulo Guedes, entre outros tantos empresários apoiadores, é semelhante ao modelo adotado em 1981, no Chile, durante a ditadura de Augusto Pinochet.
“Os chilenos estão indo às ruas para protestar porque perceberam que foram enganados. Neste momento, 35 anos depois da reforma, o país vive uma situação insustentável”, disse Cayres. “Hoje os aposentados estão mendigando nas ruas”, complementou Ribeiro.
Além de reforçar o exemplo chileno, Cayres também sugeriu que a população brasileira seja informada que a Previdência Social não se resume apenas à aposentadoria. “É preciso explicar que a Previdência cuida, por exemplo, dos pagamentos da licença-maternidade e dos trabalhadores acidentados que são afastados dos locais de trabalho. No sistema de capitalização, isso não existirá”, alerta.
Lutas desde as bases
O relato das associações de vários estados brasileiros durante o encontro demonstra que os aposentados e pensionistas vivem hoje uma realidade em que os salários são cada vez menores, enquanto as necessidades em áreas como saúde, mobilidade, transporte e moradia aumentam.
Segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social, de novembro de 2018, fornecidos à CUT-SP, existem hoje no regime geral da Previdência Social 20,5 milhões de aposentados.
Além disso, a população brasileira está em trajetória de envelhecimento e, até 2060, 1 em cada 4 brasileiros será idoso. Hoje existe 1 idoso para cada 12 pessoas, de acordo com informações da Secretaria de Previdência, vinculada ao Ministério da Fazenda.
Secretário-geral da Fenapi, Edson Moreira Soares explica que a saúde está entre as principais reivindicações. “Uma das grandes dificuldades que observo tem a ver com a entrega de remédios de alto custo. Os aposentados, idosos, vão até o posto de saúde e, quando chegam no local não tem medicamentos e geriatras. Então o atendente pede pra voltar. Com Bolsonaro, essa realidade deverá ser ainda pior com a tal contenção de custos que fala o tempo todo”, disse.
Não bastasse a questão de sobrevivência, Wilson Ribeiro relata que as pautas da categoria são também silenciadas. “Desde a desvinculação do INSS da política previdenciária – que então deixou de ser social – para o Ministério da Fazenda, as nossas questões ficaram esvaziadas e o governo nunca mais nos atendeu”, exemplifica.
Como uma forma de responder à conjuntura que se aproxima, a categoria decidiu, ao final do encontro, organizar um Dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência Social, em 24 de janeiro de 2019, quando se comemora no calendário oficial o Dia do Aposentado. A ideia é promover esta ação em conjunto com a CUT, demais centrais sindicais, confederações, federações e sindicatos de diferentes categorias. Ainda, tirou como ação ampliar os atos de rua no próximo ano e a formação política nas bases.
Fonte:Vanessa Ramos
Novembro Azul - 49% dos homens nunca fizeram exame preventivo do câncer de próstata
Pesquisa feita com população masculina acima dos 45 anos aponta desconhecimento e, ainda, preconceito com o exame de toque de retal.
Uma pesquisa da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) apontou que 49% dos brasileiros com mais de 45 anos nunca fizeram o exame de toque retal que pode detectar o câncer de próstata. A doença é hoje a segunda maior causa de morte em pessoas do sexo masculino, depois do câncer de pulmão, e deve, de acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), registrar ainda neste ano mais de 68 mil novos casos.
Segundo o estudo, realizado com 2.400 homens, na maioria dos casos as pessoas justificaram que o médico nunca havia pedido o exame, que achavam pouco "másculo" e não gostavam ou que não tinham sintomas ou idade para realizar. Para o médico Pedro Jans, a resistência ao exame mostra preconceito e medo, e impede um tratamento eficaz.
"É só um exame comum que a gente deve fazer e com certeza a prevenção vai acarretar em um diagnóstico muito antes e com um tratamento bem melhor para o paciente. Às vezes é só acompanhamento, nem precisa de um tratamento tão agressivo", explica Jans à repórter Nathália Carvalho, da TV Poços, no Seu Jornal, da TVT.
Em meio às campanhas do Novembro Azul, para conscientizar os homens sobre doenças que possam afetá-los, o Inca promoveu nesta terça-feira (27), no Rio de Janeiro (RJ), a ação "Educar para prevenir" para mostrar, com apoio em materiais informativos para a população em geral, que o diagnóstico precoce pode combater diversas doenças. O evento marcou também o Dia Nacional do Combate ao Câncer.
Fonte:Redação RBA
CNTSS-CUT participa da Mesa de Negociação da GEAP para discutir aumento abusivo dos Planos de Saúde
Encontro, que aconteceu no último dia 20 de novembro, debateu a situação das Liminares enviadas à Justiça e a questão do reajuste de 2019.
Uma nova rodada de negociações sobre os Planos de Saúde da GEAP aconteceu na terça-feira, 20 de novembro, em Brasília. A CNTSS/CUT – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social foi representada por sua secretária de Comunicação, Terezinha de Jesus Aguiar, o secretário de Organização, Raimundo Cintra, e as dirigentes do Sintfesp GO/TO Mara Regina P. Naves e Antônia Gomes S. Pereira. Também acompanhou a reunião o advogado da FENASPS -Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, dr. Luís Fernando, e pelo ANFFA Sindical - Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários, Susana Botar Mendonça e Elisa Guimarães Morais (veja o relatório anexo a seguir).
Esta quinta etapa contou com as participações dos assessores da DIREX – Diretoria Executiva, Ducan Frank Semple e Francisco C. Neto. Foi feita uma retrospectiva da reunião anterior, de 18 de outubro, que, entre outras questões, discutiu a suspensão das medidas administrativas das Liminares que perderam a eficácia; a apresentação dos valores dos reajustes aplicados desde 2009 até hoje; a avaliação dos impactos das Liminares e sem estas na tabela; a apresentação de um estudo contendo um novo modelo de contribuição que seja mais solidário, sem afetar a sustentabilidade do Plano de Saúde; mudanças no REFIS - Programa de Recuperação Fiscal, visando o acesso e as condições de pagamento pelos servidores, além de prorrogar o prazo para até 15/01/2019.
As lideranças dos trabalhadores reiteraram que o foco do debate passa pela questão do reajuste de 2019 e que a suspensão das Liminares depende do resultado desta discussão na Mesa de Negociação. Os representantes da GEAP, por sua vez, apresentaram um documento (Termo de Acordo) assinado com a ANASPS – Associação Nacional dos Servidores Públicos da Previdência e da Seguridade Social, sugerindo, enquanto tese guia, para formulação de uma nova proposta para os valores a serem cobrados. Este material será avaliado pelo advogado Luís Fernando para apresentação posterior aos representantes das entidades nacionais dos trabalhadores.
A questão da elaboração de uma Minuta para retirada da Liminares tomou grande parte das discussões. Os representantes das Entidades informaram a contratação da Consultoria Rodarte Nogueira, que fará os cálculos aturiais para subsidiar a próxima rodada de negociações. O caso do estado da Bahia também mereceu destaque. Os beneficiários do Plano daquele estado foram surpreendidos com a cassação de uma liminar que lhes garantia direitos há nove anos. Por conta disto, há uma cobrança de pagamento dos atrasados de todo este período. Foi solicitado à GEAP que estabeleça um novo prazo de 60 dias para discussão sobre a cobranças dos boletos.
A reunião deu prosseguimento com a definição de um calendário para encaminhar as pautas pendentes. Em 27 de novembro será feita uma reunião dos advogados para elaboração de uma Minuta de Acordo com a GEAP sobre a retirada das Liminares na Justiça. No dia 30 de novembro, às 10h00, haverá um encontro das entidades nacionais na sede da FENASPS, em Brasília, para discutir o Atuário que esta elaborando os novos cálculos da tabela de contribuição. Para 05 de dezembro foi estabelecida nova reunião para deliberar sobre as negociações da Mesa Nacional.
A CNTSS/CUT está e vai continuar na Mesa de Negociação, pois aposta nas negociações e que com o diálogo será possível recuperar a capacidade de elaboração de uma proposta que caiba no bolso dos servidores de custeio para o Plano de Saúde no momento mais importante de suas vidas.
Clique aqui e veja a íntegra do Relatório:
Fonte:Assessoria de Imprensa da CNTSS/CUT
Querem adequar os direitos sem os sindicatos, alerta diretor técnico do Dieese
Para Clemente, a crise de 2008 mostrou a fragilidade na reorganização do capitalismo e, por isso, essas transformações exigiram ajustes no mundo do trabalho em todas as áreas.
Em palestra nesta terça-feira (27), no auditório lotado do Sindipolo, em Porto Alegre, o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, alertou os dirigentes sindicais para as profundas mudanças em andamento na economia e na política, que estão impactando o movimento sindical. “Querem adequar os direitos sem os sindicatos”, destacou.
O economista observou que mudou o capitalismo no Brasil e no mundo e “os sindicatos estão sendo colocados fora do jogo”. Ele apontou que “os nossos sindicatos estão se transformando em sindicatos de aposentados, os jovens não estão nos sindicatos e tanto o setor público como o setor privado está mudando”.
Para Clemente, “entender isso é fundamental para compreendermos a reforma trabalhista e a eleição do Bolsonaro. É urgente pensar um novo modelo de sindicato”.
Reestruturação produtiva no mundo
O dirigente do Dieese apontou que no novo capitalismo empresas tradicionais estão sendo adquiridas por fundos de investidores. “Comprar e vender empresas passa a ser um negócio”, explicou. Esse cenário está criando outra lógica, o que ele classificou de novos milionários, “que não são os donos do capital, mas os gestores desse capital”.
“A inovação tecnológica faz parte desta transformação, cujo objetivo é gerar resultados inimagináveis para os acionistas”, disse Clemente que também comparou o trabalho de mulheres e homens com os de máquinas (o robô não tem sindicato, não faz greve, trabalha 24 horas, não adoece e custa menos). “Há máquinas que já podem superar a inteligência humana”, alertou.
De acordo com ele, a crise de 2008 mostrou a fragilidade na reorganização do capitalismo e, por isso, essas transformações exigiram ajustes no mundo do trabalho em todas as áreas. Clemente chamou a atenção para “a capacidade de produção de energia de forma infinita e a mudança radical na comunicação”.
Reformas trabalhistas
Ele disse que o mesmo ajuste está acontecendo na educação e na saúde, já que são inúmeros os hospitais e as escolas vendidas para grupos multinacionais. “O estado vai acabar contratando empresas privadas para fazer o serviço público. A legislação já liberou a terceirização em todas as atividades e será muito difícil fugirmos disso no futuro”, criticou.
O economista salientou também que as reformas trabalhistas, feitas em 110 países , retiraram direitos dos trabalhadores, dificultaram o acesso à Justiça e flexibilizaram contratos de trabalho, “Há países onde as empresas podem contratar para apenas uma hora de serviço por dia.”
O objetivo dessas reformas é baixar o custo do trabalho, flexibilizar direitos, reduzir passivo trabalhista e garantir segurança jurídica para as empresas. “A reforma trabalhista francesa foi feita por decreto, pois o presidente Emmanuel Macron não conseguia aprová-la no Congresso”, contou.
O golpe de 2016 e o controle da democracia
Clemente destacou que isso é o que estava em jogo com o golpe de 2016 que derrubou a presidenta Dilma Rousseff (PT). “Não há outro país no mundo que tenha tantos recursos disponíveis para oferecer ao capital estrangeiro, como o nosso”, enfatizou o economista, citando petróleo, minérios, energia, terra e água potável.
“Nós somos um país que está sendo entregue. O Brasil é a maior oportunidade de entrega de ativos reais”, disse. Ele alertou que “a elite econômica está criando os seus próprios partidos e que empresas estão financiando líderes. Querem o estado mínimo do ponto de vista social, mas com igualdade de competição e concorrência no mundo”.
Segundo ele, é preciso olhar para essa mudança estrutural, que rompe paradigmas e cria uma nova realidade. “Considerando a imensa desigualdade do Brasil, essas alterações ocorrerão em ilhas. A grande massa de trabalhadores está hoje desprotegida, e os empregados nessas ilhas ainda vibraram com o fim do imposto sindical”, lamentou.
Aqui no Brasil, observou o diretor do Dieese, essa mudança estrutural acontece no mesmo momento em que ocorre uma alteração no sistema político. “O recado é claro. Não dá para acabar com a democracia, mas ela tem que entregar o resultado que eles querem. E o Judiciário está entregando esse resultado. Isso faz parte do processo da reestruturação e do controle da democracia”, denunciou.
Inovar as formas de luta e resistência
Para o economista, os jovens que estão no mercado de trabalho terão que se organizar para fazer as negociações e fechar acordos. “Não há formação maior do que a vivência. Isso se chama descoberta da consciência de classe e os jovens terão que passar por isso. E nós teremos que inovar no movimento sindical e nos convencer que o novo sindicalismo será feito por quem está nesses novos postos de trabalho”, ressaltou.
Clemente apontou também que, assim como Portugal, a Espanha está passando por uma nova realidade política, a partir de um governo de centro-esquerda. Ele destacou que vários direitos retirados, como a valorização do salário mínimo e o reajuste das aposentadorias, estão sendo resgatados.
“Temos que repensar a nossa organização, criar um movimento para enfrentar essas mudanças que estão ocorrendo no Brasil e no mundo, e inovar as nossas formas de luta e resistência”, concluiu.
Atualizar o novo sindicalismo
Após a palestra, houve espaço para manifestações das centrais sindicais. O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, foi o primeiro a falar. “Precisamos atualizar o novo sindicalismo”, apontou ao lembrar da construção da CUT em plena ditadura militar.
Nespolo defendeu a mudança dos estatutos dos sindicatos com a criação de comissões sindicais de empresa para aumentar a representatividade, ampliar a sindicalização e reorganizar a pauta de reivindicações dos trabalhadores.
“Temos que nos aproximar as entidades e montar centros de referência sindical, como forma de responder à escassez de recursos financeiros e enfrentar esse momento difícil que estamos passando”, propôs.
O dirigente da CUT-RS defendeu ainda “a atualização da comunicação, que deve ser cada vez mais direta para organizar a nova classe trabalhadora”. Para ele, “tudo na vida é um ciclo, que não se encerra por osmose, mas pela correlação de forças”.
Fonte:CUT-RS
Investidores condicionam otimismo a reforma da Previdência em 2019
Recuperação da indústria naval, do petróleo e do gás, uma das bases do emprego industrial e do crescimento no final da década passada? Não. Retomada de investimentos públicos em infraestrutura, outro fator impulsionador de desenvolvimento e postos de trabalho? Também não.
Planos para aquecimento do crédito e do mercado interno, com criação de vagas formais, ampliação da renda e estímulo ao mercado interno, de modo a reativar a indústria doméstica e o setor exportador? Tampouco.
As apostas dos operadores do mercado concentram-se em “reformas” que deem sustentação à lei do teto de gastos – leia-se redução de gastos sociais e da capacidade de investimentos do setor público. E para eles a reforma das reformas é da Previdência Social.
A partir da eleição de Jair Bolsonaro, investidores habituados aos ganhos em volume taxas reais de juros ainda campeãs do mundo até admitem ter de se acostumar com uma nova realidade. A expectativa de gestores de investimentos é de que o mercado deixe de premiar os que apostam em ganhos fáceis e sem risco. “Teremos de nos acostumar a investir como o investidor lá fora”, disse Marcello Popoff, da assessoria Lifetime Investimentos, promotora do Panorama Conjuntural 2019, na noite desta segunda-feira (26), em São Paulo.
“O momento é de mudanças. Estamos saindo de uma zona de conforto”, acrescenta Giuliano De Marchi, “head” para a América Latina do JP Morgan, banco de investimento norte-americano. Para ele, “o investidor brasileiro ficou mimado” com as facilidades de ganho possibilitado pelos juros estratosféricos.
Apesar da mudança, o relativo otimismo entre os gestores é condicionado a um fator: a reforma da Previdência. Sem ela, não há motivos para “otimismo”. A avaliação é de que “a reforma é a diferença entre o Brasil quebrar ou não”, nas palavras de Marcelo Cavalheiro, gestor da Safari Capital – por “quebrar” entenda-se a capacidade de fechar as contas com prioridade ao corte de gastos, e não ao aumento da arrecadação com economia aquecida.
Segundo os participantes do debate, a Previdência Pública não é entendida como uma necessidade social e humana, mas um empecilho que afugenta o investidor estrangeiro. Se a expectativa é de juros baixos para os próximos períodos, por outro lado o custo financeiro é menor e, portanto, o lucro será maior.
Na opinião de Cavalheiro, há três cenários à frente. “Sem reformas, vamos virar uma Grécia, com uma dívida impagável e insolvência fiscal.” Outro cenário é que se mantenha a reforma previdenciária apresentada por Temer, que, para ele, ainda não é a ideal. Com ela, não haverá um cenário tão catastrófico, mas a situação vai “piorar aos poucos”.
Cavalheiro acredita que a manutenção do teto dos gastos, instituído pelo governo Michel Temer com a Emenda Constitucional 95, o país voltará a crescer, o que provocará vantagens para investimentos de risco. “Tudo gira em torno da reforma da Previdência.”
Para João Braga, gestor de renda variável e sócio do Grupo XP, no novo cenário de relativo otimismo o investidor deve se acostumar com taxas de juros “mais normais”. “Porque, de fato, o Brasil foi o paraíso dos rentistas. Correndo pouco risco, você tinha uma taxa de retorno muito mais alta do que em qualquer lugar do mundo.”
Num suposto ambiente de reforma, essas taxas de juro de equilíbrio caem muito, avalia Braga. “Vai ficar mais difícil para os rentistas ganharem como ganhavam antes, sem fazer esforço.” Também para ele, o otimismo depende da reforma da Previdência. “Se acreditarmos que vai ter reforma, que a gente vai entrar num ambiente de juro real de equilíbrio mais baixo, certamente isso sustenta o otimismo. Haverá a Bolsa subindo e busca por ativos de risco.”
Segundo os gestores presentes ao Panorama Conjuntural 2019, além das expectativas de crescimento da Bolsa como opção de investimento, com uma taxa de juro reduzida e inflação relativamente baixa, a opção passará a ser, paulatinamente, menos pela renda fixa e mais por ações. Além disso, espera-se também que o mercado imobiliário passe a se tornar mais atraente aos investidores, assim como o setor de infraestrutura, caso haja concessões de rodovias, por exemplo.
Porém, há motivos para preocupação, segundo os operadores de mercado, além da relativa a uma eventual não aprovação da reforma da Previdência. A praticamente certa subida dos juros nos Estados Unidos é o principal desses motivos. “O Brasil tem que estar com a casa em ordem”, disse Cavalheiro.
Resta saber como colocar a casa em ordem sem proporcionar mecanismos de arrecadação, com mais emprego e desenvolvimento sustentável, ingredientes que não costumam fazer parte do bolo dos que vivem da ciranda financeira em torno da qual têm girado as economias do mundo.
Fonte:Eduardo Maretti/RBA








