Nota: Mobilização Nacional pela reestruturação do atendimento do INSS
Os/as segurados/as da Previdência Social vêm enfrentando enormes dificuldades para obter o adequado atendimento as suas demandas por benefícios e serviços previdenciários. Demora na análise dos pedidos de benefícios, indeferimentos indevidos, perícias médicas realizadas em longo prazo, inconsistências e precariedade no funcionamento dos sistemas digitais de atendimento, dentre outros, são alguns dos problemas recorrentes que têm gerado muita insatisfação e reclamações por parte dos/as segurados/as rurais e urbanos.
Muitos dos problemas identificados são decorrentes do descaso do governo com a Previdência Social que, nos últimos anos, vem restringindo o acesso a direitos e implantando uma política de desestruturação do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), autarquia responsável por garantir o atendimento à população, que vem sofrendo constantes restrições orçamentárias e tendo o quadro de servidores/as reduzido ano a ano sem a devida recomposição.
Cumpre observar que, quando a política de proteção previdenciária se fragiliza, ela impacta diretamente na subsistência de milhões de famílias, bem como reduz o seu papel estratégico e indutor do desenvolvimento socioeconômico de milhares de municípios brasileiros. Por isso, o momento atual exige maior reflexão e ações proativas, principalmente por parte do Governo no sentido de dar soluções para os problemas estruturais da previdência que afetam o atendimento à população.
Apresentamos, a seguir, os principais gargalos que precisam ser resolvidos para tornar a Previdência Social uma política pública cumpridora do seu papel social e constitucional e eficiente no seu propósito de atender dignamente a população que clama pelos seus direitos.
PROCESSOS DE BENEFÍCIOS REPRESADOS
A demora no atendimento e na análise dos processos de benefícios pelo INSS tem sido recorrente nos últimos anos. Conforme Boletim Estatístico da Previdência (mês 12/2021), a fila de pedidos de benefícios aguardando decisão do INSS chegou ao final do ano de 2021 com mais de 1,7 milhão de segurados/as na espera, com uma média de 70% (1,2 milhão) dos pedidos de benefícios superando o prazo de 45 dias para serem analisados pela autarquia. Existem situações em que os/as segurados/as aguardam decisão do INSS há vários meses.
Dentre os principais pedidos que estão aguardando na fila, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) é o que tem maior quantidade, seguido dos benefícios por incapacidade, aposentadoria por tempo de contribuição e aposentadoria por idade.
É preciso considerar que o INSS vem recebendo mensalmente mais de 700 mil pedidos de benefícios todos os meses, mas sua capacidade de análise não consegue suprir essa demanda, o que gera grande estoque de benefícios represados.
Situação semelhante ocorre com os processos de benefícios com recursos administrativos contra as decisões do INSS. No final de 2021, mais de 250 mil processos estavam paralisados no INSS aguardando encaminhamento para as Juntas de Recursos da Previdência Social JRPS/CRPS, e mais de 150 mil processos aguardavam o INSS cumprir as decisões das JRPS/CRPS. Registra-se que também falta estrutura às JRPS/CRPS para analisar, dentro de prazo razoável, os recursos administrativos de sua competência. Conforme informações prestadas pelo INSS/CRPS ao Conselho Nacional de Previdência Social no final de 2021, a média de recursos julgados por mês é de apenas 70% do total de recursos recebidos mensalmente, gerando assim um estoque de recursos represados.
Vale lembrar que, quanto mais tempo se leva para liberar um benefício, mais recursos financeiros da Previdência são gastos com o pagamento de valores atrasados, incluindo juros e correção monetária. Isso torna o sistema ineficiente.
INCONSISTÊNCIAS NAS PLATAFORMAS INSS DIGITAL E MEU INSS
Muitos/as segurados/as vêm enfrentando, nos últimos meses, dificuldades para encaminhar seus requerimentos de benefícios e serviços nas plataformas digitais do INSS. Os problemas vêm ocorrendo tanto em relação ao sistema SAG/GERID/INSS DIGITAL, utilizado pelas instituições que têm acordo de cooperação técnica com o INSS e que atuam representando os/as segurados/as, assim como em relação ao sistema Meu INSS, utilizado diretamente pelos/as segurados/as para acessar informações previdenciárias e encaminhar suas demandas.
Considerando a imprescindibilidade desses sistemas para a boa fruição dos serviços ofertados pelo INSS, é fundamental que os mesmos funcionem com mais estabilidade. As inconsistências apresentadas limitam o uso das plataformas digitais pelos/as segurados/as e dificultam o acesso aos serviços previdenciários, além de sobrecarregar o trabalho do INSS com o atendimento presencial.
PERÍCIAS MÉDICAS
Os benefícios por incapacidade que demandam perícia médica, como auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e BPC, representam o maior quantitativo de benefícios requeridos mensalmente ao INSS.
Até o final de 2021, em função da pandemia, o INSS estava fazendo a analise de alguns pedidos de benefícios por incapacidade a partir dos documentos anexados ao processo, sem necessariamente realizar perícia médica presencial. Todavia, a partir de 2022, as perícias médicas voltaram a ser feitas com atendimento presencial.
Ocorre que não há médicos peritos em quantidade suficiente para fazer o atendimento. Mais de 600 agências do INSS não têm médicos peritos para atender os/as segurados/as, o que exige que pessoas adoentadas tenham que se deslocar por longas distâncias para fazer a perícia. Soma-se a isso o fato de que, em algumas regiões, os/as segurados/as só conseguem agendar a perícia médica meses depois do início da incapacidade para o trabalho, e ainda, muitas perícias médicas estão sendo reagendadas gerando insegurança e sofrimento para os/as segurados/as.
Por certo, a regularidade no atendimento dos pedidos de benefícios por incapacidade passa pela realização de concurso público para a contratação de novos médicos peritos. Mas também é necessário analisar a viabilidade de outras formas de se realizar as perícias médicas valendo-se do uso da tecnologia, como, por exemplo, a teleperícia.
FALTA DE SERVIDORES/AS
Um dos principais motivos pelo qual ocorre a demora na análise dos pedidos de benefícios é o déficit de servidores/as para fazer o atendimento. Sem realizar concurso público desde 2015, quando contava com mais de 37 mil servidores/as, o INSS vem tendo o seu quadro de pessoal reduzido ano a ano, sendo que atualmente conta com aproximadamente 20 mil servidores/as.
Com a implantação dos processos digitais e em decorrência da pandemia de Covid-19, o INSS redirecionou o trabalho de muitos dos seus servidores/as para fazer a análise dos pedidos de benefícios por meio remoto. Todavia, isso não está sendo suficiente para impedir o represamento de benefícios.
E o mais grave, o INSS não dispõe de servidores/as suficientes para reabrir boa parte de suas agências de atendimento, em especial aquelas localizadas nos pequenos e médios municípios. A autarquia conta atualmente com mais de 1.500 agências de atendimento ao público, sendo que mais de 300 agências ainda não reabriram suas portas para o atendimento presencial.
Para a recomposição do quadro de servidores/as é urgente a realização de concurso público, cuja demanda vem sendo apresentada pelo INSS ano a ano aos Ministérios da Economia e do Planejamento. No ano de 2021, foi novamente solicitada a realização de concurso público pedindo a contratação de aproximadamente 7.500 novos/as servidores/as.
RESTRIÇÕES ORÇAMENTÁRIAS IMPOSTAS AO INSS
Nos últimos anos, o INSS vem sofrendo constantes restrições orçamentárias que tornam a sua estrutura cada vez mais precária para fazer o atendimento da população. Recentemente, no orçamento da União aprovado pelo Congresso Nacional para o ano de 2022, o governo, ao sancionar a lei orçamentária, estabeleceu um corte de mais de R$ 980 milhões nos recursos destinados ao INSS.
Com tal redução orçamentária, o INSS certamente não conseguirá manter a estrutura mínima necessária para atender os pedidos dos/as segurados/as por aposentadorias e pensões e outros benefícios tão essenciais, principalmente neste momento em que ainda vivemos os efeitos da pandemia.
De acordo com o INSS, se não forem garantidos os recursos orçamentários necessários, as principais consequências serão:
- Não retomada do atendimento presencial nas agências que se encontram fechadas;
- Descumprimento à Lei nº 14.199/2021 que trata da gratuidade nas ligações para a Central 135;
- Descumprimento à decisão do TCU que trata da realização de teleperícia em municípios que estão sem Perito Médico Federal, principalmente por não ter como adquirir equipamentos para expansão da avaliação remota e da Perícia Médica com uso da teleavaliação;
- Redução na concessão automática de benefícios realizada pela Dataprev;
- Não realização dos pagamentos de benefícios por ausência de cobertura orçamentária;
- Impossibilidade de agilizar o reconhecimento de direitos pelos/as servidores/as para redução da fila;
- Dificuldade de capacitar servidores/as para redução dos indeferimentos e concessões indevidas;
- Interrupção do atendimento em unidades, ao longo do ano, por perda de contratos;
- Fechamento de Agências da Previdência Social, inclusive de prédio próprio.
Diante desse cenário, é preciso que a restrição orçamentária imposta ao INSS seja revista, de modo a evitar que os/as segurados/as rurais e urbanos sejam ainda mais prejudicados/as no atendimento de suas demandas por serviços e benefícios previdenciários.
No momento, o Congresso Nacional pode contribuir para a solução orçamentária do INSS ao reapreciar a Lei Orçamentária sancionada pelo presidente da República, derrubando o veto orçamentário determinado pelo governo.
Greve dos Federais ganha adesões
Servidores do Banco Central decidiram entrar em greve por tempo indeterminado, a partir de sexta-feira (1º). Em assembleia realizada nesta segunda-feira (28) os servidores do Banco Central do Brasil decidiram aderir ao movimento paredista, a categoria quer um reajuste de 26,3%, além da reestruturação da carreira de analista.
Eles se juntam a outros servidores federais, como os servidores do INSS. Na sexta-feira passada (25), quem também aderiu ao movimento paredista foram os servidores do Tesouro Nacional, que assim como os demais, lutam por um reajuste salarial.
Com furo do ministro, APAGÃO do INSS deve continuar com mais força
A mobilização dos servidores públicos federais continua e o APAGÃO DO INSS permanece nesta semana como um período decisório para as reivindicações da categoria, esse foi o ponto discutido e aprovado, por unanimidade, na assembleia virtual realizada pelo SINSSP, na última sexta-feira (25).
O sindicato esperava levar os informes da reunião com o Ministério do Trabalho e Previdência, agendada pelo próprio ministro da pasta na última reunião com as entidades sindicais (dia 09/03), mas Onix Lorenzoni descumpriu a sua agenda mostrando total desrespeito e falta de empatia com os servidores, que se deslocaram até Brasília e deram com a “cara com na porta” e o pior de tudo, depois foi noticiado que o ministro fugiu da reunião com as entidades representativas dos servidores para poder participar de uma live com o foragido da justiça, Alan dos Santos, conforme noticiou o colunista do site Metrópole, Guilherme Amado.
O Presidente do Instituto, José Carlos Oliveira, acabou recebendo os sindicalistas e a diretora do SINSSP, Vilma Ramos, que estava representando o Consórcio de Sindicatos dos Trabalhadores da Seguridade Social, da base do INSS, filados à CUT, manifestou o seu protesto pelo rompimento do compromisso previamente agendado e consequentemente da discussão das pautas já apresentadas ao ministro.
Nesta reunião com a direção central do Órgão, Oliveira acenou ser favorável que os técnicos do INSS tenham nível superior e informou que o INSS poderá terceirizar o atendimento à população e que o GT que discutirá a pontuação terá a sua primeira reunião nesta segunda-feira (28).
O presidente da Autarquia também sinalizou que as entidades sindicais se reunissem com o Ministério da Economia e disse que vai tentar intermediar uma audiência. Por enquanto, a categoria não tem nada de concreto, pois além de não negociar, o Governo Bolsonaro sequer recebeu as entidades para discutir as propostas.
Por isso a necessidade de manter a mobilização e os computadores desligados, a luta continua por concurso público; abertura imediata de negociação para reestruturação dos valores das tabelas da Carreira do Seguro Social; rediscussão do Programa de Gestão (teletrabalho): fim das metas abusivas e do assédio institucional; criação do Auxílio Teletrabalho; reajuste dos benefícios (auxílio saúde, vale alimentação e auxílio creche); derrubada do Veto de 1 Bilhão no orçamento do INSS; não ao fechamento das Agências; defesa do direito ao atendimento presencial ao cidadão nas unidades do órgão e não a terceirização do atendimento.
Foi encaminhado a realização de uma nova assembleia na próxima quinta-feira (31/03), às 17 horas de forma virtual.
É importante que os servidores acompanhem o site e as redes sociais do SINSSP para ficarem informados e receberem todas as orientações deste processo de movimentação da categoria.
Vamos continuar nos organizando porque sem luta não tem vitórias. O Governo não quer negociar, por isso os servidores devem pressionar e neste momento o APAGÃO DO INSS deve ganhar força em toda a categoria!
No ar o episódio#57 do MEGAFONE - O Apagão do INSS!
No episódio #57 do MEGAFONE, o canal de Podcast do SINSSP fala sobre o APAGÃO DO INSS, movimento de pressão dos servidores para aprovação da pauta de reinvindicação da categoria. Fique sintonizado com a gente!
Para ouvir clique aqui.
O programa também está disponível no Spotify: clique aqui para ouvir.
No Pocket Casts: clique aqui para ouvir.
No Podcasts do Google: clique aqui para ouvir episódio do MEGAFONE pelo RadioPublic: clique aqui para ouvir. Continue sintonizado no MEGAFONE, o canal de Podcast do SINSSP!
ATENÇÃO: você pode ouvir o episódio #57 do MEGAFONE pelos links acima, direto nas plataformas de streaming. Se a plataforma escolhida solicitar login, efetue o seu cadastro escolhendo logar pelo Facebook, Google ou e-mail e pronto, sua conta está criada, é fácil! Depois, só localizar o MEGAFONE, seguir o canal e ouvir os episódios.
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Assembleia no SINSSP para avaliação do Apagão do INSS
O SINSSP convoca todos os servidores do INSS para participar da Assembleia virtual, nesta sexta-feira (25), às 19 horas via Google Meet, para os informes da reunião com o Ministro do Trabalho e Previdência que ocorrerá neste mesmo dia no período da tarde e para avaliação do movimento.
A diretora da pasta secretaria geral do SINSSP, Vilma Ramos, vai participar da reunião com o Ministro representando o sindicato no Consórcio de Sindicatos dos Trabalhadores da Seguridade Social, da base do INSS, filados à CUT.
O Apagão do INSS vai manter os computadores desligados, sem acesso aos sistemas durante os dias 23, 24 e 25 de março, para que os servidores mostrem que sem negociação da pauta de reivindicação a PRESSÃO vai continuar.
Participe da assembleia virtual do SINSSP, sua presença é muito importante. Clique aqui para efetuar a sua inscrição.
Grupos técnicos de WhatsApp fechados no apagão do INSS
O Apagão do INSS começou nesta quarta-feira (23) e segue o dia prometendo mostrar ao governo que os servidores não estão brincando e se não houver negociação das pautas de reivindicação a pressão vai continuar.
O movimento vai manter os computadores desligados, sem acesso aos sistemas durante os próximos dias.
O primeiro dia de apagão começou com vários grupos técnicos de servidores temporariamente fechados enquanto durar a paralisação.
Dessa forma, é preciso continuar com MUITA PRESSÃO durante o APAGÃO DO INSS.
SEMINÁRIO RESISTÊNCIA, TRAVESSIA E ESPERANÇA, previdência social
O SINSSP vai participar do SEMINÁRIO RESISTÊNCIA, TRAVESSIA E ESPERANÇA, como espaço de reflexão, diagnóstico e proposição de políticas públicas nas mais diversas áreas, que ocorrerá nesta quinta-feira (24).
O diretor da pasta Secretaria de Organização Política e Sindical do sindicato, Antônio Carlos Lima, participará da mesa de debates: AMEAÇAS E DESAFIOS DA PREVIDÊNCIA PÚBLICA: agenda legislativa, financiamento, inclusão e qualidade do atendimento.
O evento é organizado pelas Bancadas do PT na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, pela Direção Nacional do PT, pela Fundação Perseu Abramo e o Instituto Lula.
Programação
Tópico: Seminário "Previdência que o Brasil Precisa"
14h: ABERTURA E SAUDAÇÃO DOS ORGANIZADORES
14h30: Mesa 1- A PREVIDÊNCIA QUE O BRASIL PRECISA: regime geral, regime próprio e regime complementar (15 minutos cada)
Coordenação: Senador PAULO PAIM
- Laura Tavares Ribeiro Soares (Regime Geral)
- Ricardo Berzoini: ex-Ministro do Previdência Social.
- Cláudia Ricaldoni: ex-presidente da Anapar e especialista em Fundos de Pensão
- Benedito Augusto de Oliveira – Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social - CNTSS/CUT
Debates
16h: Mesa 2 – AMEAÇAS E DESAFIOS DA PREVIDÊNCIA PÚBLICA: agenda legislativa, financiamento, inclusão e qualidade do atendimento (15 minutos cada)
Coordenação- Deputada REJANE DIAS
- Érica Kokay: Deputada Federal pelo PT/DF.
- Carlos Eduardo Gabas: ex-Ministro da Previdência Social.
- Eduardo Fagnani: professor colaborador da Unicamp, economista do NAPP/FPA e pesquisador.
- Elaine Dillenburg, advogada da Federação dos Trabalhadores da Agricultura no Rio Grande do Sul - FETAG/RS.
- Antônio Carlos Lima – representante do Sindicado dos Trabalhadores do Seguro Social e Previdência Social do Estado de São Paulo – SINSSP.
Debates:
18h: ENCERRAMENTO
23 de março é dia de Apagão no INSS!
Operação Tarrafa e os servidores do INSS
Nos últimos dias o sindicato tomou ciência da Operação Tarrafa, uma ação da polícia federal que cumpriu 36 mandados de busca e apreensão com prisão de alguns servidores do INSS por supostas fraudes ocorridas no Seguro Defeso.
O SINSSP não é contra o combate às fraudes, muito menos contra a punição de servidores que cometem fraudes, mas o sindicato não pode se calar diante dessa ação espetaculosa que prendeu servidores e os expôs publicamente, maculando suas imagens não só como servidores, mas também como cidadãos. Até onde podemos aceitar calados tais ações?
Primeiramente é importante frisar que a Constituição Federal garante a todos os brasileiros o amplo direito de defesa, conforme preceitua um estado democrático de direito. Segundo a constituição é direito de todos os brasileiros e os estrangeiros que aqui vivem:
Art. 5o …
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
XI – a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;
...
LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
LVIII – o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei;
...
LXI – ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei.
Diante dos relatos de alguns servidores que foram inseridos na “Operação Tarrafa”, fica claro que a forma de agir dos agentes da PF está em desacordo com o disposto em nossa “Carta Magna” e agem ao arrepio da lei, como se ainda estivéssemos nos tempos da ditadura.
Será que precisaremos lembrar a PF que, neste caso, eles não estão lidando com assaltantes de bancos, nem com traficantes de drogas ou qualquer outro tipo de violadores da lei, mas com servidores públicos federais, investidos de um cargo público, com endereço residencial e comercial conhecidos e que trabalham com sistemas corporativos facilmente auditáveis, não havendo necessidade de ações espetaculosas e que atentam contra a imagem desses servidores e de toda uma categoria.
Se há indícios de fraudes na concessão de algum benefício previdenciário então que façam as devidas auditagens nos sistemas. Por que a necessidade de apreender celulares, computadores e outros documentos? As provas já não eram existentes? Ou será que há apenas ilações de gente inescrupulosa?
Os servidores não são bandidos, se há alguma suspeita de fraude tanto o INSS quanto a PF poderiam apurar as fraudes, sem a necessidade de atentar contra a moral de ninguém e sem ao menos oferecer o direito de defesa. Ou será que mudaram a constituição e todos são culpados até que se prove o contrário?
O pior é o silêncio do INSS e do Ministério do Trabalho e Previdência que, no mínimo, se omitem diante desse atentado contra os seus próprios servidores. Essa administração empurra os servidores para um descontentamento geral, que só reforçam a necessidade de uma greve.
É preciso reforçar que os servidores do INSS são responsáveis pelo atendimento de uma grande parcela da sociedade brasileira, são aposentados, pensionistas, pessoas enfermas e carentes, todas atendidas por esses mesmos servidores que hoje estão expropriados de qualquer direito e marcados pela ilegalidade. A pergunta que fica é: Quem serão as próximas vítimas?
Lembramos que nos últimos anos o INSS vem trabalhando com um número cada vez menor de servidores, com sistemas precários e sem qualquer critério legal para a divulgação de normas e legislações.
Muitas orientações são transmitidas aos servidores através de WhatsApp, Facebook, Telegram, entre outras redes sociais e dos “informes azuis”. Qual a legalidade dessas informações? Será que quem está nos outros programas de gestão também não serão vítimas dessas ordens oficiosas?
Estamos atravessando um momento de muita reflexão, os servidores precisam se conscientizar de que a vida não é apenas cumprir metas e multiplicar a pontuação a todo custo. É necessário trabalhar de forma legal, cumprindo normas e seguindo a legislação.
Operação Excelência: atenção às novas orientações
A Operação Excelência do INSS segue com a adesão dos servidores e neste momento é muito importante que ela continue ganhando força, tendo em vista que na próxima sexta-feira (25), haverá uma reunião com o Ministério do Trabalho e Previdência, para dar continuidade na pauta de reivindicações entregue pelas entidades representativas da categoria em que o SINSSP esteve presente.
Até aqui, o movimento conseguiu alcançar o objetivo que almejava: chamar a atenção dos parlamentares para a pauta que a categoria reivindica, bem como da imprensa com a veiculação da operação em várias mídias.
Aprovada em assembleia do SINSSP, por unanimidade, a mobilização luta contra as metas abusivas, pelo reconhecimento do direito da população à prestação de serviço com qualidade, recomposição salarial de 19,99%, contra o desmonte e sucateamento do INSS, por concurso público, dentre outras pautas.
Por esse motivo, o sindicato vem orientar os servidores os próximos passos que devem seguir. Até o dia 25/03, data da próxima reunião com o ministro, é preciso fazer MUITA PRESSÃO, por isso hoje (22/03) os servidores devem continuar com a Operação Excelência e nas datas 23/03, 24/03 e 25/03 será DIA DE APAGÃO NO INSS.
Durante o apagão do INSS os servidores em trabalho remoto devem manter os computadores desligados e os que estiverem no atendimento presencial devem assinar o SISREF, porém, não devem acessar os sistemas, somente orientar a população sobre a Operação Excelência e explicar que o movimento é em prol do INSS e pela qualidade do atendimento prestado à população.
No dia 25/03 o SINSSP vai chamar uma assembleia para avaliar o movimento e decidir com os servidores os próximos passos da mobilização.
O que o servidor deve fazer na Operação Excelência do INSS?
A Operação Excelência deve continuar até que a pauta dos servidores seja atendida. O servidor deverá cumprir no máximo 80%, da sua meta em todos os programas de gestão, os que estiverem em trabalho remoto deverão cumprir o horário entre no 08h e 18h, não ultrapassando a jornada de 9h, já incluída a parada para almoço e NÃO puxar tarefas aos finais de semana, feriados e após o horário comercial.
É importante ressaltar que esse movimento da categoria compreende TODAS as áreas do INSS: Benefício, Atendimento, Gestão de Pessoas, Logística, Auditoria e Corregedoria.
Para saber mais detalhes sobre a orientação da Operação Excelência clique aqui.
A diretora da pasta secretaria geral do SINSSP, Vilma Ramos, vai participar da reunião desta sexta-feira (25), com o Ministro do Trabalho e Previdência representando o sindicato no Consórcio de Sindicatos dos Trabalhadores da Seguridade Social, da base do INSS, filados à CUT.
É importante que os servidores acompanhem o site e as redes sociais do SINSSP para ficarem informados e receberem todas as orientações deste processo de movimentação da categoria.
Vamos continuar nos organizando porque sem luta não tem vitórias.










