Pauta do SINSSP entra em vigor no INSS

Os servidores aposentados e pensionistas de fundações públicas federais e autarquias do RPPS passaram a ter um atendimento exclusivo por meio de uma central telefônica a partir da última sexta-feira (10). O novo canal é o 1358 e funciona de segunda a sexta, das 8h às 18h.

A nova central de atendimento do INSS para os servidores aposentados e pensionistas do Regime Próprio de Previdência Social atende ao previsto no Decreto 10.620/2021, que visa a transferência ao INSS da concessão e manutenção das aposentadorias e pensões das Autarquias indiretas. Dessa forma, o 1358 atenderá os servidores da ativa, aposentados e pensionistas de 161 órgãos públicos, incluindo o INSS.

O teleatendimento é uma solução dos problemas da Central de Análise de Benefícios do Regime Próprio de Previdência Social e receberá ligações dos servidores que precisam acompanhar o andamento dos requerimentos que são analisados pela CEAB RPPS. É importante ressaltar que nesta fase de implementação do novo serviço podem ocorrer inconsistências no recebimento de chamadas enquanto os ajustes técnicos são efetuados.

A demanda de um canal telefônico para um atendimento exclusivo e personalizado ao servidor público, em especial do INSS, foi tema de pauta do SINSSP em várias reuniões com a presidência do INSS. Diante dos vários desmontes que a Autarquia vem sofrendo, o sindicato recebe essa notícia com alguma esperança de que firmes na luta cada vitória será conquistada. Falta apenas estender o serviço aos servidores ativos, que também se utilizam da central CEAB-RPPS.

O SINSSP continua lutando pelos servidores e tem participado de todas as agendas nacionais de interesse da categoria, defendendo os interesses dos servidores ativos e aposentados bem como na defesa de uma previdência pública e de boa qualidade. O sindicato também tem atuado em várias frentes, por isso a importância de cada vez mais fortalecermos a sua representatividade.

Por isso convidamos VOCÊ a Fortalecer o sindicato e nossa luta, entre os temas  que estamos debatendo é a transformação de nossa carreira em uma  Carreira do Seguro Social – Típica de Estado; em defesa da GEAP e seus assistidos; em defesa dos Peculistas; em defesa da Previdência Pública e de Boa Qualidade e totalmente contra as PEC- 23 e 32.

Venha fazer parte do SINSSP! Entre em contato com o sindicato agora mesmo, clique aqui e faça a sua filiação. É rápido e fácil, não perca mais tempo, e sobretudo, não fique desprotegido!

PORQUE JUNTOS SOMOS MAIS FORTES!

Atenção: o SINSSP vai entrar em recesso a partir do dia 20 de dezembro, retornando as atividades no dia 03 de janeiro. A série “Qualidade de vida e envelhecimento ativo” vai encerrar a sua temporada no dia 22 de dezembro retornando com nova temporada no ano que vem. O site do sindicato e os episódios do Megafone permanecem em atividade neste período.

Fonte: Assessoria de Imprensa da SR-1 do INSS

 


Qualidade de Vida e Envelhecimento Ativo : porque a saúde e o bem-estar devem andar juntos?

É fato que a saúde e a qualidade de vida caminham juntas e como já publicado na série “Qualidade de Vida e Envelhecimento Ativo”, “o fenômeno da longevidade tem vários fatores responsáveis: a medicina, avanços tecnológicos, melhora na qualidade de vida, melhora na alimentação, condições sanitárias, prevenção, entre outros, mesmo os indivíduos com alguma condição crônica ou incapacitante têm sobrevida prolongada, que pode evoluir e impactar na senescência.”

A concepção do envelhecimento ativo é o novo indicador de saúde que antes era medido pela presença ou ausência de doenças, apenas. Esse grau de capacidade funcional do ser humano, de preservar suas habilidades mentais, físicas e sociais segue na mesma direção do conceito de saúde, dado pela Organização Mundial de Saúde.

Dessa forma, se o indivíduo tem uma qualidade de vida ele estará no caminho certo para alcançar uma vida saudável e consequentemente terá um envelhecimento ativo.

A definição da “pessoa estar saudável” vai muito além de estar doente, enferma ou precisar usar medicamentos. Conforme o dito popular “mente sã, corpo são” associado ao bem-estar social é a resposta do “ser saudável”, do viver a vida de forma saudável.

Porém, a conquista dessa fórmula requer rotinas diárias nos diversos aspectos como as condições econômicas e socioculturais, relações entre as pessoas, estilo de vida, etc. A prática desse bem-estar envolve muitos outros hábitos.

Alguns hábitos para o bem-estar

Os exercícios físicos é um dos hábitos para o bem-estar. Quem nunca ouviu o médico falar que praticar atividades físicas contribui para o combate e controle de diversas doenças como o diabetes, gordura no fígado, por exemplo, e que os benefícios para a saúde compreendem uma dezena de fatores que vão desde o fortalecimento muscular como também influencia em diversas funções do organismo como a cardíaca e a respiratória.

Assista o vídeo sobre exercícios físicos que traz dicas e reflexões sobre a importância da pessoa com mais de 60 anos (a melhor idade) praticar atividade física. Clique aqui. 

Manter a alimentação num padrão adequado é outro hábito bastante importante, pois ela intensifica os resultados adquiridos com as atividades físicas. Se alimentar bem significa comer os nutrientes necessários para o bom desempenho das funções metabólicas do corpo.

Os alimentos dos fast-foods precisam dar lugar às verduras, frutas e legumes. Diminuir a ingestão deles não condiz a uma questão estética, mas de bem-estar e saúde.

Assista o vídeo sobre alimentação saudável com dicas e reflexões clicando aqui.                

Dormir bem traz uma condição bastante favorável ao organismo e precisa estar regular para não contribuir para o aparecimento das diversas enfermidades ligadas ao emocional do indivíduo.

As horas de sono bem dormidas contribuem para a memória e o processo de aprendizado, é o momento em que o cérebro faz o processamento de tudo o que o organismo viveu durante o dia.

Assista o vídeo que traz dicas e reflexões de como ter um boa noite de sono. Clique aqui para conferir.

Contudo, a partir da leitura é possível relacionar e compreender que saúde e qualidade de vida caminham juntas e com a prática delas é possível envelhecer estando ativo e sobretudo saudável, e sim, é possível viver com qualidade e saúde ao mesmo tempo.

Vale destacar que o acompanhamento médico é sempre imprescindível em todos os casos, seja para a realização de atividades físicas, para a dieta e para as demais práticas do cotidiano. Nunca comece qualquer rotina, mesmo estas que contribuem para a saúde e qualidade de vida, sem procurar um especialista para acompanhar. Fica a dica!

O SINSSP, pensando na qualidade de vida dos servidores, tem publicado semanalmente uma série de matérias e vídeos sobre a “Qualidade de Vida e o Envelhecimento Ativo”, acompanhe pelo nosso site e fique de olho nas redes sociais.

Vale destacar que essa é a penúltima matéria da temporada “Qualidade de Vida e Envelhecimento Ativo” que vai encerrar no dia 15/12, mas não fique triste que a segunda temporada volta em 2022 com muitas outras novidades.

 


O desmonte do INSS fecha agência de Pirassununga

O desmonte que o INSS vem sofrendo pela falta de gestão está destruindo não só as estruturas físicas que abrigam o órgão, como também está afetando o trabalho dos servidores da Autarquia, que se veem obrigados a interromper os atendimentos num momento em que a população mais precisa dos serviços do INSS, serviços que se encontram represados exatamente pela falta de recursos em razão da política executada pelo governo Bolsonaro, bem como pelo estrangulamento financeiro colocado em prática por Paulo Guedes, que impedem o investimento e manutenção da instituição.

Essa estratégia é feita de forma proposital, para satisfazer a nefasta política de destruição da máquina pública, dando vazão as privatizações do órgão público, pois com o sucateamento deles fica mais fácil “mostrar” que não servem e não atendem ao Estado e a população e que somente com uma privatização desses serviços é que se resolverão os problemas, como “num passe de mágica” e sem um ônus aparente à população.

Diante deste cenário de destruição, mais uma agência de atendimento colocava em risco a vida dos servidores, dos funcionários terceirizados e da sociedade. Essa política de desmonte provocou o fechamento da agência de Pirassununga após perícia da Defesa Civil.

A APS, que pertence à Gerência Executiva de São João da Boa Vista, estava com sérios danos na parte estrutural do prédio, tais como janelas quebradas, pisos soltos, teto danificado e riscos de desmoronamento do prédio.

A Defesa Civil já havia solicitado um laudo técnico das condições do local, mas este não foi apresentado e bastou uma forte tempestade na cidade para interditar o prédio da agência do INSS de Pirassununga, que ficou com mais danos causados pela chuva. Tudo isso é consequência da falta de solução para os problemas já constatados e denunciados pelas entidades sindicais.

Resumo da história: até a reforma acabar, o atendimento ao público no INSS estará suspenso. Problemas para os servidores que terão que retornar para o trabalho remoto e não sabem se serão realocados para cidades vizinhas, problema para os segurados que ficarão sem atendimento e com dificuldades de locomoção, além dos gastos com transporte, já que esse prédio era o único que atendia a população da cidade.

Essa é a verdadeira face de todo descaso do Governo Bolsonaro para com os serviços públicos, que são direitos garantidos pela constituição. As políticas públicas e gratuitas são desmontadas para que os serviços sejam privatizados e quem sai ganhando com isso são os grandes empresários que a todo momento encontram uma forma de conseguir lucros e mais lucros, independentes da qualidade e do custo que isso será repassado para a população.

Esse projeto de desmonte do INSS precisa ser denunciado para que a sociedade entenda a importância dos serviços públicos e que sem eles a vida dos brasileiros estará fadada ao caos e ao abandono. Os direitos constitucionais devem ser respeitados e fornecidos de forma adequada a todos.

Todos juntos em defesa do INSS e dos serviços públicos!

 


Campanha contra a carestia: preço da cesta básica sobe em todo o país e custa quase 60% de um salário mínimo

Em alta constante, o custo médio da cesta básica, em novembro, aumentou em nove de 17 capitais pesquisadas pelo Dieese. No ano, o aumento foi generalizado, chegando a até 18%, bem acima da inflação oficial, na casa dos 10%. De acordo com o instituto, o trabalhador que ganha salário mínimo compromete quase 60% de sua renda líquida para comprar uma cesta.

As maiores altas no mês passado foram apuradas em capitais do Norte-Nordeste, com destaque para Recife (8,13%), Salvador (3,76%) e João Pessoa (3,62%), além de Natal, Fortaleza, Belém e Aracaju. Também houve aumento em Florianópolis e Goiânia. Entre as quedas, as principais ocorreram em Brasília (-1,88%), Campo Grande (-1,26%) e Rio de Janeiro (-1,22%).

Mínimo x cesta

De janeiro a novembro, todas as capitais pesquisadas têm alta, variando de 4,44% (Aracaju) a 18,25% (Curitiba). Em São Paulo, o aumento foi de 9,63%. Já no acumulado em 12 meses os preços também têm elevação em todas as cidades: de 3,65% (Salvador) a 16,75% (novamente Curitiba).

A cesta de menor valor foi a de Aracaju (R$ 473,26). E a mais cara, a de Florianópolis (R$ 710,53). Com base nessa, o Dieese estimou em R$ 5.969,17 o salário mínimo necessário para as despesas básicas de um trabalhador e sua família em novembro. Esse valor corresponde a 5,42 vezes o piso nacional (R$ 1.100). A proporção era de 5,35 no mês anterior.

Renda mais curta

Segundo o Dieese, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica subiu mais de uma hora em relação ao mês anterior, para 119 horas e 58 minutos. E o trabalhador que ganha mínimo comprometeu 58,95% da renda líquida (descontada a Previdência) com os itens básicos. Mais uma vez, houve aumento em comparação com outubro (58,35%).

O preço do quilo do café em pó subiu em todas as capitais, chegando a 23,63% em Recife, a 11,94% em Florianópolis e a 11,39% no Rio. O preço do açúcar aumentou em 16 cidades, com estabilidade em Belo Horizonte. Já os preços do feijão e do arroz agulhinha diminuíram em novembro.

 


Nova lei antiterrorismo aprofundaria crise da democracia brasileira

Para a diretora de programas da ONG Conectas Direitos Humanos, Camila Asano, o Projeto de Lei (PL) 1.595/2019, que promove uma nova lei antiterrorismo, é “escancaradamente autoritário e inconstitucional”. Em entrevista a Glauco Faria, na edição desta terça-feira (7) do Jornal Brasil Atual, ela alerta que o PL “cria uma polícia secreta do presidente da República” para “intimidar e monitorar vozes que possam ser críticas ao governo”.

A Conectas é uma das 19 entidades que assinam nota técnica contra a tramitação do projeto bolsonarista, de autoria do deputado Major Vitor Hugo (PSL-ES). O texto da nova lei antiterrorismo foi aprovado na Comissão Especial da Câmara no final de setembro. E na última quarta (1º) foi colocado em pauta, sob regime de urgência, pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). A questão acabou não sendo tratada, mas foi novamente colocada para a ordem do dia seguinte, novamente sem votação. No entanto, o projeto já figura na pauta do plenário da Câmara para esta semana e pode ser votado a qualquer momento.

De acordo com Camila, se o requerimento de urgência for aprovado, “vamos ter mais um passo dado pelo Congresso para consolidar esse momento de crise profunda da democracia no Brasil”, adverte. E pontua que o PL cria uma “aparelhagem do Estado brasileiro para poder monitorar de forma autoritária vozes opositoras”.

Polícia política

“Chamo de polícia secreta porque na verdade cria-se um sistema paralelo de inteligência de monitoramento e atuação de repressão à margem do que já temos hoje, que é a estrutura de Polícia Federal e a própria estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Elas já têm suas competências e operam inclusive na questão do combate ao terrorismo e a ameaças que poderiam eventualmente existir no Brasil. Qual a necessidade de se criar uma estrutura paralela, a não ser a presidência da República ter em suas mãos uma polícia secreta?”, aponta Camila.

Outro ponto que preocupa as entidades é a definição vaga de terrorismo no projeto de lei, ampliando a definição legal prevista na legislação de 2016. Segundo a Conectas, embora o PL 1.595 não se apresente como uma alteração da lei, na prática, o texto acaba indo contra o que foi aprovado pelo Congresso Nacional há cinco anos. “Ele vai praticamente abarcar qualquer atuação mais crítica aqui no Brasil como passível de ser definida como terrorismo”, analisa Camila.

Sociedade desprotegida

“Estamos falando de uma estrutura que vai ser criada para intimidar e monitorar vozes que possam ser críticas ao governo. Isso tanto vindo de opositores políticos, da imprensa livre, movimentos sociais e entidades da sociedade civil. E tem a ver com essa questão do monitoramento e o suposto uso das atividades de inteligência, mas para um fim errado. É um desvio não para proteger a soberania do Estado, mas para (proteger) os interesses particulares de quem esteja ocupando a presidência da República”, contesta.

As organizações também advertem quanto à nova tentativa do governo Bolsonaro de incluir na proposta o “excludente de licitude”. “Que nada mais é do que uma licença para matar”, resume a Conectas. A avaliação é que, ao permitir que policiais possam, em suposta legítima defesa, tirar a vida de pessoas sem responder por isso, a impunidade será a “regra”. “É por conta destes e de vários outros pontos apresentados por outras entidades da sociedade civil e até mesmo por vozes internacionais relevantes que esse projeto não pode avançar”, conclui Camila Asano.

No final de outubro, 14 organizações internacionais assinaram um documento denunciando que a nova lei antiterrorismo ignora recomendação das Nações Unidas sobre riscos para a proteção dos direitos humanos, especialmente da liberdade de expressão e do direito à manifestação.

O PL pode ser votado a qualquer momento e precisamos pressionar as lideranças da Câmara para barrar isso. Acesse aqui e envie seu recado para os Deputados.

Para acompanhar o PL na Câmara clique aqui.

 


Clube Certo SINSSP: bora ver a estreia de Spider Man no Way Home?

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Deputados avaliam fim da cobertura para todas as doenças por planos de saúde

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) enviou, para a Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (7), um documento com análise de uma série de pontos considerados problemáticos de um texto preliminar de projeto de lei que altera as regras para os planos de saúde. A análise foi enviada para o deputado Hiran Gonçalves (PP/RR), autor de um texto substitutivo a 250 propostas parlamentares que visam alterar a Lei de Planos de Saúde de 1998. O teor da minuta circula entre os parlamentares da Comissão Especial dos Planos de Saúde, criada em julho deste ano.

Para a entidade, há uma série de pontos do texto preliminar que ferem os interesses dos consumidores. Um dos principais deles é o fim da obrigação que as empresas têm atualmente de cobrir o tratamento de todas as doenças classificadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Dessa forma, doenças novas ficariam de fora da cobertura até uma aprovação pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Se essa fosse a legislação para o setor privado em março de 2020, muitas pessoas que procuraram atendimento em hospitais particulares para tratar a Covid no início da pandemia acabariam tendo de pagar o tratamento do próprio bolso.

“O atendimento dependeria da aprovação da agência, o que poderia levar a um atraso muito grande na cobertura dos planos para novas doenças. Cobrir exames, consultas e internações para doenças novas dependeria da agência”, afirma a advogada e coordenadora do programa de saúde do Idec, Ana Carolina Navarrete.

A lei 9.656, de 1998, afirma que “é instituído o plano-referência de assistência à saúde, com cobertura assistencial médico-ambulatorial e hospitalar, compreendendo partos e tratamentos, realizados exclusivamente no Brasil, com padrão de enfermaria, centro de terapia intensiva, ou similar, quando necessária a internação hospitalar, das doenças listadas na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, da Organização Mundial de Saúde”.

Planos mais simples

Essa não seria a única mudança na cobertura dos planos de saúde. Haveria ainda a permissão para que as operadoras oferecessem planos mais acessíveis, para procedimentos simples, como consultas e exames de rotina, retirando da cobertura exames mais complexos e tratamentos mais caros, como quimioterapia e hemodiálise.

“A questão é que, para fechar diagnóstico de uma doença, muitas vezes são necessários exames mais complexos. E isso também impactaria o pronto-atendimento. Se quebrar um braço, possivelmente não vai precisar de um atendimento de alta complexidade, mas o paciente ficaria excluído da cobertura. A verdade é que esse plano ofereceria muito pouco quando as pessoas realmente precisassem”, explica a advogada.

Se o resultado da venda de planos de saúde com esse perfil poderia impactar o Sistema Único de Saúde, já que os usuários da saúde privada acabariam migrando para a rede pública. “Se isso acontecer, em vez de a rede suplementar ser um apoio para a assistência de saúde, acabaria sobrecarregando o SUS”.

A proposta também cria mecanismos para aliviar as multas aplicadas às empresas em casos de negativa de atendimento, atrapalhando na investigação por casos de desrespeito. Com o envio do documento ao deputado relator da proposta, o Idec espera ampliar o debate entre a comissão e a sociedade civil. A entidade defende que o projeto de lei não pode desconsiderar o Código de Defesa do Consumidor.

Ana Carolina Navarrete lembra ainda que o setor da saúde privada vai muito bem financeiramente e faturou bem desde o início da pandemia – embora tenha lidado com internações por Covid, houve uma queda significativa na busca por consultas, procedimentos e cirurgias eletivas. “Não houve aumento na inadimplência, porque a última coisa da qual o consumidor abre mão é do plano de saúde. O que vimos com a pandemia foi um aumento na entrada de usuários, de pessoas que temem uma fila longa do SUS, que atende 3/4 dos pacientes com 40% dos leitos”.

Maior cobrança para os mais velhos

Outro ponto polêmico do texto substitutivo é uma alteração no Estatuto do Idoso, que proíbe a discriminação por idade na cobrança aos usuários com mais de 60 anos. Atualmente, a cobrança é a mesma para uma pessoa com 61 ou 90 anos. Mas o texto que circula entre os deputados permite um “reajuste parcelado” às pessoas idosas nas últimas faixas etárias.

“Esse público perde a capacidade de pagamento com o tempo e, por outro lado, demanda um olhar mais atento em relação à saúde. É uma população mais vulnerável e especial, por isso o Estatuto do Idoso foi criado”, diz Ana Carolina.

Esse ponto do texto substitutivo chegou ao público na sexta-feira (3) e é bastante criticado por entidades que defendem os interesses dos idosos. Alguns parlamentares também se manifestaram sobre esse ponto e o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) apresentou requerimento para a realização de audiência pública conjunta para debater a importância da vedação de cobrança de valores diferenciados aos idosos.

Presidente da Rede Ibero-Americana de Associação de Idosos (RIAAM Brasil), Maria Machado Cota afirma ser revoltante ver os representantes no Legislativo tentando retirar direitos dos idosos, que trabalharam por anos e foram importantes para a produção laboral. “Se nós trabalhamos, construímos a riqueza do país, temos o direito de usufruir do que o Brasil oferece. Se eles gastassem mais com prevenção e promoção da saúde, que são baratos, não teríamos tantos problemas e necessidade de atendimento de média e alta complexidade”, afirma.

Para Maria Machado, de 73 anos, não é interessante para a rede privada o investimento na atenção primária. “Os empresários ganham fortunas em cima da doença do povo. Eles montam suas clínicas de atenção secundária e terciária e não querem investir em prevenção, por que se não deixam de ter lucro”.

A reportagem entrou em contato com o deputado Hiran Gonçalves. Na sexta-feira, ele atendeu e disse que não podia conversar por estar ocupado. Nesta terça-feira, seu celular estava desligado. A reportagem enviou um email para o gabinete do parlamentar e aguarda retorno.

 


Qualidade de Vida e Envelhecimento Ativo: velhice e envelhecimento como uma questão sócio vital complexa

Nesta semana a série “Qualidade de Vida e Envelhecimento Ativo” vai reproduzir uma entrevista com a professora aposentada da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (Each-USP), Ângela Maria Machado de Lima Hutchison, sobre velhice e envelhecimento como uma questão sócio vital complexa.

O material foi publicado no Podcast “Diversidade em Ciência” e o jornalista e professor da ECA-USP e membro da Comissão de Direitos Humanos da USP, Ricardo Alexino Ferreira, entrevista a convidada que há várias décadas vem estudando saúde, envelhecimento e o autocuidado.

Ricardo Alexino Ferreira - Eu vou começar perguntando como a gente deve chamar as pessoas que são consideradas idosas? Chamo de velho, chamo de idoso, são vários termos, né? Tem até um que eu acho que é muito preciso, “melhor idade” e a gente não sabe muito bem, qual o melhor termo que respeita a cidadania.

Professora Ângela - Esse tema muito interessante ao qual se chama a atenção porque há vários termos, idoso se refere a como o Estatuto do Idoso qualifica a pessoa de 60 anos ou mais no Brasil. As pessoas, muitas vezes, não aceitam a situação de serem chamadas de velhos, mas depende do indivíduo. Uma pessoa militante recebe muito bem a palavra velho, velha. De forma geral, falar “velho”, parece um xingamento, melhor idade, maioridade, velho a mais tempo, aliás “jovem a mais tempo”, terceira idade, tudo isso é uma invenção recente. Tem uma conotação de positivar a condição de ser idoso, mas muitas vezes acaba negando. A condição de ser idoso também traz sofrimento, perdas, então pode ser um estereótipo também, a depender da situação a pessoa idosa parece bem interessante porque qualifica os direitos, ou seja, com a velhice vem os direitos como cidadão. Na verdade, não existe o certo ou errado, mas existem nuances em relação a isso.

Ricardo Alexino Ferreira - Muitas vezes parece que também existe uma “medicalização” do idoso ou do velho, pensa-se nele só na questão dentro do âmbito da saúde. Você concorda com isso?

Professora Ângela - Dentro desse ponto da “medicalização” a gente pode dizer que o problema é considerar velhice uma doença. Então, se uma das características do envelhecer é ter certas doenças, mas se comparar um velho ou idoso ou terceira idade, enfim, comparar uma pessoa com mais de 60 anos com pessoas de faixa etária mais jovens, por exemplo, crianças, e tentar ver nessa faixa etária quantas doenças aparecem e contabilizar as doenças também na pessoa mais velha, as crianças têm muito mais possibilidade de adoecer. Porque o sistema imunológico não está desenvolvido e não é verdade que o idoso adoece mais, ele adoece de certas condições e as vezes são mais graves, são condições crônicas e muitas vezes elas são condições incapacitantes. Aí sim se nós falamos de incapacidade, comparamos as faixas etárias, estamos mudando um pouco o eixo da discussão, mas a “medicalização”, chamando a atenção para essa pergunta que é muito boa, é reduzir a condição da velhice a condição da doença mais grave e mais próxima.

Ricardo Alexino Ferreira - Você tem uma carreira que é muito interessante, muito coerente. A sua tese de doutorado defendida também pela USP, saúde, envelhecimento, o autocuidado como questão, o tempo todo, todos os seus trabalhos seguem nessa perspectiva. O que você já queria dizer quando você tá falando autocuidado como questão?

Professora Ângela - Essa minha tese tem início nos anos 2000. O que eu estava falando naquele momento era justamente a discussão do cuidado e do autocuidado, porque eu sou da área de saúde coletiva. Essa pesquisa está cunhada na área de saúde coletiva, perceber como se oferecem cuidados e como a pessoa também consegue. Se cuidar foi uma questão naquele momento, eu olhei idosos que são favelados, comunidade favelada. Para entender sobre envelhecimento é preciso saber sobre envelhecimento populacional e o envelhecimento nos indivíduos, são duas coisas diferentes. Quando nós falamos envelhecimento populacional, nós estamos falando de variáveis demográficas que compõem a possibilidade de uma população envelhecer ou não. E aí para falar de uma forma mais concreta são três as variáveis clássicas que é diminuição da mortalidade, aumento da expectativa de vida e diminuição da fecundidade. O envelhecimento populacional depende muito mais da taxa de fecundidade do que o controle das doenças e mortalidade e isso reflete na expectativa de vida. O Brasil foi ganhando expectativa de vida. Então eu levantei até o que aconteceu na expectativa de vida no Brasil com o cenário da COVID-19. Nós brasileiros perdemos dois anos de expectativa de vida em 2020. Então o Brasil tem mais ou menos 40 milhões de pessoas idosas de 60 anos numa população de 210 milhões. Então há cerca de 18% da população dos brasileiros e brasileiras são pessoas idosas. Mas isso significa um fenômeno também complexo, eu até costumava fazer uma brincadeira com meus alunos na sala de aula, que todo ano nasce uma pessoa idosa.

Ricardo Alexino Ferreira - Uma pessoa aos 60 anos pode ser considerada uma pessoa idosa? Esse referencial é mais recente? Eu estou te perguntando isso por que a pessoa de 60 anos está ainda muito no estado produtiva, eu não sei se é um preconceito dizer que um idoso não é produtivo nessa minha fala, mas aos 60 anos a pessoa ainda está com grande vitalidade, você concorda?

Professora Ângela - Precisa explorar essa tua pergunta em duas direções, qual é o marcador para o envelhecimento? É um marcador para a aparência, quando fica mais velha a pele muda, cabelos brancos, rugas. Tem o marcador interno, que os órgãos internamente também mudam, a mulher para de menstruar, questão de menopausa, tem modificação do homem também chamada de andropausa. Aí tem um marcador social que em geral é a expectativa de vida, porque 60, 65 anos no Brasil? Justamente isso que você chama atenção para sua pergunta. Pode haver mais anos de trabalho, então isso também incide na questão de aposentadoria. Ao fazer um recorte desse tipo coloca as pessoas necessariamente numa posição que nem sempre a gente verifica, então esses meus idosos lá da comunidade aos 60 anos não tem a mesma funcionalidade do idoso que tem as facilidades de uma vida econômica mais abastada. Então isso tem a ver com expectativa de vida, mas também a produtividade tem a ver com que a pessoa consegue produzir vindo de uma determinada situação social.

Ricardo Alexino Ferreira - Inclusive, eu gostaria de perguntar a questão étnica, como ela funcionaria numa pessoa idosa negra e numa pessoa idosa não negra ou branca?

Professora Ângela - Interessante porque de fato estamos falando de diversidade, diversidade econômica, diversidade cultural, faz toda diferença, então, no Brasil, estrutura social é pouco justo, no ponto de vista econômico acaba tratando ou cuidando do cidadão de forma diferenciada. E aí entra as questões étnicas também.

Ricardo Alexino Ferreira - Você é médica sanitarista, né? Como é que se dá o diálogo entre a médicos sanitaristas e médicos geriatras?

Professora Ângela - O geriatra é um especialista, é como um clínico geral da pessoa idosa. Em geral, o médico geriatra é muito interessante de fazer uma ponte né?  Porque o médico geriatra ele tende a considerar a pessoa como um todo no seu aspecto biopsicossocial só que com foco mais na patologia ou na ausência da patologia que percebe a questão da rede social, da família. Já a formação do médico sanitarista é para as questões populacionais, mas pode passar pelos indivíduos também. É lógico que não há população sem indivíduos certamente, não tem como separar o idoso indivíduo da população, mais tem fenômenos que são comuns e outros que são específicos, então há problemas que são mais raros e os que são mais comuns, mas a conversa com geriatras de uma forma geral, pelo menos na minha experiência, é uma conversa muito interessante.

Fonte: Jornal da USP, Podcast “Diversidade em Ciência”

 


8D: Dia Nacional de Luta Contra a PEC 32

Hoje, 8 de dezembro, trabalhadores e trabalhadoras realizarão atos em todos os estados e no Distrito Federal. A mobilização nacional do 8D será em defesa do serviço público, contra a PEC 32 e as retiradas de direitos!

No dia 11 de dezembro, às 9h, caravanas dos estados se encontrarão em Maceió - Alagoas. A concentração será na Praça Multievento (Pajuçara).

É preciso estar atento e forte! Nossas incansáveis mobilizações e denúncias nos permitiram barrar a Deforma Administrativa até aqui, mas precisamos seguir nos mobilizando até enterrar de vez a PEC 32, em defesa do serviço público.

Participe!

Com informações do FONASEFE.

 


Não vacinados são 80% das mortes e internados por covid no Brasil, aponta relatório

De cada 10 pessoas que morreram por covid-19, oito não estavam vacinados, de acordo com relatório encomendado pelo Uol. O estudo considera internações e mortes que ocorreram após o início da aplicação da segunda dose da vacina no Brasil, em 1º de março.

A plataforma Info Tracker, responsável pelo levantamento, foi desenvolvida pela USP (Universidade de São Paulo) e Unesp (Universidade Estadual de São Paulo) para monitorar os números da pandemia.

Segundo o estudo, de 1º março até 15 de novembro 306.050 pessoas morreram de covid no Brasil. Destes, 79,7% (243 mil) das vítimas não haviam tomado nenhuma dose da vacina.

O número cai para 10,7% (32 mil) considerando os que completaram o ciclo vacinal e 9,7% (29 mil) para quem tomou uma dose. Desde o início da aplicação da segunda dose, o número de óbitos caiu 94%, de 89,6 mil em março para 5.744, em outubro.

No período, dos 981 mil internados, 81,7% (802 mil) não eram vacinados. Apenas 9,6% (93 mil) internados completaram o ciclo vacinal e 8,7% (85 mil) receberam somente a 1ª dose.

Não é a primeira vez que conclusões semelhantes são apresentadas. Os governos de Israel e Estados Unidos (EUA), por exemplo, vêm alertando há meses sobre a chamada "pandemia de não vacinados". Em algumas regiões quase todos os casos de internação registrados são de pessoas que não passaram pela imunização.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA divulgou uma pesquisa de grandes proporções, em que 600 mil pessoas foram acompanhadas. Os resultados indicam que quem não tomou a vacina tem dez vezes mais possibilidade de precisar de internação.

Em 8 de novembro, o Brasil de Fato mostrou que um balanço realizado pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal apontava que 80% das internações e óbitos ocorridos nos hospitais de campanha também é de pessoas não vacinadas contra a covid-19. O monitoramento foi feito com pacientes que deram entrada no Hospital de Campanha do Gama.