Contribuição ao debate sobre a Política Federal de Gestão de Pessoas - PFGP 2030

  1. Apresentação

O governo federal está discutindo a elaboração de uma Política Federal de Gestão de Pessoas para 2030, PFGP/2030.

Apresentamos aqui nossa contribuição a partir da experiência vivida na recepção aos novos concursados em 2025 e 2026, dos debates e propostas de correções à Lei 15.367/2026, emanadas das intervenções da Condsef/Fenadsef e, especialmente, do Grupo de Trabalho (GT), constituído pela Condsef/Fenadsef nos primeiros meses de 2023.

Dedicado à discussão sobre o modelo de Estado, a Administração Pública e as transformações em curso na gestão de pessoas no Poder Executivo Federal esse GT publicou seu relatório em 01 de setembro de 2023 o qual foi consolidado nas Resoluções de XIV Congresso de nossa entidade (disponível em https://www.condsef.org.br/documentos/resolucoes-xiv-concondsef-v-confenadsef-14-17-12-2024-1, capítulo 3.3, página 18).

O GT partiu da compreensão de que o debate sobre carreiras, formas de contratação, concursos, remuneração, desenvolvimento, teletrabalho e gestão de pessoas não pode ser separado da discussão mais ampla sobre qual Estado queremos construir e a serviço de quais interesses sociais deve estar a Administração Pública.

Nesse sentido, a análise da Política Federal de Gestão de Pessoas – PFGP 2030 é particularmente importante. O documento apresenta uma proposta abrangente de reorganização da gestão de pessoas do Executivo Federal e procura situá-la no interior de uma concepção de Estado que pretende superar o gerencialismo mais estreito, recuperar a capacidade estatal e articular profissionalização, planejamento e desenvolvimento.

Há, portanto, aspectos da PFGP que devem ser reconhecidos positivamente. O documento afirma que a gestão de pessoas deve abandonar a condição de mera “área meio” e se consolidar como uma “função pública estruturante”. Também reconhece a importância da profissionalização, da estabilidade, da negociação coletiva, da diversidade, da retomada do protagonismo estatal e do Estado social brasileiro.

Entretanto, justamente porque a PFGP pretende apresentar um projeto de longo prazo para o Estado brasileiro, é necessário aprofundar suas premissas e consequências. O problema não é saber apenas se a Administração Pública será “mais eficiente”, “mais estratégica” ou “mais digital”. É necessário perguntar a serviço de quem estará essa eficiência, quais trabalhadores serão considerados “estratégicos”, quais atividades serão valorizadas, quem terá acesso ao serviço público e quais relações de trabalho serão preservadas ou precarizadas.

É nesse ponto que nos apoiamos nas contribuições elaboradas pelo GT da Condsef/Fenadsef para dialogar criticamente com a PFGP 2030.

  1. O papel do Estado: capacidade estatal não pode ser separada da disputa social

A PFGP identifica corretamente que o Estado brasileiro enfrenta problemas de capacidade institucional e que a gestão de pessoas é elemento decisivo para a implementação das políticas públicas. Seu diagnóstico menciona um “aparato normativo confuso”, a “insuficiência de perfis adequados”, a “baixa centralidade política e orçamentária” da gestão de pessoas e a “integração digital incipiente”.

Também é importante seu reconhecimento de que o Brasil apresenta uma estrutura estatal heterogênea, na qual convivem “ilhas de excelência” e “bolsões persistentes de fragilidade institucional”. O documento reconhece, ainda, que as assimetrias entre órgãos e carreiras são históricas e que produzem dificuldades de coordenação.

Concordamos que é necessário superar essas desigualdades e fortalecer a capacidade do Estado. Mas é preciso ir além do diagnóstico tecnocrático.

O Brasil é um país marcado pela dependência econômica, pela concentração de renda e pela subordinação histórica aos interesses do capital financeiro. A construção de um serviço público democrático não pode ser reduzida à modernização dos instrumentos de gestão. Reformas parciais, ainda que necessárias e urgentes, devem ser compreendidas como pontos de apoio para a construção de um Estado soberano, democrático e comprometido com os direitos sociais.

A Administração Pública e as empresas estatais devem ocupar lugar central na promoção do desenvolvimento econômico e social, na redução das desigualdades e na garantia dos direitos universais, de forma que não se pode aceitar, portanto, a concepção segundo a qual caberia ao Estado simplesmente “estimular a concorrência” ou criar um ambiente favorável aos investimentos privados.

Essa questão aparece de forma particularmente evidente quando a PFGP identifica como desafios a necessidade de “tornar atrativo o ambiente de negócios para investimentos internacionais” e de “alavancar recursos públicos e privados, nacionais e internacionais, para financiar o desenvolvimento”.

  1. Estado, democracia e a crítica à ideia de neutralidade administrativa

Um dos pontos que merecem maior problematização na PFGP é a ideia de que o Estado e sua burocracia poderiam ser organizados para garantir a “continuidade das políticas públicas acima das alternâncias conjunturais”.

A profissionalização do serviço público e a estabilidade são fundamentais, mas isso não significa que a Administração Pública possa ou deva ser “blindada” contra o resultado das eleições ou contra a disputa política da sociedade.

Não existe uma Administração Pública politicamente neutra. As políticas públicas expressam escolhas políticas e sociais e o próprio funcionamento do Estado é atravessado pela disputa entre interesses de classes e grupos sociais.

Por isso, o GT da Condsef/Fenadsef rejeitou a ideia de que seria possível construir uma burocracia completamente separada do chamado “ciclo eleitoral”. O sufrágio popular é expressão da soberania popular e os governos eleitos devem ter condições de implementar o programa aprovado nas urnas.

Isso não significa defender o uso patrimonialista do Estado, o aparelhamento da máquina pública ou a substituição da profissionalização por relações pessoais. Significa distinguir profissionalização de tecnocratização.

A PFGP acerta ao criticar o autoritarismo e ao propor instrumentos como a Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP), a negociação coletiva e políticas de enfrentamento ao assédio.

Mas é necessário reconhecer que também existe uma disputa política sobre o próprio conteúdo das políticas de Estado.

Reconhecer essa disputa também vale para a crítica ao chamado “corporativismo predatório”. A PFGP identifica corretamente que existem desigualdades e disputas corporativas no interior do serviço público, mas não enfrenta suficientemente o fato de que a própria fragmentação das carreiras e das políticas remuneratórias, conduzidas pelo MGI, produz e alimenta essas disputas.

Quando existem centenas de tabelas remuneratórias, carreiras com atribuições semelhantes submetidas a regimes distintos e diferenças salariais profundas entre trabalhadores que realizam funções comparáveis, cria-se uma competição interna permanente.

O enfrentamento dessa fragmentação ultrapassa os mecanismos de coordenação administrativa e passa pela construção de maior unidade entre os trabalhadores do serviço público, inclusive por meio de uma política remuneratória unitária e da valorização das organizações sindicais gerais e classistas.

  1. “Neoweberianismo” e “neoestruturalismo”: reconhecer os avanços, disputar seus limites

A PFGP apresenta como fundamento conceitual o “neoweberianismo”, associado à profissionalização, ao mérito e à estabilidade; e o “neoestruturalismo”, relacionado à direção estratégica do Estado, ao desenvolvimento nacional e à redução das desigualdades.

Há elementos importantes nessa formulação. A recuperação da profissionalização e da estabilidade representa um avanço em relação à visão neoliberal que procura transformar o serviço público em uma extensão do mercado.

Entretanto, é preciso perguntar qual é o conteúdo político dessa profissionalização.

A profissionalização tem se orientado à criação de uma elite burocrática cada vez mais distante da população trabalhadora, assim como o “mérito” tem se confundido com um mecanismo de reprodução das desigualdades sociais existentes na sociedade.

Se as carreiras mais valorizadas são acessíveis principalmente a pessoas oriundas das camadas sociais que tiveram acesso às melhores escolas e condições materiais de preparação, o concurso público, isoladamente, pode reproduzir a desigualdade social dentro do próprio Estado.

Por isso, a Condsef/Fenadsef defende a democratização do acesso ao serviço público por meio de cotas sobretudo sociais, amparadas pelo critério de renda, se somando às demais cotas já existentes.

A PFGP fala em combinar “mérito e representatividade”, buscando recrutar perfis mais próximos da realidade social brasileira. Esse objetivo é positivo, mas precisa ser acompanhado de instrumentos concretos de democratização do recrutamento, onde se inclui, também, a preservação dos cargos de nível auxiliar e intermediário.

  1. Concursos públicos: profissionalização não combina com precarização

A defesa do concurso público é um princípio central.

A PFGP coloca o planejamento integrado da força de trabalho como um de seus projetos estruturantes e consolida o CPNU como importante instrumento de recrutamento para a Administração Pública Federal.

A Condsef/Fenadsef defende o planejamento permanente dos concursos, rompendo com o modelo no qual a abertura de vagas fica submetida a pressões circunstanciais e fragmentadas entre órgãos.

Mas há uma contradição importante quando, ao mesmo tempo em que se busca planejar a força de trabalho, a PFGP admite a contratação de jovens em regime temporário como instrumento de ampliação do acesso ao trabalho e à renda.

Essa concepção precisa ser rejeitada.

Se há necessidade permanente de força de trabalho para a implementação das políticas públicas, esses trabalhadores devem ser incorporados ao serviço público mediante concurso e enquadramento no RJU.

A solução para criar oportunidades para a inserção de jovens no serviço público (e no mercado de trabalho) está na preservação dos cargos de nível auxiliar e médio (vide item 9 desta contribuição) e não na utilização de contratos temporários como mecanismo estrutural.

A contratação temporária deve permanecer restrita às hipóteses excepcionais e específicas previstas no art. 37, IX, da Constituição, ao passo em que é necessário, ao mesmo tempo, garantir direitos aos trabalhadores temporários e combater os desvios na utilização desse mecanismo.

Também rejeitamos a utilização de organizações sociais, OSCIPs e ONGs como formas de substituição do serviço público estatal, pois essas modalidades transferem atividades permanentes do Estado para relações precarizadas e terceirizadas.

  1. A crítica à “racionalização” das carreiras

É nesse campo que a PFGP apresenta algumas das questões mais sensíveis.

Entre seus projetos estruturantes estão a “racionalização do sistema de carreiras”, a promoção da “transversalidade”, a transformação de cargos e a reorganização das carreiras segundo grandes áreas e “famílias ocupacionais”.

A justificativa apresentada é que o modelo em que cada órgão administra suas próprias carreiras seria inadequado às necessidades contemporâneas por “reduzir mobilidade, aumentar custos de coordenação e produzir obsolescência funcional”.

A Condsef/Fenadsef concorda que existem fragmentações e distorções que precisam ser superadas. Entretanto, não se pode transformar a especificidade das políticas públicas em sinônimo de fragmentação irracional.

Existem funções públicas que dependem de conhecimento técnico, histórico, territorial e relacional acumulado. A atuação da Funai, do Incra e de outros órgãos com políticas públicas específicas é um exemplo evidente.

No caso da política indigenista, não é possível tratar a atuação estatal como uma atividade genérica de uma suposta “família temática”. O trabalho desenvolvido na Funai envolve conhecimento territorial, antropológico, jurídico, histórico e político, além da construção de relações permanentes com os povos indígenas e suas organizações.

A transversalidade não pode, portanto, eliminar a especialização necessária à execução das políticas públicas.

O mesmo vale para o argumento da “obsolescência funcional”. A eventual transformação tecnológica ou administrativa de uma atividade não pode ser convertida em responsabilidade individual do trabalhador. Se determinadas atribuições forem reorganizadas, deve existir regra de transição que garanta o aproveitamento dos servidores mais antigos, vinculando suas atribuições às novas estruturas.

Do contrário, a “modernização” pode transformar-se em mecanismo de eliminação de cargos, precarização e perda de direitos.

  1. A criação de novas carreiras e a sobreposição de atribuições

A proposta de racionalização também precisa ser examinada à luz de suas consequências concretas.

Embora a PFGP afirme buscar superar a fragmentação e a sobreposição, a criação de novas carreiras transversais pode produzir justamente novas sobreposições.

A carreira de ATPS (Analista Técnico de Políticas Sociais), por exemplo, incorpora atribuições que se aproximam de carreiras existentes na Previdência, Saúde e Trabalho, na Funai e em outras áreas de políticas sociais, além de cargos do PGPE (Plano Geral de Cargos do Poder Executivo, por exemplo, o cargo de sociólogo e o de pedagogo). A carreira de ATDS (Analista Técnico de Desenvolvimento Socioeconômico) avança sobre atribuições da carreira de ATPS e também sobre cargos do PGPE, PECFaz (Plano Especial de Cargos do Ministério da Fazenda),

APO (Analista de Planejamento e Orçamento) e ARDA/Incra (Analista em Reforma e Desenvolvimento Agrário), que atuam com políticas de desenvolvimento socioeconômico. A carreira de PFT (Perito Federal Territorial) alcança atribuições de ARDA/Incra, Especialista em Indigenismo, agrônomos do MAPA e Especialista em Meio Ambiente. A carreira de AIE (Analista de Infraestrutura) apresenta sobreposições com engenheiros do PGPE/ERCE (Estrutura de Cargos Específicos) e outras carreiras correlatas.

Também existem situações cuja lógica de seleção não é suficientemente transparente. A carreira de ATE (Analista Técnico do Poder Executivo), por exemplo, incorpora determinados cargos de nível superior e deixa outros de fora, ainda que com grande similaridade de atribuições, o mesmo ocorreu na criação do PECCultura (Plano Especial de Cargos da Cultura), que não incorporou os Pesquisadores Culturais da Fundação Cultural Palmares, e com a carreira de ATI (Analista em Tecnologia da Informação), que não incorporou cargos como Analista de Sistema, Analista de Suporte e Analista de Processamento de Dados.

É indispensável, portanto, discutir os critérios utilizados para a criação, transformação e incorporação de cargos, buscando solucionar os mecanismos de exclusão que têm criado novas e persistentes distorções, inclusive aprofundando o quadro pré-existente.

A Condsef/Fenadsef defende, também, que qualquer reorganização deve garantir regras de transição claras, participação dos sindicatos dos trabalhadores e preservação dos direitos dos servidores ativos, aposentados e pensionistas.

A criação de uma nova carreira com atribuições equivalentes às de uma carreira antiga, mas sem os mesmos direitos para os futuros servidores e sem incorporar adequadamente os servidores e aposentados da estrutura anterior, tem produzido uma ruptura artificial entre trabalhadores que exercem funções semelhantes, incentivando a disputa interna, a fragmentação e o corporativismo.

  1. Contra a ideia de “carreiras típicas de Estado”

A PFGP e as propostas de reorganização de carreiras dialogam, em diferentes momentos, com a diferenciação entre atividades estratégicas, finalísticas e transversais, e a ideia de “apoio operacional” permanente, temporário e “obsolescência”.

A Condsef/Fenadsef reafirma sua posição histórica contra a divisão do funcionalismo em carreiras supostamente “típicas de Estado”, ou outras determinações correlatas, e carreiras consideradas secundárias.

A própria experiência da PEC 32 demonstrou o problema dessa concepção. A reforma de Bolsonaro e Guedes propunha cinco tipos de vínculos e preservava a estabilidade para as chamadas “carreiras típicas de Estado”, sem sequer definir adequadamente o conceito, deixando sua delimitação para legislação posterior.

Essa divisão é problemática porque sugere que alguns trabalhadores seriam servidores “de Estado”, enquanto outros exerceriam funções acessórias.

Todo trabalhador que atua na prestação de uma política pública necessária à população exerce uma função pública.

A diferença necessária não é entre carreiras “de Estado” e “não de Estado”, mas entre atividades que possuem especificidades concretas e aquelas que podem ser organizadas de forma mais ampla.

Não se deve substituir o corporativismo de determinadas carreiras por um novo corporativismo organizado em torno da ideia de “estratégico”.

  1. Níveis auxiliar e intermediário: contra a elitização do Estado

Um dos pontos mais importantes da contribuição do referido Grupo de Trabalho da Condsef/Fenadsef, é a defesa da preservação dos cargos de nível auxiliar e intermediário.

A tendência identificada nas propostas de reorganização é a concentração da Administração Federal em cargos de nível superior, selecionados com base em critérios que privilegiam elevadíssima escolaridade, com a transformação ou extinção progressiva de cargos de nível médio e auxiliar.

Isso já apareceu concretamente na transformação de milhares de cargos vagos de nível médio em cargos de nível superior.

Consideramos essa tendência profundamente problemática. A Administração Pública não funciona apenas por meio das chamadas funções “complexas e estratégicas”. As atividades administrativas, operacionais e de apoio são indispensáveis ao funcionamento do Estado.

Quando a Administração terceiriza essas funções, não está demonstrando que elas são desnecessárias. Pelo contrário: está reconhecendo que elas existem e são essenciais.

Por isso, defendemos a manutenção e fortalecimento dos cargos de nível auxiliar e intermediário; a valorização remuneratória desses trabalhadores; a rejeição à extinção desses cargos; o combate à terceirização das atividades públicas; a incorporação dos trabalhadores terceirizados à luta sindical e a democratização do acesso ao serviço público para a população trabalhadora.

A elitização da Administração Pública é incompatível com um Estado democrático.

A esse respeito, o GT da Condsef/Fenadsef defende o "aproveitamento do servidor de acordo com suas capacidades e aptidões e sua qualificação profissional, permitindo o máximo de mobilidade nos primeiros anos de serviço público, de modo que a evolução da formação escolar do servidor, suas escolhas profissionais (aptidão) e sua qualificação, possam ser elementos definidores da sua lotação, permitindo-lhe a migração de um órgão para outro".

A implicação prática é uma política que preserva a contratação para cargos de nível auxiliar e intermediário e pressupõe, também, a volta do instituto da ascensão funcional, de modo a abrir oportunidades de empregos na administração pública para o conjunto da população, inclusive para as camadas mais jovens.

  1. Carreira não pode significar apenas mobilidade horizontal

A PFGP coloca a mobilidade e a transversalidade no centro da reorganização das carreiras.

A Condsef/Fenadsef defende a máxima mobilidade na base, permitindo que o servidor possa desenvolver sua formação, qualificação e experiência e, ao longo da carreira, encontrar possibilidades de deslocamento entre órgãos e áreas.

Mas essa mobilidade deve estar articulada à existência de uma carreira de fato.

Por isso, como já mencionado, defendemos a reinstituição da ascensão funcional, com ingresso prioritariamente nos níveis iniciais (níveis de escolaridade auxiliar e intermediário) e possibilidade de evolução vinculada à capacitação e à qualificação.

Reiteramos que a evolução na carreira deve considerar capacitação, qualificação, tempo de serviço, experiência profissional e saberes e competências adquiridos no exercício da função pública, evitando-se critérios subjetivos, passíveis de serem convertidos em instrumentos de coerção e perseguição política.

Nesse sentido, a avaliação de desempenho não deve ser utilizada como critério de progressão e promoção funcional, uma vez que pode se converter em mecanismo de punição ou competição individual.

Nesse ponto, há convergência parcial com a PFGP, que apresenta crítica ao modelo gerencialista de avaliação de desempenho individual e reconhece o caráter coletivo da ação pública. Essa perspectiva deve ser aprofundada.

  1. Remuneração: a “racionalização” não pode preservar castas burocráticas

A PFGP reconhece como problema histórico a ausência de uma política remuneratória sistêmica e transparente para o Executivo Federal. Também reconhece que a fragmentação das carreiras produz conflitos distributivos e assimetrias.

Esse diagnóstico é correto, mas a resposta apresentada é insuficiente.

A proposta de simplesmente reduzir “assimetrias injustificadas entre carreiras e cargos de natureza semelhante” mantém a lógica fragmentada e não enfrenta a necessidade de uma política salarial efetivamente unitária.

Os debates na Condsef/Fenadsef ressaltaram a importância de construção de uma tabela salarial única para o Executivo Federal, com critérios transparentes e democráticos.

Não é aceitável que trabalhadores submetidos ao mesmo Estado tenham diferenças salariais gigantescas sem uma justificativa objetiva e socialmente defensável.

O GT também estabelece como referência a construção de um piso salarial para o serviço público baseado no salário-mínimo necessário calculado pelo DIEESE e uma relação máxima entre o menor e o maior salário.

A Condsef/Fenadsef defende, ainda, um teto salarial absoluto no serviço público federal equivalente ao salário de Ministro do STF, com a glosa de verbas que ultrapassem esse limite.

A política remuneratória deve ser utilizada para combater, e não aprofundar, a fragmentação corporativa.

  1. “O de cima sobe e o de baixo desce”: a questão dos blocos de negociação

Os processos recentes de reestruturação das carreiras demonstram uma tendência preocupante. Enquanto determinadas carreiras conseguem sucessivos ganhos remuneratórios e institucionais, trabalhadores de nível intermediário, auxiliar e de carreiras com menor capacidade de pressão, ao serem submetidos a negociações fragmentadas em diferentes correlações de força, permanecem com menor valorização proporcional.

Essa dinâmica pode ser resumida como “o de cima sobe e o de baixo desce”.

O resultado é uma Administração Pública cada vez mais concentrada em uma camada "de elite" de trabalhadores altamente remunerados, enquanto outras funções, mesmo de Nível Superior, são desvalorizadas e os servidores de Nível Médio e Auxiliar são progressivamente substituídos por terceirização, contratos temporários e vínculos precarizados.

Essa é uma forma de elitização do Estado e de sua força de trabalho e que introduz relevantes dificuldades de gestão como já estão sendo visto na prática: elevado nível de desistência e pedidos de exoneração de servidores aprovados nos recentes concursos; dificuldades de integrar os novos concursados na formação de equipes em determinados ministérios; insatisfação com a execução de tarefas burocráticas frustrando a expectativa criada pelas exigências do concurso...

A PFGP fala em “colaboração” e em superação do “corporativismo predatório”. Entretanto, a cooperação entre servidores não será construída apenas por ferramentas como o PGD (Programa de Gestão e Desempenho) o DFT (Dimensionamento da Força de Trabalho) ou CPNU (Concurso Público Nacional Unificado).

Ela depende também de solidariedade material entre os trabalhadores, o que exige uma política remuneratória menos desigual, direitos previdenciários comuns e mecanismos de representação sindical capazes de organizar o conjunto do funcionalismo.

  1. Aposentados e pensionistas: nenhuma modernização pode retirar direitos

A PFGP identifica a aposentação e a preservação da memória institucional como componentes importantes do ciclo laboral.

A Condsef/Fenadsef considera indispensável acrescentar a essa discussão a defesa da paridade entre ativos, aposentados e pensionistas (o que nos leva a reivindicar a revogação das sucessivas reformas da previdência que introduziram diferenciação de direitos - e, portanto, divisão - entre servidores da mesma carreira).

Toda reestruturação de carreira deve preservar os direitos daqueles que construíram historicamente o serviço público.

A criação de novas carreiras, sem aposentados e pensionistas vinculados a elas, pode produzir uma ruptura artificial e facilitar a quebra da paridade e da integralidade.

Por isso, qualquer transformação deve estabelecer regras de transição que assegurem os direitos dos trabalhadores aposentados e pensionistas.

A memória institucional não se reduz a um problema de gestão de conhecimento; ela é também um direito dos trabalhadores e um patrimônio público construído ao longo de décadas.

  1. Formas de contratação: rejeição à precarização

A profissionalização defendida pela PFGP é incompatível com a expansão de vínculos precários.

O GT da Condsef/Fenadsef concluiu por defender:

concurso público como forma principal de ingresso;

RJU como regime obrigatório para a contratação de servidores;

estabilidade para garantir a independência necessária ao exercício das funções públicas;

contratação temporária apenas em situações excepcionais previstas em lei;

combate à terceirização e às formas indiretas de privatização;

rejeição à transferência de atividades permanentes para OSs, OSCIPs e ONGs.

O GT da Condsef/Fenadsef também reafirmou a rejeição à PEC 32 e à PEC 38, que continuam sendo uma ameaça ao serviço público enquanto não forem definitivamente sepultadas.

A defesa do RJU, nesse contexto, não é uma defesa corporativa, mas um meio de defender uma relação de trabalho capaz de proteger o servidor contra pressões políticas, econômicas e administrativas indevidas.

  1. Cotas e democratização do acesso

A PFGP reconhece a importância da representatividade e das políticas de diversidade. O documento menciona positivamente políticas recentes de ampliação da presença de pessoas negras em cargos de direção e o desenvolvimento de iniciativas da ENAP (Escola Nacional de Administração Pública) voltadas às mulheres negras no serviço público.

Esse é um avanço importante.

A Condsef/Fenadsef, contudo, defende que a democratização não se restrinja aos cargos de liderança.

É necessário democratizar o próprio ingresso no serviço público.

Por isso, defendemos:

cotas sociais para pessoas de baixa renda que tenham estudado integralmente em escolas públicas ou com bolsa integral;

cotas sociais e raciais;

cotas específicas para mulheres em situação de vulnerabilidade social;

cotas para indígenas;

cotas para pessoas LGBTQIA+;

cotas para pessoas com deficiência;

mecanismos de distribuição regional das vagas;

pontuação por experiência profissional.

As políticas de diversidade precisam atingir a estrutura social do funcionalismo, e não apenas sua camada dirigente.

  1. Teletrabalho: flexibilidade não pode significar transferência de custos

A PFGP inclui as novas formas de organização do trabalho e instrumentos como o PGD entre suas iniciativas estruturantes e, de fato, muitos trabalhadores optam por essa modalidade em razão da flexibilidade.

Entretanto, é preciso enfrentar seus efeitos.

O trabalho remoto não pode transferir para o servidor os custos da atividade laboral. A Administração deve ser responsável pelo ambiente de trabalho, pelos equipamentos e pelos custos necessários à execução das atividades. Também devem ser considerados aspectos relacionados à saúde física e mental, a riscos psicossociais, ao acompanhamento das condições de trabalho e acidentes de trabalho, ao direito à desconexão, a formas adequadas de acompanhamento e avaliação, à proteção contra metas abusivas e controle tecnológico, além da garantia de participação das entidades sindicais nas discussões sobre a utilização de ferramentas de IA, digitalização e na construção das próprias metas e planos de trabalho individuais e coletivos.

A modernização tecnológica, nesse contexto, não pode significar a transformação da residência do trabalhador em extensão gratuita da estrutura estatal.

  1. Transformação digital e inteligência artificial: tecnologia para quê?

A PFGP identifica a “mentalidade digital” como uma das competências necessárias aos servidores do futuro e trata a transformação tecnológica como uma das grandes tendências até 2030.

É necessário, porém, incorporar à discussão os efeitos sociais da transformação tecnológica.

A PFGP tende a apresentar a inteligência artificial como instrumento de aumento da produtividade e de melhoria da vida cotidiana, mencionando genericamente riscos relacionados à substituição ocupacional e à manipulação informacional.

Esse diagnóstico precisa ser ampliado. É necessário discutir quem controla as novas tecnologias, quem se apropria dos ganhos de produtividade, quais impactos ocorrerão sobre o trabalho e como será distribuída a riqueza produzida por essas tecnologias.

A transformação digital deve estar subordinada ao interesse público, e não à redução do número de servidores ou à intensificação do trabalho.

  1. As “megatendências” e a ausência de diagnóstico político

A PFGP procura projetar tendências até 2030, incluindo mudanças demográficas, urbanização, crise climática, pressão sobre recursos naturais, transição energética, transformação tecnológica e mudanças na governança internacional.

Esses temas são pertinentes. O problema está no enquadramento.

A crise climática, a pressão sobre recursos naturais e a transição energética são genericamente apresentadas como desafios de “planejamento”, “regulação” e “capacidade institucional”.

A PFGP chega a apresentar como “oportunidades” para o Brasil o hidrogênio verde, a expansão de energias “limpas”, o mercado de carbono, a bioeconomia, a demanda internacional por commodities agrícolas e por minerais estratégicos, abordagem que não incorpora os conflitos socioambientais produzidos por essas atividades nem a dimensão econômica dos problemas subjacentes ao tema da energia.

A transição energética implica em novos ciclos de mineração e apropriação territorial que afetam povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. O mercado de carbono é frequentemente associado a conflitos fundiários e a disputas territoriais, e a expansão das commodities agrícolas está diretamente relacionada à destruição de biomas e aos conflitos no campo.

Não é possível, portanto, tratar minerais estratégicos, expansão agropecuária, créditos de carbono ou novas matrizes energéticas de forma acrítica, apenas como “oportunidades”.

Igualmente, não se pode tratar desses temas de maneira meramente técnica pois eles envolvem a sensível questão política da defesa da soberania nacional. Em crise, a principal potência econômica e militar do planeta vem adotando medidas para colocar sob sua tutela o conjunto dos países da América Latina, em particular o Brasil, e acaba de anunciar explicitamente intenções intervencionistas.

A capacidade estatal necessária é também a capacidade de proteger direitos territoriais, garantir consulta e participação dos povos e comunidades afetados e enfrentar interesses econômicos poderosos.

  1. Desenvolvimento nacional e soberania

A PFGP apresenta um avanço importante ao reconhecer a necessidade da retomada do protagonismo estatal para a recuperação das condições mínimas ao desenvolvimento brasileiro.

Também merece destaque a defesa do Estado social brasileiro e a crítica aos discursos puramente fiscalistas.

Esse é um ponto de diálogo importante com a posição da Condsef/Fenadsef.

Mas é preciso avançar na definição do que se entende por desenvolvimento nacional.

Não basta ampliar a capacidade do Estado de administrar investimentos, regular mercados e atrair capital. É necessário enfrentar a posição subordinada do Brasil na divisão internacional do trabalho e construir soberania econômica e tecnológica.

O Estado deve ser indutor da industrialização, do desenvolvimento científico e tecnológico e da redução das desigualdades.

A Administração Pública deve estar a serviço desse projeto, e não apenas ser uma estrutura eficiente para administrar um modelo econômico determinado externamente.

  1. Contra a tecnocracia: decisões políticas não são meramente técnicas

A PFGP apresenta uma preocupação legítima com a profissionalização e com a produção de evidências para a tomada de decisões.

Entretanto, é necessário rejeitar a ideia de que os grandes conflitos políticos possam ser resolvidos simplesmente por especialistas.

Na Administração Pública, aceitar o predomínio da tecnocracia sufoca a democracia quando decisões essencialmente políticas são apresentadas como meramente técnicas.

Não existe “técnica neutra” quando se decide, por exemplo, quanto será destinado à saúde, à educação, à previdência, ao serviço público, ao pagamento da dívida ou quando se decidem as metas de inflação ou a taxa básica de juros (SELIC - Sistema Especial de Liquidação e de Custódia).

A produção de evidências é importante, mas a decisão sobre prioridades é política. Por isso, a Condsef/Fenadsef rejeita a ideia de uma burocracia que pretenda se colocar acima da política ou acima da soberania popular.

  1. Estado laico

A construção de uma Administração Pública democrática também exige a defesa do Estado laico.

A Condsef/Fenadsef defende a liberdade plena de exercício de todos os credos religiosos e concepções filosóficas, respeitada a legislação brasileira, ao mesmo tempo em que defende o afastamento do Estado de qualquer religião ou concepção filosófica particular.

O Estado deve assegurar liberdade religiosa sem permitir que qualquer credo se transforme em orientação oficial da Administração Pública e sem nenhum tipo de privilégio estatal a nenhum credo.

A laicidade é condição para garantir direitos iguais e impedir discriminações.

  1. Privilégios, portas giratórias e interesse público

A crítica ao corporativismo não pode ser seletiva. Devem ser enfrentados privilégios e mecanismos que aproximam indevidamente agentes públicos de interesses privados.

É necessário combater a chamada “porta giratória”, estabelecendo períodos efetivos de quarentena para servidores que ocupem posições de alta direção antes de serem autorizados a assumirem cargos executivos em empresas privadas do mesmo setor, e vice-versa.

Também deve haver tratamento igualitário para servidores que cometem faltas graves, sem privilégios corporativos.

No caso dos militares, aqueles que desejarem disputar cargos eletivos devem previamente deixar a respectiva força.

A profissionalização do Estado deve significar compromisso com o interesse público, e não construção de privilégios corporativos.

  1. Negociação coletiva e liberdade sindical

A PFGP apresenta a negociação coletiva como instrumento de superação do autoritarismo e menciona a regulamentação da Convenção nº 151 da OIT como mecanismo de enfrentamento ao privatismo.

Esse é um ponto importante.

A Condsef/Fenadsef defende a liberdade de organização sindical e a regulamentação efetiva da Convenção 151 da OIT, bem como o fortalecimento dos instrumentos de negociação coletiva.

Entretanto, a negociação deve fortalecer a unidade dos trabalhadores, e não aprofundar a fragmentação.

A existência de negociações separadas para diferentes carreiras, com correlações de forças distintas, pode aprofundar as desigualdades que a própria PFGP identifica como problema.

O fortalecimento da negociação coletiva deve caminhar junto com mecanismos capazes de assegurar tratamento isonômico e políticas gerais para o conjunto dos trabalhadores.

  1. Um outro sentido para a “transversalidade”

O trabalho do GT da Condsef/Fenadsef não rejeitou a ideia de transversalidade em si.

É necessário ampliar a cooperação entre órgãos, permitir mobilidade, compartilhar conhecimentos e reduzir burocracias desnecessárias.

O problema é quando a transversalidade passa a ser utilizada como justificativa para substituir carreiras específicas, extinguir cargos, concentrar a Administração em trabalhadores de nível superior ou precarizar atividades consideradas “não estratégicas”.

A transversalidade deve significar cooperação entre trabalhadores e estruturas, e não homogeneização artificial das políticas públicas.

Uma política indigenista não é igual a uma política previdenciária. Uma política de reforma agrária não é igual a uma política ambiental. Uma política cultural não é igual a uma política econômica.

A modernização deve preservar a especificidade necessária à execução de cada política pública.

  1. Diretrizes para uma verdadeira modernização do serviço público

A partir do debate realizado pelo GT da Condsef/Fenadsef e da análise da PFGP 2030, entendemos que uma política contemporânea de gestão de pessoas deve estar fundada nos seguintes princípios:

  1. Defesa do Estado democrático e soberano, com capacidade de promover desenvolvimento econômico e social e combater as desigualdades.
  2. Defesa incondicional do serviço público universal, gratuito e acessível à população.
  3. Concurso público como principal forma de ingresso, com planejamento permanente da força de trabalho.
  4. RJU como regime padrão, com estabilidade e proteção contra pressões políticas e econômicas indevidas.
  5. Rejeição integral da PEC 32 e da PEC 38, que continuam representando ameaça ao serviço público.
  6. Defesa dos níveis auxiliar e intermediário, contra sua extinção ou substituição por terceirização e contratos precarizados.
  7. Reinstituição da ascensão funcional, permitindo verdadeira evolução na carreira.
  8. Máxima mobilidade na base, associada à formação e à qualificação do servidor.
  9. Política salarial sistêmica, com redução efetiva das desigualdades e construção de uma tabela única para o Executivo Federal.
  10. Definição de piso salarial digno, tendo como referência o salário-mínimo necessário do DIEESE.
  11. Limitação da distância entre o menor e o maior salário, combatendo castas burocráticas.
  12. Teto salarial absoluto, equivalente ao subsídio de Ministro do STF.
  13. Preservação da paridade entre ativos, aposentados e pensionistas, em todas as reestruturações.
  14. Rejeição do conceito de “carreiras típicas de Estado”, sem prejuízo do reconhecimento das especificidades concretas de determinadas funções.
  15. Regras de transição para toda reorganização de carreiras, assegurando o aproveitamento dos servidores ativos e a preservação dos direitos dos aposentados.
  16. Combate à terceirização, às OSs, OSCIPs e demais formas de privatização indireta das atividades permanentes do Estado.
  17. Restrição da contratação temporária às situações efetivamente excepcionais, conforme a Constituição.
  18. Democratização do acesso ao serviço público, por meio de cotas sociais, raciais, para mulheres, indígenas, LGBTQIA+, pessoas com deficiência e mecanismos regionais.
  19. Reconhecimento da experiência profissional como elemento de ingresso e desenvolvimento.
  20. Defesa do teletrabalho com responsabilidade integral da Administração pelos custos, condições de trabalho e saúde dos servidores.
  21. Uso socialmente responsável da transformação digital e da inteligência artificial, com proteção dos trabalhadores e distribuição dos ganhos de produtividade.
  22. Defesa do Estado laico, com liberdade religiosa e independência do Estado em relação a credos e concepções filosóficas.
  23. Combate às portas giratórias e aos privilégios corporativos, em defesa do interesse público.
  24. Fortalecimento da negociação coletiva e da autonomia sindical, com regulamentação da Convenção 151 da OIT.
  25. Conclusão

A PFGP 2030 apresenta elementos importantes para o debate sobre o futuro da Administração Pública Federal. Ao reconhecer a centralidade da gestão de pessoas, defender a profissionalização, valorizar a estabilidade, criticar o gerencialismo mais estreito, reconhecer a importância do Estado social e propor instrumentos de negociação e diversidade, o documento se distancia de uma concepção puramente neoliberal de reforma administrativa.

Mas isso não resolve as contradições presentes em seu projeto.

A linguagem da “racionalização”, da “transversalidade”, das “famílias ocupacionais”, dos “perfis estratégicos”, da “obsolescência funcional” e da busca por uma burocracia capaz de garantir a “continuidade das políticas públicas acima das alternâncias conjunturais” pode conduzir a resultados muito diferentes daqueles que o documento afirma buscar.

Sem regras de transição, a racionalização pode significar extinção de cargos.

Sem valorização dos níveis auxiliar e intermediário, a modernização pode significar elitização.

Sem uma política salarial unitária, a busca por cooperação pode manter o corporativismo.

Sem concursos públicos, o planejamento da força de trabalho pode resultar em precarização.

Sem proteção das especificidades institucionais, a transversalidade pode destruir capacidades estatais acumuladas.

Sem democratização do recrutamento, o mérito pode reproduzir desigualdades.

Sem controle democrático, a profissionalização pode transformar-se em tecnocracia.

Sem enfrentar a lógica econômica que produz as desigualdades, a capacidade estatal pode ser reduzida à capacidade de administrar a crise.

A questão fundamental não é construir uma burocracia que esteja acima da sociedade, mas um serviço público que esteja a serviço da maioria da sociedade.

Por isso, defendemos uma política de pessoal para a Administração Pública que tenha como eixo a universalização dos direitos, a valorização dos trabalhadores, a soberania nacional, a redução das desigualdades e o fortalecimento do Estado social.

Não há respostas prontas para todos os desafios colocados pela transformação do Estado.

Há, contudo, princípios que devem orientar as escolhas.

E esses princípios não podem ser definidos apenas pelos gestores, especialistas ou organismos internacionais. Devem ser construídos também — e necessariamente — pelos trabalhadores que fazem o Estado funcionar e pela população que depende dos serviços públicos.

É nesse sentido que se apresenta esta contribuição sobre a PFGP 2030: não para rejeitar a necessidade de transformar a Administração Pública, mas para disputar qual transformação será feita, em benefício de quem e sob quais condições de trabalho e de democracia.

Brasília, 12 de agosto de 2026.

Mônica Carneiro e Edison Cardoni - Diretores da Condsef/Fenadsef

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Comunicado - cancelamento da paralisação dos trabalhadores da SPPREV

É importante destacar que a assembleia virtual aprovada para o dia 03/09 para votação e formalização da GREVE dos trabalhadores está mantida.

 


Episódio #265 do MEGAFONE - DA GRANADA À EXTINÇÃO: A MARCHA GOVERNAMENTAL RUMO À EXTINÇÃO DO TÉCNICO DO SEGURO SOCIAL

No episódio #265 da segunda temporada do MEGAFONE, o canal de Podcast do SINSSP-BR faz uma denúncia: Em pleno período de eleições, governo desafia as Servidoras e os Servidores do INSS, e Categoria vislumbra ações de mobilização em resposta, contra a extinção do cargo de Técnico do Seguro Social e consequente destruição da Carreira do Seguro Social.

Fique sintonizado com a gente!

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SINSSP-BR convoca servidores do INSS para nova assembleia virtual no dia 18/08

O SINSSP-BR convoca todos os Servidores do INSS, técnicos e analistas, filiados ou não, para participarem da Assembleia Nacional Geral e Ampliada, que será realizada na terça-feira (18/08), às 19 horas.

Essa nova assembleia virtual pautará os seguintes pontos, conforme encaminhamento da assembleia realizada no dia 11/08:

  1. Conjuntura atualizada da Carreira.
  2. Criação do fundo sindical de ações de mobilização e consultoria parlamentar.
  3. Construção e definição das agendas de mobilizações – paralizações e ações-padrão - para acelerar nossas pautas, com foco especial no novo DECRETO DAS ATRIBUIÇÕES, atualmente em tramitação no MGI.
  4. Decretação de estado de Greve.

O decreto das atribuições, que tramita no MGI, é a solução para o enquadramento de todos os cargos, incluindo técnicos e analistas, na Carreira do Seguro Social, por isso é importante o engajamento de todos os servidores nessa luta.

Para participar da Assembleia é necessário fazer inscrição prévia. O prazo de inscrição encerra-se, impreterivelmente, às 14 horas do dia 18/08, após o prazo o formulário NÃO será reaberto.

O link da sala será enviado para o e-mail informado uma hora antes da assembleia virtual. A reunião ocorrerá na plataforma Google Meet.

FAÇA A SUA INSCRIÇÃO CLICANDO AQUI.

Se inscreva e participe, a sua presença é muito importante neste momento decisivo da categoria.

É junto que avançamos, é junto que garantimos conquistas!

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Edital de convocação: Assembleia Nacional Geral e Ampliada Servidores INSS 18/08

O SINSSP-BR convoca todos os Servidores do INSS, técnicos e analistas, filiados ou não, para participarem da Assembleia Nacional Geral e Ampliada, que será realizada na terça-feira (18/08), às 19 horas.

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Edital de Convocação:

Edital FOLHA SP - 13 08 20 26

Conselho Nacional de Direitos Humanos acolhe pauta do Auxílio-Nutrição para servidores

Em reunião com o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), na quinta-feira, 30 de julho, a Condsef/Fenadsef solicitou apoio na proposta que busca a criação do Auxílio-Nutrição para aposentados e pensionistas do Executivo Federal. Essa é uma reivindicação prioritária da Bancada Sindical já apresentada ao governo e pautada na Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP) junto ao Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI).

O objetivo é garantir apoio a uma política pública voltada à segurança alimentar e dignidade de quem dedicou anos ao serviço público e mais um passo na luta pela valorização dos servidores.

Durante o encontro, a Condsef/Fenadsef destacou que a retirada do auxílio-alimentação no momento da aposentadoria provoca uma perda significativa na renda dos servidores. Embora o benefício tenha natureza indenizatória, seu fim ocorre justamente num momento de vulnerabilidade da vida do servidor, quando aumentam os gastos com medicamentos, planos de saúde, tratamentos médicos e alimentação adequada.

A proposta do Auxílio-Nutrição não busca apenas substituir o auxílio-alimentação, mas criar uma política pública específica para atender aposentados e pensionistas, considerando as necessidades próprias do envelhecimento e o direito à segurança alimentar.

Direitos humanos e proteção à pessoa idosa

Na reunião com o Conselho, a Condsef/Fenadsef também apresentou fundamentos constitucionais e legais que reforçam a necessidade da medida. A Constituição Federal reconhece a alimentação como um direito social e determina que o Estado assegure dignidade e proteção às pessoas idosas. O Estatuto da Pessoa Idosa e a Convenção Interamericana sobre a Proteção dos Direitos Humanos das Pessoas Idosas também estabelecem o dever de promover políticas públicas que garantam qualidade de vida e proteção social durante o envelhecimento.

Para a Confederação, a atual regra, que extingue o auxílio-alimentação na aposentadoria, merece ser analisada sob a perspectiva dos direitos humanos, já que seus efeitos atingem justamente um grupo em maior situação de vulnerabilidade econômica e nutricional.

Entre as solicitações feitas ao CNDH estão:

  • a inclusão da matéria na pauta de reunião do colegiado;
  • a realização de oitiva de representantes da Condsef/Fenadsef para apresentação dos fundamentos jurídicos, sociais e técnicos relacionados à proposta de instituição de política pública de auxílio-nutrição para servidores públicos aposentados e pensionistas;
  • a abertura de diálogo institucional sobre os impactos da atual política de supressão do auxílio-alimentação na aposentadoria sob a perspectiva dos direitos humanos da pessoa idosa;
  • a avaliação da possibilidade de emissão de recomendação, nota pública ou outro pronunciamento institucional dirigido aos órgãos competentes da Administração Pública Federal, no sentido de promover estudos e medidas voltadas à garantia da segurança alimentar e nutricional das pessoas aposentadas e pensionistas;
  • a articulação de audiência pública ou reunião conjunta envolvendo entidades sindicais, organizações representativas das pessoas idosas, especialistas, órgãos governamentais e instituições de defesa dos direitos humanos, com vistas ao aprofundamento do debate e à construção de propostas normativas e de políticas públicas.

CNDH acolhe a pauta

Os representantes do CNDH acolheram a apresentação da Condsef/Fenadsef e assumiram o compromisso de incluir o tema na pauta oficial do Conselho. O objetivo é construir caminhos jurídicos e políticos para apoiar a reivindicação e fortalecer a defesa da segurança alimentar e da dignidade dos servidores aposentados e pensionistas.

Como encaminhamento, os conselheiros do CNDH, Ismael César e Wenderson Gasparotto, também diretores da Condsef/Fenadsef, solicitaram apresentação de um estudo detalhado sobre os impactos financeiros causados pela perda do auxílio-alimentação, além de dados sobre o número de aposentados e pensionistas afetados.

Essas informações servirão de base para que a Comissão de Segurança Alimentar e do Trabalho elabore, em conjunto com a Confederação, uma recomendação ao Pleno do CNDH. A expectativa é que, após sua aprovação, seja publicada uma resolução em defesa da criação do Auxílio-Nutrição.

Próximos passos

Caso a resolução seja aprovada pelo Conselho, o documento será encaminhado oficialmente ao MGI, ao Congresso Nacional e à Corte Interamericana de Direitos Humanos, reforçando a necessidade de construção de uma política pública voltada à proteção da renda, da alimentação e da qualidade de vida dos servidores públicos federais aposentados e pensionistas.

A Condsef/Fenadsef seguirá acompanhando a tramitação da pauta e apresentará os estudos técnicos solicitados, reafirmando seu compromisso com a defesa dos direitos dos aposentados e pensionistas do serviço público federal.

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DA GRANADA À EXTINÇÃO: A MARCHA GOVERNAMENTAL RUMO À EXTINÇÃO DO TÉCNICO DO SEGURO SOCIAL

O Sindicato dos Trabalhadores do Seguro Social e Previdência Social (SINSSP-BR) vem a público denunciar que o processo de esvaziamento institucional, a desvalorização e a marcha rumo à extinção da Carreira do Seguro Social (CSS) são fruto de ações perpetradas pelo governo federal e não apenas mera omissão!

A análise detida dos fatos recentes, consubstanciada em documentos oficiais e declarações de gestores públicos, demonstra de forma inequívoca que a Categoria tem sido alvo de uma ação deliberada, impiedosa e orquestrada pelo atual Governo Federal para destruir a Carreira e o sistema da Previdência Pública brasileira.

O cenário atual revela um ambiente de extrema truculência institucional, onde o descumprimento premeditado de acordos firmados com o Estado brasileiro coloca a sobrevivência da Carreira na beira do abismo, provando que a ameaça de destruição não aguarda a aprovação da Proposta de Reforma Administrativa no Congresso Nacional, pois já está em plena execução pelo próprio Poder Executivo.

Para compreender a gravidade desta crise, é necessário retroceder ao período de 2020 a 2022, marcado por uma hostilidade governamental institucionalizada contra o funcionalismo público.

O marco discursivo dessa ofensiva ocorreu em 22 de abril de 2020, quando o então Ministro da Economia tratou o Servidor Público como "inimigo", classificando a proposta de congelamento salarial como uma "granada" em seu bolso. O objetivo era deslegitimar o serviço público e pavimentar a PEC 32.

Ciente do risco iminente de colapso de suas funções essenciais, a Categoria deflagrou a histórica greve de 2022, culminando na assinatura do Termo de Acordo de Greve nº 01/2022. Este documento trazia duas vitórias estruturais capazes de reverter a extinção programada da Carreira: a exigência de Nível Superior para o ingresso no cargo de Técnico do Seguro Social, reconhecendo a extrema complexidade da análise de direitos em meio à digitalização e ao labirinto das normas previdenciárias; e o reconhecimento formal da Carreira como Estratégica e Finalística de Estado, blindando o INSS e a gestão bilionária do Fundo do Regime Geral contra injunções e pressões políticas.

Com a mudança de governo em janeiro de 2023, instaurou-se uma grande expectativa de valorização. Durante a abertura da Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP), em fevereiro daquele ano, altas autoridades do novo governo, incluindo a Ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Esther Dweck, e o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, prometeram romper com o passado bélico. Comprometeram-se publicamente a "tirar a granada do bolso dos servidores", repudiando o rótulo de "parasitas".

No entanto, a retórica palaciana transformou-se rapidamente em um estelionato institucional. Já em dezembro de 2023, o MGI afirmou expressamente que não possuía interesse em instalar uma Mesa Setorial para tratar das pautas do INSS, optando deliberadamente por herdar a dívida da gestão anterior e ignorá-la.

O silêncio cínico e os entraves ministeriais propositais empurraram os trabalhadores para a longa e desgastante greve deflagrada em julho de 2024. A partir de então, o que se viu foi a verdadeira face do governo federal: uma truculência que superou, em ações materiais e judiciais, a hostilidade puramente retórica da gestão anterior.

O governo acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para sufocar o movimento no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, sob a orientação irredutível da Secretaria de Relações de Trabalho (SRT) do MGI, impôs o corte de ponto e o desconto integral de salários. Em mais de cem dias de paralisação do desgaste perante a sociedade, o governo foi forçado a recuar e assinar o Termo de Acordo nº37/2024, seus aditivos e anexos.

Este pacto levou à instalação do Comitê Gestor da Carreira do Seguro Social (CGCSS). No âmbito deste Comitê, a Minuta do novo Decreto Presidencial de Atribuições da CSS foi pacificada e aprovada em seu mérito por unanimidade de seus integrantes (Ministério da Previdência Social (MPS), INSS e Entidades Signatárias do acordo de 2024), restando, inclusive, comprovada a inexistência de impacto financeiro ou obstáculo normativo.

Em maio de 2026, a minuta acordada chegou às mãos do MGI, recaindo sob a tutela da Diretoria de Carreiras e Desenvolvimento de Pessoas (DECAR), no âmbito da Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP). Contudo, em uma manobra burocrática dilatória, o governo engavetou o Decreto.

O ápice dessa política de traição e desmonte materializou-se recentemente, dissipando qualquer dúvida de que estejamos diante da inércia estatal. Durante reunião presencial com o MGI para tratar da demanda do Novo Decreto das Atribuições da CSS, a máscara governamental caiu em definitivo: foi possível depreender claramente dos representantes do ministério que o plano estratégico do Governo Federal é a manutenção do cargo de Técnico do Seguro Social no trilho da extinção sumária.

Assim, em contínuo movimento que beira o escárnio governamental, o governo projeta a intenção iminente de manter na Carreira do Seguro Social apenas o cargo de Analista do Seguro Social (com ou sem formação específica), ignorando o fato de que o Analista sem formação específica já se encontra em via de extinção com a recente criação da carreira de Analista Técnico do Poder Executivo Federal (ATPE).

Essa constatação oficial prova que o desamparo atual não é acidental, mas a execução de uma engenharia de destruição projetada, que entrega a atividade previdenciária à privatização por meio de terceirizações e "cooperações", descaracterizando por completo a natureza estatal do INSS.

O isolamento político imposto à Categoria pelo MGI atesta que esse projeto de desintegração é uma diretriz central, unificada e inegociável do Palácio do Planalto.

No período anterior à greve de 2024 e durante todo o seu transcurso, o SINSSP-BR peregrinou por todos os corredores dos poderes federais. Realizando reuniões exaustivas com diversos políticos, englobando deputados de todas as bases, senadores da República, ministros de Estado, secretários executivos de ministérios e até mesmo a assessoria direta do Presidente da República e da Primeira Dama.

Infelizmente, de forma uníssona e covarde, nenhum dos atores políticos se comprometeu com suficiente afinco na defesa da Carreira do Seguro Social, pois o que tornou-se possível de depreender é que tal compromisso entra em choque direto com as novas diretrizes do governo.

O Governo Federal se recusa terminantemente a ceder, a honrar a própria palavra empenhada perante a sociedade e a cumprir os acordos de greve firmados.

Diante desse cenário catastrófico, a responsabilidade pela ruína recai, estrita, material e exclusivamente sobre o atual Poder Executivo, com destaque para a atuação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), que cumpre o papel de executor das ordens do Palácio do Planalto.

O núcleo duro do governo, que discursou com indignação contra a ideologia que visava colocar a "granada no bolso" do servidor, demonstrou por meio de seus atos que, além de retirar o pino da granada, adicionou novas cargas explosivas por meio de uma reforma administrativa infralegal impiedosa.

A consumação da extinção paulatina da Carreira não representará apenas o fim de uma categoria profissional, mas o colapso de todo o complexo sistema de Previdência Pública, atingindo a parcela mais vulnerável da sociedade brasileira.

O governo atual, ao curvar-se às práticas neoliberais e decidir sabotar ativamente a manutenção do quadro técnico estatal dos Servidores do INSS, fez a sua escolha histórica. Cabe agora à Categoria, ciente de que enfrenta uma ação deliberada de destruição, realizar o julgamento político dessas ações e organizar a resposta aos ataques sofridos.

SINSSP-BR convoca servidores do INSS para assembleia virtual no dia 11/08

O SINSSP-BR convoca todos os Servidores do INSS, técnicos e analistas, filiados ou não, para participarem da Assembleia Nacional Geral e Ampliada, que será realizada na terça-feira (11/08), às 19 horas.

A assembleia virtual pautará os seguintes pontos:

  • Informes da reunião com SGP/MGI e com ASPAR/MGI;
  • Informes da reunião do Comitê Gestor e;
  • Debater coletivamente ações decisivas para acelerar nossas pautas, com foco especial no Novo Decreto das Atribuições, atualmente em tramitação no MGI.
  • Para participar da Assembleia é necessário fazer inscrição prévia. O prazo de inscrição encerra-se, impreterivelmente, às 14 horas do dia 11/08, após o prazo o formulário NÃO será reaberto.

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SINSSP-BR convoca servidores do INSS para assembleia virtual no dia 11/08

O SINSSP-BR convoca todos os Servidores do INSS, técnicos e analistas, filiados ou não, para participarem da Assembleia Nacional Geral e Ampliada, que será realizada na terça-feira (11/08), às 19 horas.

A assembleia virtual pautará os seguintes pontos:

  • Informes da reunião com SGP/MGI e com ASPAR/MGI;
  • Informes da reunião do Comitê Gestor e;
  • Debater coletivamente ações decisivas para acelerar nossas pautas, com foco especial no Novo Decreto das Atribuições, atualmente em tramitação no MGI.

Para participar da Assembleia é necessário fazer inscrição prévia. O prazo de inscrição encerra-se, impreterivelmente, às 14 horas do dia 11/08, após o prazo o formulário NÃO será reaberto.

O link da sala será enviado para o e-mail informado uma hora antes da assembleia virtual. A reunião ocorrerá na plataforma Google Meet.

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Trabalhadores da SPPREV aprovam plano de luta rumo à greve

O SINSSP-BR realizou, na última quinta-feira (06), uma Assembleia Geral Extraordinária Virtual com todos os trabalhadores da São Paulo Previdência, filiados e não filiados, para atualizar a conjuntura laboral e definir as estratégias de mobilização da categoria, que incluem paralisações pontuais e a construção de uma greve.

Durante os informes, os trabalhadores voltaram a debater os riscos da terceirização em curso na Autarquia, por meio de uma licitação para serviços administrativos que, segundo a categoria, reproduzem atividades já desempenhadas por técnicos e analistas.

Diante desse cenário, o Sindicato protocolou, dentro do prazo legal, pedido de impugnação do edital e enviou ofício solicitando a lista de atribuições e metas dos cargos envolvidos. O documento também questionou a ausência de resposta da Secretaria de Gestão e Governo Digital (SGGD) sobre o projeto de reestruturação e sobre a possível extinção do cargo de Técnico em Gestão Previdenciária.

Mesmo após diversas tentativas de diálogo do SINSSP‑BR e da representação dos trabalhadores, não houve retorno por parte da SPPREV ou da SGGD. Por isso, a assembleia discutiu amplamente a necessidade de intensificar a mobilização, incluindo a construção de uma greve com trabalho prévio de base.

Cronograma de Mobilização da Categoria

A categoria aprovou, por unanimidade, uma estratégia que envolve:

  • Trabalho de Base –10 a 14 de agosto

Mobilização dos trabalhadores, da sede e das regionais, com distribuição de panfletos informativos sobre os direitos e os motivos da mobilização.

  • Preparação Política – 17 a 21 de agosto

Atuação direta na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) para dialogar com lideranças do governo e partidos políticos. Solicitação de audiência na Casa Civil (do Governo) para denunciar o sigilo imposto pela presidência da SPPREV ao projeto de reestruturação, considerado pela categoria como violação às normas de governança e aos princípios democráticos. Solicitação de reunião com a Secretaria de Gestão e Governo Digital e a presidência da SPPREV para tratar das reivindicações da categoria.

  • Ação concreta da categoria

Paralisação parcial dos trabalhadores nos dias 18/08 e 19/08, das 09h às 12h. No dia 03/09, nova assembleia virtual para votação e formalização da GREVE, prevista para iniciar em 08 de setembro.

O departamento jurídico do SINSSP‑BR avaliou a proposta apresentada pela representação dos trabalhadores e destacou que a estratégia é bem estruturada e que a construção gradual do movimento é essencial para que possamos ter resultados positivos.

A categoria também aprovou sua pauta de reivindicações, composta por: recomposição salarial; participação dos servidores no projeto de reestruturação em tramitação; fim do sigilo sobre documentos que impactam o futuro dos trabalhadores; manutenção do cargo de Técnico em Gestão Previdenciária, e melhoria das condições de trabalho na sede e nas regionais.

Filie-se ao SINSSP-BR clicando aqui. Seu apoio é fundamental para continuarmos a lutar por esta e por tantas outras demandas importantes. Sua participação é a força do sindicato!

 


Episódio #264 do MEGAFONE - INSS atualiza regras para compensação de horas de greve, após articulação do SINSSP-BR

No episódio #264 da segunda temporada do MEGAFONE, o canal de Podcast do SINSSP-BR traz uma notícia importante para os servidores: o INSS prorrogou o prazo de compensação da greve de 2024, após articulação do Sindicato. A nova Portaria estabelece as regras e procedimentos para a compensação das horas não trabalhadas durante o movimento grevista. Fique sintonizado com a gente!

Ouça abaixo no Spotify:

O programa também está disponível na Anchor clique aqui.  

No Pocket Casts: clique aqui para ouvir.

No Podcasts do Google: clique aqui para ouvir episódio do MEGAFONE

Pelo RadioPublic: clique aqui para ouvir.

Continue sintonizado no MEGAFONE, o canal de Podcast do SINSSP!

ATENÇÃO: você pode ouvir o episódio #264 do MEGAFONE pelos links acima, direto nas plataformas de streaming. Se a plataforma escolhida solicitar login, efetue o seu cadastro escolhendo logar pelo Facebook, Google ou e-mail e pronto, sua conta está criada, é fácil! Depois, só localizar o MEGAFONE, seguir o canal e ouvir os episódios.

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