Reportagem: INSS perdeu 56% dos servidores e lida com onda de burnout enquanto fila de pedidos explode
Miucha Cicaroni, 47, vinha empurrando com a barriga os sintomas. O ritmo de trabalho intenso e a pressão por metas continuavam causando ansiedade. Ela já havia sofrido um burnout, um esgotamento extremo devido à realidade do trabalho, anos antes, em 2021. Era setembro de 2025 e ela, que atuava justamente na concessão de benefícios como o auxílio-doença a quem precisa se afastar do trabalho, percebeu que era a hora de parar. Buscou um médico, que confirmou o diagnóstico: um novo burnout.
A servidora de carreira do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de Campinas (SP) é parte de um problema complexo que passa despercebido entre as recorrentes críticas à lentidão do órgão para atender aposentados e segurados. “Numa tentativa de se adaptar, a gente vai adoecendo”, afirmou Cicaroni, que denunciou o INSS ao Ministério Público do Trabalho (MPT).
Entre 2006 e 2025, o INSS perdeu mais de metade de seus postos de trabalho, 53% para ser exato. Do outro lado, a demanda disparou em 80%. Metade da força de trabalho para quase o dobro de solicitações – e a fila não para de crescer, chegando ao marco histórico de 3 milhões de processos aguardando análise.
POR QUE ISSO IMPORTA?
Entender o desafio pelo qual o INSS passa vai além das investigações da CPMI do INSS e envolve identificar os gargalos que impedem que população seja atendida e que funcionários sofram com condições de trabalho que só provoque aumento de fila de espera.
Segundo dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), apenas entre 2024 e 2025, ao menos 1.871 servidores foram afastados do INSS por transtornos mentais ou comportamentais. O número equivale a cerca de 10% da atual força de trabalho da autarquia. Por questões de sigilo, o órgão não pode identificar quantos servidores foram afastados por síndrome de burnout ou transtornos ligados à atuação profissional.

Do outro lado do “balcão”, há histórias como a de João Bernardo Amorim, que ainda não completou dois anos, mas já enfrentou um acidente vascular cerebral (AVC) perinatal. O garoto de Mossoró (RN) também foi diagnosticado com síndrome de West, condição rara que combina espasmos típicos da epilepsia com atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, ou seja, atrapalha seus movimentos, cognição e até fala. Bernardo requer cuidado em tempo integral. A mãe, Claudenice Amorim, acabou perdendo o emprego de consultora financeira.
Por causa disso, buscou o INSS em abril de 2025, em busca do Benefício de Prestação Continuada (BPC), auxílio a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda. Dez meses depois, a mãe ainda aguarda para receber o dinheiro. As dificuldades financeiras impediram a família de manter Bernardo em tratamentos necessários e até nas sessões de fisioterapia, o que, sabem, pode comprometer o futuro da criança.
“Essa demora resultou na regressão dos marcos de desenvolvimento do meu filho. Ele não está mais conseguindo ficar de pé, conseguindo sentar, ainda não fala. Eu não voltei a trabalhar porque estou sendo exclusivamente dele. Com essa regressão, ele precisa de mim para tudo”, relata Amorim, também mãe de uma menina de quatro anos.
A Agência Pública investigou dados dos últimos 20 anos para identificar os principais gargalos que fazem a fila do INSS aumentar e o órgão lidar com a perda de servidores. Se de um lado há estados que aguardam uma média superior a 100 dias para ter o caso sequer analisado, do outro, trabalhadores do órgão reclamam de número insuficiente de vagas, problemas tecnológicos e condições de trabalho que levam até ao adoecimento. O resultado vem sendo a certeza de que apenas o esforço não tem sido capaz de fazer frente ao tamanho do problema para manter o funcionamento da estrutura de um dos maiores sistemas de proteção social do planeta.
Solução para falta de servidores virou problema em dobro
Menos da metade dos 19 mil funcionários do INSS trabalham na análise de benefícios diretamente. O último concurso aprovado para a autarquia ofertou apenas 300 vagas, frente os mais de 20 mil postos de trabalho vagos, segundo o próprio órgão, que seguem sem preenchimento. De acordo com fontes ouvidas em reserva pela reportagem esta seria uma espécie de “reforma administrativa silenciosa”, que esvazia órgãos públicos a partir da não reposição de servidores.
Além da redução da força de trabalho, servidores relatam dificuldade quanto ao processo de digitalização dos serviços da autarquia, medida adotada justamente para fazer frente à perda de funcionários. A implementação do INSS Digital, iniciada em 2017 e aprofundada em 2019, se consolidou na pandemia, quando o atendimento presencial foi suspenso. Hoje, é possível iniciar processos e movimentá-los por meio da plataforma Meu INSS. Por um lado, isso democratizou o acesso a direitos previdenciários e assistenciais. Por outro, abriu a porteira do órgão enquanto o contingente de trabalhadores despencava.
No INSS, fotocópias e pedidos em papel cederam espaço à análise automática de documentos digitais utilizando inteligência artificial (IA). Em 2025, por exemplo, o número de benefícios concedidos bateu recorde e foi superior a 7,6 milhões, 47% a mais que a média anual praticada seis anos antes. Mas o crescimento não tem sido capaz de fazer frente ao aumento da demanda. Enquanto o número de análises concluídas (benefícios concedidos ou negados) teve um aumento de cerca de 3%, o número de requerimentos, saltou mais de 26%, passando dos 798 mil para mais de um milhão, segundo os boletins de Transparência Previdenciária de junho de 2023 e dezembro de 2025. A consequência é o aumento da fila.
Para o ex-ministro do governo Lula e atual deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), o problema da fila do INSS seria a manutenção dos funcionários em home office desde a pandemia, o que seria “uma vergonha”, como classificou em pronunciamento. Segundo a Diretoria de Gestão de Pessoas do INSS, no entanto, 54% dos trabalhadores atuam presencialmente, 40% remotamente, e outros 6% em modelo híbrido.
O servidor Cristiano Machado, membro da Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps), pontua ainda que quem trabalha remoto cumpre metas 30% superiores e prefere arcar com os custos do trabalho diante das condições das agências. “O mobiliário é ruim, não tem ergonomia, a internet não funciona direito. Temos computadores rodando ainda com Windows 7 [lançado em 2009], temos agências com problemas de infiltração quando chove”, exemplifica, destacando que é necessário investimento na Previdência. “As pessoas não vão conseguir viver trabalhando nesse ritmo por muito tempo”, completa.
Mas o buraco da fila do INSS pode ser ainda mais fundo e vai além do formato de trabalho. Se a fila para a análise de concessão bateu recorde de 3 milhões, a manutenção dos benefícios é ainda mais desafiadora. Quando se inclui revisão de pedidos concedidos, investigação de irregularidades e fraudes, recursos contra decisões do instituto e outras análises, a fila passa dos 10 milhões de pedidos, segundo reportagem do Jornal Nacional.
Para tentar fazer frente ao problema, as gestões do órgão adotaram diversas estratégias, incluindo mutirões, pagamentos de bônus por trabalho extra e o Programa de Gestão e Desempenho (PGD), que estabeleceu uma pontuação para cada tipo de tarefa. Assim, os servidores passaram a trabalhar com metas diárias: 4,27 pontos [5,55 para os que trabalham remotamente]. Uma aposentadoria por idade, origem urbana, por exemplo, rende um ponto ao ser concluída. Por tempo de contribuição, 1,45 ponto. Entre outros exemplos. Não cumprir o estabelecido diariamente pode implicar em perda de gratificações, com redução salarial, e até processo administrativo, com possibilidade de demissão.
O problema é que não há distinção entre uma análise simples, em que o beneficiário tenha atuado a vida toda na mesma empresa, ou mais complexa, casos de múltiplos vínculos. Assim, servidores acabam esticando a jornada, por até 15 horas por dia, na tentativa de cumprir as metas, e alguns sentem estar sendo responsabilizados pela “culpa” do aumento da fila, o que fontes ouvidas pela Pública classificaram repetidas vezes como “assédio institucional”.
Marcos [nome fictício] trabalha no INSS na região Sul e reclama das metas. “As situações eram mais contornáveis, tinha uma relação mais humanizada entre servidores e chefia. A partir do momento em que foi colocado esse programa, a cobrança veio de uma forma muito mais incisiva, ameaçadora”, lembra o servidor, também afastado há um ano por burnout e que preferiu não se identificar por temer represálias. “No intuito de cumprir metas, acontece de o servidor não fazer uma análise adequada. Isso acaba gerando retrabalho, prejudica a população. Nós estamos lidando com vidas”, resume.
Entre os servidores, outra queixa recorrente são as quedas e lentidão recorrente nos sistemas utilizados na análise dos benefícios, geridos pela Dataprev. Segundo o servidor Leonardo Fonseca, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Seguro Social e Previdência (Sinssp), o problema é grave especialmente porque a autarquia não abate as metas de maneira correspondente ao tempo em que os servidores ficam impossibilitados de trabalhar. “Às vezes a gente fica um tempão sem sistema. […] Muitas vezes eu tive que trabalhar de madrugada ou final de semana para conseguir atingir a meta”, relata.
Em relação ao PGD, após críticas de trabalhadores e organizações sindicais, o programa passou por mudanças e deixou de ser obrigatório para os servidores em escala presencial. A Pública buscou a Dataprev para entender os motivos das limitações tecnológicas apresentadas e o INSS para responder sobre os problemas estruturais e da fila de atendimentos.
Em nota, a Dataprev afirmou que “entre 2024 e 2025, registrou disponibilidade superior a 96% nas medições realizadas. Em 2026, até fevereiro, o índice atingiu 98,63%, em linha com as metas estabelecidas contratualmente”. A estatal destacou ainda que “para um diagnóstico completo de eventuais instabilidades, é necessário considerar também fatores externos, como infraestruturas locais e condições de conectividade das redes de acesso, sobre as quais a empresa não possui controle nem visibilidade”. O órgão não apresentou a metodologia de cálculo.
Segundo fontes ouvidas pela Pública, o índice de 98% em 2026, apresentado pela Dataprev foi classificado como “peça de ficção”. A insatisfação não é exclusividade do nível de operações do órgão. A instabilidade rotineira nos sistemas foi admitida pela própria chefia do INSS. Em ofício interno obtido pelo Metrópoles, o presidente do órgão, Gilberto Waller Júnior, questionou a realização de uma festa da Dataprev no início de março, que celebrava o sucesso da implementação de uma nova plataforma. “Não há nada pra comemorar, muito pelo contrário, o Instituto nunca teve seu trabalho tão prejudicado por falhas sistêmicas”, criticou o presidente no documento.
Em nota à Pública, o INSS admitiu a “redução significativa” de seu quadro de servidores e os episódios de instabilidade dos sistemas. Afirmou que foi criado um grupo de trabalho sobre o abatimento de metas e que elas foram estabelecidas “com base em critérios técnicos”. A assessoria do órgão disse que não comenta questões de saúde dos servidores e destacou ações realizadas para reduzir as filas, como mutirões e grupos de trabalho especializados. O INSS também disse não identificar prejuízos do teletrabalho e afirmou estar adotando medidas para melhorar as condições de trabalho nas unidades.
A pressa inevitável de quem espera (e precisa)
Quem necessita acionar o INSS por um benefício ou aposentadoria tem desafios diferentes a depender de onde viva. Até dezembro de 2025, o tempo médio de concessão (TMC) era de 50 dias. No entanto, há uma disparidade regional notável, com esse prazo chegando a 28 dias no Distrito Federal e a 102 dias para quem vive no Acre.
O estudante Vitor Hugo Sousa, 25, de Fortaleza, enfrentou um Linfoma de Hodgkin, um câncer do sangue que tem origem no sistema linfático, entre 2024 e 2025. Ele buscou o INSS por um auxílio-doença, mas teve que esperar mais de 120 dias para obter o benefício. Não é caso isolado. Jacirane Oliveira Soares, 29, de Grajaú (MA), foi atropelada e ficou com uma sequela na perna. Impedida de trabalhar como agricultora, desde maio de 2025, a indígena Guajajara busca uma aposentadoria por invalidez rural, ainda não concedida. A superintendência do Nordeste é a segunda com maior prazo de atendimento entre as regionais do órgão.
Na década de 2010, o TMC do INSS oscilava entre menos de 20 e poucos mais de 30 dias, mas praticamente dobrou desde então. Um acordo assinado entre o INSS, o Supremo Tribunal Federal (STF) e outros órgãos federais em 2021, estabeleceu 45 dias como limite para a maior parte dos tipos de benefício. Na prática, o tempo de espera pode ser muito maior. A média, de 50 dias, já supera o estabelecido, ainda assim, é um período mais curto do que os mais de 100 dias registrados durante vários meses do governo Bolsonaro, quando houve aumento da demanda e represamento de perícias médicas devido a pandemia de covid-19.

A fila do INSS é um problema também pelo peso que a Previdência Social tem na economia do país, especialmente nas pequenas cidades. Entre aposentadorias, benefícios previdenciários, assistenciais e de legislação especial, o órgão injetou quase R$ 1 trilhão nos lares brasileiros em 2025. A título de comparação, isso é seis vezes mais que o orçamento do Bolsa Família para 2026, de R$ 158 bilhões. Além disso, sete em cada 10 municípios recebem mais recursos em suas economias com origem no INSS do que no Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Com tamanho peso, é natural que a incapacidade do INSS de atender o tamanho da demanda se reflita na crescente judicialização contra o órgão. Segundo o Anuário da Justiça Federal de 2025, a autarquia aparecia como réu [polo passivo] em 4,3 milhões de processos, sendo a maior litigante do país. Ainda segundo o levantamento, o número de novos processos aumentou em 88% em quatro anos.
No caso de pessoas de baixa renda e sem condições de acessar um advogado, cabe à Defensoria Pública da União (DPU) litigar contra o INSS. Em 2025, foram quase 30 mil casos do tipo. “O cidadão vulnerável, que precisa dos recursos do INSS para a sobrevivência, para despesas básicas como alimentação, moradia e remédios, tem passado por dificuldades extremas por conta da falta de estrutura do órgão”, aponta o defensor público federal Felipe Kugler, subcoordenador da Câmara de Coordenação e Revisão Previdenciária da DPU.
Para o diretor do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Alexandre Triches, a solução para os problemas da fila do INSS e das condições de trabalho dos servidores passa por mais investimentos. “É preciso ter abertura de concurso, não apenas para atendimento e análise de processos, mas também de técnicos em TI, que possam auxiliar na modernização do órgão. A Previdência precisa investir em inovação, precisa ter ferramentas que permitam que as classes mais vulneráveis possam acessar de maneira mais facilitada”, aponta.
Com uma história que remonta a mais de um século atrás, a Previdência Social brasileira está em um momento conturbado, navegando entre escândalos investigados em CPI, servidores com burnout e milhões de brasileiros aguardando na fila por benefícios – sem falar na inversão da pirâmide etária que desafia a própria lógica do sistema, com um número cada vez maior de aposentados e cada vez menor de jovens.
No início de 2026, o INSS solicitou ao Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos a abertura de concurso para contratar 8,5 mil novos trabalhadores, entre técnicos e analistas. O incremento poderia colocar o atendimento da autarquia em um novo patamar, resta saber se para isso haverá, além de espaço fiscal, vontade política.
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Fonte:
Por: Rafael Oliveira
Editado por: Ed Wanderley
Conteúdo originalmente publicado em: Agência Pública (https://apublica.org/)
Episódio #237 do MEGAFONE - Por que os servidores do INSS estão enfrentando um quadro tão sério de adoecimento no trabalho?
No episódio 237 da segunda temporada do MEGAFONE, o canal de Podcast do SINSSP-BR fala sobre a saúde mental e física dos servidores do INSS, fazendo uma reflexão do porquê estamos enfrentando um quadro tão sério de adoecimento no trabalho dentro da Instituição.
E diante deste cenário tão preocupante, o programa de hoje bate um papo com o diretor do SINSSP-BR, Leonardo Fonseca, sobre o tema.
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Episódio #229 do MEGAFONE - Encontro Nacional SIASS 2025
No episódio #229 da segunda temporada do MEGAFONE, o canal de Podcast do SINSSP-BR traz informações sobre o Encontro Nacional SIASS 2025 que promoveu diversos debates com temas que envolvem a Promoção da Saúde Mental, Qualidade de Vida no Trabalho, Burnout, enfrentamento ao Assédio, Direitos da Pessoa com Deficiência, Comissão Interna de Saúde do Servidor, dentre outros assuntos.
Para falar do assunto, o MEGAFONE ouviu o diretor do SINSSP-BR, Leonardo Fonseca.
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Episódio #223 do MEGAFONE - SETEMBRO AMARELO: “SE PRECISAR, PEÇA AJUDA!”
No episódio #223 da segunda temporada do MEGAFONE, o canal de Podcast do SINSSP-BR fala sobre a campanha Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e à prevenção do suicídio e à conscientização sobre a saúde mental.
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Estudo do INSS revela cenário preocupante da saúde mental dos servidores
O SINSSP-BR reconhecendo a relevância do estudo “Perfil Epidemiológico - Servidores do INSS", realizado pela Autarquia, enviou ofício solicitando maiores informações com o objetivo de compreender as condições de saúde, aprofundar a análise e buscar soluções conjuntas para a situação desses trabalhadores.
Os dados são alarmantes e causou muita preocupação ao Sindicato, principalmente ao tema que se refere à saúde mental e ao bem-estar geral dos servidores. Segundo o relatório, a autoavaliação do estado de saúde revela que 35,69% dos servidores entrevistados classificam a sua saúde como "regular", enquanto 12,18% classificam como "ruim" ou "muito ruim".
O estudo também traz preocupações adicionais com relação ao aumento do consumo de substâncias lícitas, ilícitas e medicamentos sob influência direta do trabalho. Os gráficos demostram um consumo significativo de "remédio controlado psicotrópico/tarja preta", "derivados do tabaco" e "bebida alcoólica".
Os números acendem um alerta sobre as condições de trabalho e suas repercussões na saúde dos trabalhadores, além de sugerirem uma correlação entre o desgaste no trabalho e o agravamento da saúde física e mental dos servidores.
Diante deste cenário tão urgente, o SINSSP-BR encaminhou ao INSS um pedido formal para analisar e propor medidas conjuntas das seguintes informações:
- O período exato da data de início e término em que a pesquisa para a elaboração do Perfil Epidemiológico foi realizada;
- Detalhamento das ações que estão sendo planejadas ou que já se encontram em andamento por parte desta gestão para mitigar os problemas de saúde apontados no levantamento, com ênfase nas questões de saúde mental e no uso de substâncias e;
- Esclarecimentos sobre as medidas específicas que serão adotadas para lidar com o consumo de substâncias lícitas e ilícitas entre os servidores e que apontado pelo documento em anexo, parece ser influenciado pelo trabalho.
O SINSSP-BR pretende pautar uma discussão aprofundada sobre os resultados deste estudo na próxima reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente. O Sindicato espera que o INSS esteja preparado para contribuir de forma propositiva no debate para promover melhores condições de trabalho e de saúde para os servidores do INSS.
Clique aqui e leia a íntegra do ofício.
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Nota de repúdio: depressão não é preguiça!
O SINSSP-BR vem em nota repudiar a fala do Diretor de Governança, Planejamento e Inovação, também coordenador da Mesa Setorial do INSS, o Sr. Ismênio Bezerra, ao dizer que "só entra em depressão quem não quer trabalhar".
A frase foi proferida na reunião entre a DGP e as entidades sindicais, dentre elas o SINSSP-BR, na manhã desta quinta-feira (23), quando um dos representantes das entidades questionou o assombroso número de colegas com depressão em virtude da pressão de metas inatingíveis, em especial o novo PGD.
É lamentável que o INSS tenha, no seu quadro, pessoas ocupando cargos estratégicos como o Sr. Ismênio, com tamanho despreparo para o desempenho da função, no qual sem o menor pudor trata um problema tão sério de saúde como a depressão como se fosse uma mera preguiça.
O SINSSP-BR exigirá retratação imediata pelo ocorrido à Direção do INSS referente ao gestor indicado pelo Ministro da Previdência, Carlos Lupi, para ocupar um cargo de Diretor bem como do Presidente do INSS, Alesandro Stefanutto, que o indicou para ser coordenador da Mesa Setorial.
O Presidente do Instituto deve satisfação sobre essa lastimável frase sob pena de ser conivente com esse tipo de postura que além de ofender a categoria, tripudia sobre um problema gravíssimo de saúde: a depressão.
O INSS faz questão de pregar a questão da humanização do atendimento, porém em relação aos servidores da Casa age de forma totalmente contraria. A pergunta que não quer calar: este é o conceito de humanização da atual gestão?
Respeite os servidores do INSS, trabalhamos para a sociedade e não para indicados de ocasião.
Episódio #189 do MEGAFONE - ESPECIAL DE FÉRIAS
No episódio #189 da segunda temporada do MEGAFONE, ESPECIAL DE FÉRIAS, o canal de Podcast do SINSSP-BR fala sobre as “gerações Z e Millenials”, de como anda a sua saúde mental. E para falar do assunto, João Paulo Machado de Sousa, professor do departamento de neurociências e ciências do comportamento da Faculdade de Medicina da USP em Ribeirão Preto.
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Exposição sobre Nise da Silveira mostra ‘revolução pelo afeto’ no tratamento psiquiátrico
Começou no dia 09/12 e vai até 26 de março a mostra Nise da Silveira: a revolução pelo afeto, no Sesc Belenzinho, zona leste de São Paulo. A exposição que já passou pelo Rio de Janeiro, por Belo Horizonte e Muriaé (MG), “celebra e discute o legado da psiquiatra alagoana responsável por uma profunda transformação no campo da saúde mental”. A entrada é gratuita (veja mais informações abaixo).
“A Nise criou um método clínico centrado no afeto. Ela é herdeira de Juliano Moreira, de Baruch Espinoza, de Sigmund Freud, de Carl Gustav Jung. E Jung foi aluno de Freud e professor da Nise, na Suíça. Homens revolucionários, que abandonaram a ideia do corpo máquina e trabalharam com a abordagem centrada na subjetividade, na emoção, na identidade, na simbologia, nas narrativas que restauram as memórias. A nossa dificuldade hoje é não deixar o afeto se apagar em um momento em que tudo virou máquina”, afirma o consultor e psiquiatra Vitor Pordeus. Ele trabalhou de 2009 a 2016 Instituto Municipal Nise da Silveira e é um dos fundadores do chamado Hotel da Loucura, projeto baseado nas experiências da pioneira, que morreu em 1999, aos 94 anos.
Tratamento humanizado
Assim, a exposição, segundo os organizadores, é fundada em três eixos: Contexto, dor e afeto, Ser mulher, ser revolucionária e Engenho de Dentro: inconsciente e território. Traz a discussão sobre loucura e “normalidade” e mostra a resistência, simbolizada por Nise, contra métodos violentos e tratamento degradante em hospitais psiquiátricos. Ela desenvolveu tratamentos por meio da expressão artísticas dos pacientes. Nome de um bairro na zona norte do Rio de Janeiro, Engenho de Dentro era um hospital psiquiátrico que hoje leva o nome de Nise da Silveira.
“Atenta às discussões e pesquisas não só da psiquiatria, mas dos estudos científicos ligados à subjetividade, Nise da Silveira contribuiu para reposicionar o debate sobre internação e tratamento da esquizofrenia”, afirmam os responsáveis pela mostra “Para isso, incluiu as práticas com materiais expressivos na rotina dos internos que estavam sob sua responsabilidade, observando tanto o modo como manejavam ferramentas artísticas e realizavam suas obras quanto as imagens que surgiam desse trabalho criativo.” A exposição traz obras que compõem o acervo do Museu de Imagens do Inconsciente, criado por ela em 1952.
Além disso, Nise da Silveira foi incluída neste ano no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. O atual presidente da República chegou a vetar a lei, mas o veto foi derrubado pelo Congresso.
Serviço
Nise da Silveira: a revolução pelo afeto
Local: Sesc Belenzinho (rua Padre Adelino, 1.000)
De 9 de dezembro de 2022 a 26 de março de 2023
Funcionamento: Terça a sábado, das 10h às 21h. Domingos e Feriados, das 10h às 18h
Acessibilidade: Rampas, elevadores, pisos tátil, banheiros adaptados e outros equipamentos acessíveis.
Estacionamento: de terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h às 18h (Credenciados plenos do Sesc: R$ 5,50 a primeira hora e R$ 2 por hora adicional. Não credenciados: R$ 12 e R$ 3)
Fonte: RBA
Trabalho remoto: solução ou problema para a saúde mental?
A pandemia da Covid-19 acelerou o debate dos especialistas sobre a implementação do trabalho remoto como solução para os problemas que afetam a saúde mental e um encontro com o tão sonhado estilo de vida que mescla o desempenho satisfatório das atividades profissionais com o lazer, convívio social e a realização de hobbies.
Pesquisas tem revelado que essa nova relação de trabalho apresenta divergências com resultados positivos e negativos para o trabalhador que afetam diretamente a sua saúde física e mental e o seu bem-estar social e familiar.
Segundo matéria publicada na BBC Brasil, pesquisadores do relatório New Future of Work ("O novo futuro do trabalho", em tradução livre), publicado pela Microsoft em 2022, indicaram que o trabalho remoto pode “aumentar a satisfação profissional”, como também “fazer com que os funcionários se sintam "socialmente isolados, culpados e tentem fazer compensações".
O fato é que foi dado uma grande publicidade positiva sobre o home office e, agora que está sendo experimentado na prática, os resultados não estão sendo como o esperado, dividindo opiniões de especialistas, pesquisadores, trabalhadores e empregadores.
Os efeitos negativos dessa nova relação de trabalho para algumas pessoas são menores e para outras bem maiores. Pesquisas mostram que o home office aumentou a carga horária dos trabalhadores e cerca de 80% dos funcionários britânicos tiveram prejuízo na saúde mental após trabalhar remotamente.
Para os profissionais que avaliam o trabalho remoto de forma positiva a inserção dos exercícios físicos na rotina diária, o tempo para cuidar dos filhos e participar da vida escolar deles, o fim da “síndrome de domingo à noite”, a ausência do trânsito caótico das grandes cidades, são alguns pontos que favorecem o novo modelo de trabalho.
Já a falta do convívio social nos corredores ou nos refeitórios dos escritórios ou ações que parecem sem importância como falar do final de semana, cumprimentar o colega, horário indefinido para terminar o expediente, aumento significativo das metas e de reuniões virtuais e principalmente das tarefas, são alguns pontos que causam forte impacto no bem-estar do profissional que considera a experiência negativa.
De acordo com a reportagem da BBC Brasil, “uma sondagem demonstrou que 81% das pessoas com menos de 35 anos de idade se sentiram solitárias trabalhando em casa por longos períodos e estudos mostraram maiores níveis de estresse e ansiedade entre profissionais jovens desde a mudança para o trabalho remoto”.
Os jovens quando entram para a vida profissional tendem a sentir necessidade de aflorar as experiências nos ambientes dos escritórios por conta do convívio social o que diferencia a situação de uma mãe, por exemplo, que prefere estar trabalhando de casa para acompanhar o desenvolvimento do filho mais de perto. A diferença entre as necessidades de cada indivíduo pode explicar os dados sondados pelos pesquisadores.
Como buscar o equilíbrio entre trabalho remoto e saúde mental?
Até aqui pudemos perceber que a transição do trabalho presencial para o remoto não está sendo fácil para os profissionais e essa adaptação está dificultando a projeção de um modelo de trabalho que funcione bem para empresa e empregado e se esta nova relação de trabalho trará benefícios e, em caso positivo, se esses benefícios são capazes de superar as desvantagens construídas neste processo.
A busca desse equilíbrio será diferente para cada profissional, cada empresa, o que pode funcionar para um cenário, pode não funcionar em outro. A situação é muito complexa, o que dificulta as reais condições de um home office saudável que some a qualidade de vida e saúde mental de forma positiva.
Para os funcionários do INSS há muita similaridade com o que foi apurado pela pesquisa inglesa, onde alguns preferem o serviço remoto para fugir do trânsito caótico dos grandes centros urbanos, outros preferem o trabalho presencial, para ficarem mais próximos dos colegas de trabalho, das chefias e do atendimento ao público.
Não há um consenso, mas o que se sabe é que se faz necessário um acompanhamento mais próximo desses trabalhadores em home office, para que se mantenha um equilíbrio físico e mental adequado e rever questões como metas abusivas e um controle mais efetivo dos períodos de descanso e intervalos para evitar um adoecimento generalizado desses trabalhadores.
O MEGAFONE, o canal de Podcast do SINSSP, conversou sobre esse tema com a psicóloga Cristiane Zulini, especialista em cuidados e prevenção da saúde mental, trazendo abordagens na pandemia, no universo pós pandêmico, nas novas relações de trabalho com o home office e o que fazer para manter o equilíbrio profissional no trabalho remoto.
Clique aqui para ouvir e depois deixe nos comentários a sua experiência com o home office ou a sua opinião sobre o assunto.
Com informações da BBC News Brasil.









