O 28 de Abril que o INSS precisa encarar, lembrar e agir
Hoje, 28 de abril, celebramos o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho e o Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, uma data que exige reflexão profunda, conscientização e debate sério.
A data foi instituída internacionalmente em 2003 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em memória às vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, remetendo à trágica explosão em uma mina, em 1969 no estado da Virgínia/Estados Unidos, que tirou a vida de 78 trabalhadores. No Brasil, o dia 28/04 foi reconhecido pela Lei nº 11.121/2005.
Mas, mais do que homenagens, precisamos de ações concretas que melhorem as condições de trabalho e garantam dignidade, segurança e saúde aos trabalhadores brasileiros. O cenário atual é alarmante: em apenas uma década, o país bateu duas vezes o recorde histórico de afastamentos por transtornos mentais. Isso mesmo, doenças emocionais ultrapassaram diagnósticos físicos como LER/DORT.
Dados do Ministério da Previdência Social mostraram que, em 2025, mais de 500 mil benefícios foram concedidos por transtornos mentais, 15% a mais do que o registrado em 2024. Dois diagnósticos concentram a maior parte desses afastamentos: ansiedade e depressão, representando 60% dos casos. A Síndrome de Burnout também vem crescendo drasticamente, passando de 1.760 casos em 2023 para 6.985 em 2025.
Esse quadro também se reflete no INSS, onde as condições de trabalho têm agravado a saúde física e mental dos servidores. Jornadas exaustivas, metas abusivas, assédio institucional e pressão constante compõem um ambiente que adoece a categoria.
O estudo Perfil Epidemiológico dos Servidores do INSS, realizado pela própria Autarquia, confirma essa realidade. Entre os entrevistados, tanto os que atendem ao público quanto os que não atendem, 35,69% classificam sua saúde como “regular” e 12,18% como “ruim” ou “muito ruim”. O relatório também aponta aumento no consumo de substâncias lícitas, ilícitas e medicamentos, incluindo psicotrópicos, tabaco e álcool, influenciado diretamente pelas condições de trabalho.
A lista de problemas enfrentados pelos servidores é extensa, mas dois pontos impactam diretamente o cotidiano laboral:
- Sistemas inoperantes, com falhas diárias, lentidão constante e instabilidade generalizada.
- Metas de produtividade abusivas, que exigem esforço além das 8 horas diárias, com forte ameaça de punições e sem considerar a complexidade da legislação e a precariedade dos sistemas.
O resultado é uma categoria exausta, com índices alarmantes de LER/DORT (Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), estresse, ansiedade, depressão e burnout. O sucateamento não está apenas nas estruturas físicas do INSS, ele está na saúde física e mental de cada servidor.
O que precisa ser feito para reverter esse cenário?
O primeiro passo é valorizar verdadeiramente os servidores do INSS. É preciso enxergar cada trabalhador como ser humano — não como máquina para reduzir filas virtuais. É necessário ouvir seus alertas, atender seus pedidos de socorro e compreender que a qualidade do serviço prestado depende diretamente de condições dignas de trabalho.
A gestão do INSS precisa adotar imediatamente medidas urgentes:
- Cumprir integralmente o acordo de greve de 2024.
- Implementar a reestruturação da Carreira do Seguro Social.
- Abandonar qualquer projeto de extinção de cargos ou privatização de serviços.
- Investir em tecnologia funcional e em condições de trabalho adequadas.
- Estabelecer regras claras e transparentes para o uso de automação e IA, garantindo análise humana e o direito do cidadão.
- Adequar-se às atualizações da NR-1, em vigor desde maio de 2025, com foco no gerenciamento de riscos psicossociais, estresse e assédio, tornando a saúde mental uma obrigação formal de segurança.
Emissão de CAT
Servidores do INSS que necessitarem de CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) devem solicitar o documento à área de saúde e segurança do trabalho da sua regional. Se houver dificuldade na emissão, o servidor deve acionar imediatamente o SINSSP-BR pelo e-mail diretoria@sinssp.org.br, para que o Sindicato cobre a emissão da CAT e a realização da perícia médica para avaliação do nexo causal.
Os servidores do INSS são essenciais para a proteção social do país. Conhecem como ninguém os desafios e necessidades do sistema. Ouvir esses trabalhadores e valorizar sua carreira é o primeiro passo para reconstruir o INSS e garantir que a Previdência continue cumprindo seu papel de reduzir desigualdades e proteger milhões de brasileiros.
Defender o INSS é defender o Brasil. Fortalecer o INSS é fortalecer o Brasil.
Filie-se ao SINSSP-BR clicando aqui. Sua participação é a força do sindicato!
Estudo do INSS revela cenário preocupante da saúde mental dos servidores
O SINSSP-BR reconhecendo a relevância do estudo “Perfil Epidemiológico - Servidores do INSS", realizado pela Autarquia, enviou ofício solicitando maiores informações com o objetivo de compreender as condições de saúde, aprofundar a análise e buscar soluções conjuntas para a situação desses trabalhadores.
Os dados são alarmantes e causou muita preocupação ao Sindicato, principalmente ao tema que se refere à saúde mental e ao bem-estar geral dos servidores. Segundo o relatório, a autoavaliação do estado de saúde revela que 35,69% dos servidores entrevistados classificam a sua saúde como "regular", enquanto 12,18% classificam como "ruim" ou "muito ruim".
O estudo também traz preocupações adicionais com relação ao aumento do consumo de substâncias lícitas, ilícitas e medicamentos sob influência direta do trabalho. Os gráficos demostram um consumo significativo de "remédio controlado psicotrópico/tarja preta", "derivados do tabaco" e "bebida alcoólica".
Os números acendem um alerta sobre as condições de trabalho e suas repercussões na saúde dos trabalhadores, além de sugerirem uma correlação entre o desgaste no trabalho e o agravamento da saúde física e mental dos servidores.
Diante deste cenário tão urgente, o SINSSP-BR encaminhou ao INSS um pedido formal para analisar e propor medidas conjuntas das seguintes informações:
- O período exato da data de início e término em que a pesquisa para a elaboração do Perfil Epidemiológico foi realizada;
- Detalhamento das ações que estão sendo planejadas ou que já se encontram em andamento por parte desta gestão para mitigar os problemas de saúde apontados no levantamento, com ênfase nas questões de saúde mental e no uso de substâncias e;
- Esclarecimentos sobre as medidas específicas que serão adotadas para lidar com o consumo de substâncias lícitas e ilícitas entre os servidores e que apontado pelo documento em anexo, parece ser influenciado pelo trabalho.
O SINSSP-BR pretende pautar uma discussão aprofundada sobre os resultados deste estudo na próxima reunião da Mesa Nacional de Negociação Permanente. O Sindicato espera que o INSS esteja preparado para contribuir de forma propositiva no debate para promover melhores condições de trabalho e de saúde para os servidores do INSS.
Clique aqui e leia a íntegra do ofício.
Filie-se ao SINSSP-BR, clicando aqui. Seu apoio é fundamental para continuarmos a lutar por esta e por tantas outras demandas importantes. Sua participação é a força do sindicato!


