A pandemia prolongada e os trabalhadores da saúde no front: uma encruzilhada perigosa
O Brasil conta hoje com um robusto sistema de saúde, o SUS, com mais de 200 mil estabelecimentos de saúde, sejam ambulatoriais ou hospitalares; com mais de 430 mil leitos e emprega diretamente mais de 3.500.000 profissionais e trabalhadores da saúde, sendo eles médicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, odontólogos, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, etc., bem como um contingente imenso de Força de Trabalho (FT) de nível técnico e auxiliar especializada em: enfermagem, laboratório e análises clinicas, em radiologia, Socorristas, Condutores de ambulâncias, Maqueiros, Agentes Comunitários de Saúde, Agentes de Endemias, Agentes indígenas de Saúde, entre outros. Na linha de apoio, gerência e administração encontram-se outro enorme contingente, que engloba trabalhadores da administração, da recepção, da infraestrutura de limpeza e higiene, da segurança dos ambientes de trabalho. Também inclui a FT que se ocupa de enterrar nossos mortos vítimas da pandemia: estamos falando dos sepultadores. Pela essencialidade de cada segmento profissional na assistência e cuidados em saúde, esses trabalhadores estão atuando nos 5.570 municípios das cinco regiões do país (CNES, 2017). É com essa estrutura que o Brasil tem enfrentado a pandemia da Covid-19, com uma equipe inter e multiprofissional de primeira linha.
Dados atualizados do Ministério da Saúde, mostram, em 21/12/2021, um quadro com a doença instalada em todo o país: na ordem desde março de 2020, de 22.219.477 casos confirmados e 617.948 óbitos, com 2,8% de letalidade. Por outro lado, informações recentes da mídia nacional, por meio do IO, o Brasil contabilizou em 31/12/2021 22.292.099 casos confirmados e 619.335 óbitos, passando em apenas 6 dias de janeiro de 2022 para 22.402.522 casos confirmados e 619.956 óbitos em toda a população (Tabela 1).

Os Gráficos 1 e 2 retratam a evolução da pandemia (atualizados e ajustados pelo Consórcio de Imprensa - IO), evidenciando que entre final de novembro de 2021 e início de janeiro de 2022, houve um aumento de 308.063 casos confirmados e 5.275 novos óbitos.


A descoberta da nova variante Ômicron do coronavírus em Batsuana (África) trouxe um sinal de alerta ao mundo sobre o rumo da pandemia. Esta variante apresenta altíssima taxa de transmissibilidade e um risco maior de reinfecção cerca de três vezes.
Após meses com queda dos indicadores da Covid-19 no Brasil, a pandemia volta a assustar o país neste início de 2022 com a disseminação da variante Ômicron, que já predomina. Essa propagação emerge no momento em que o país está prestes a completar um ano da aplicação da primeira dose da vacina contra a Covid-19 em uma profissional de saúde do estado de São Paulo, em 17 de janeiro de 2021. A vacinação vem se mostrando eficaz na redução da gravidade e da mortalidade, já bem descrita nos países do hemisfério norte. Mas a transmissibilidade é exponencial.
A despeito da priorização da vacinação nos profissionais de saúde e do avanço da cobertura vacinal na população do Brasil, a distribuição das vacinas segue desigual no mundo, sobretudo na África. A situação levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a emitir um alerta, no final de 2020, sobre baixa vacinação dos profissionais de saúde no continente, já que apenas 27% do grupo havia completado o esquema de vacinação contra a covid-19. Há cerca de um mês, em novo comunicado, a Organização admitiu que, em virtude da escassez de imunizantes, o referido continente terá 70% de vacinados somente em 2024.
As iniquidades na distribuição e acesso às vacinas a nível global, combinadas com o limite das campanhas de vacinação em países com disponibilidade e acesso às vacinas, conforme reforça o Boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz (2 de dezembro de 2021), vêm contribuindo para o surgimento de variantes que se disseminam pelo mundo, como a Ômicron.
As evidências surgem da demanda de atendimento nas unidades de saúde e de realização de testes. Há mais de um mês o apagão dos dados não permite sua consolidação: faltam diagnóstico e notificação. O aumento de infecções tem sobrecarregado a rede de saúde. O vírus atinge crianças que ainda não começaram a ser vacinadas e lotam as unidades de saúde. Os efeitos também são sentidos no trabalho. Novamente, estão na linha de frente os profissionais de saúde, incluindo os inviabilizados: adoecem e precisam ficar afastados de suas atividades. Alguns setores retomam o trabalho a distância. Muitas delas, devido ao número elevado de trabalhadores afastados pela doença.
Estima-se que haverá um aumento importante no número de casos e consequente aumento de hospitalização dos pacientes infectados acarretando forte sobrecarga no sistema de saúde. Concomitante a esta sobrecarga do sistema de saúde a contaminação dos profissionais de saúde da linha de frente com consequente afastamento (quarentena) de seus postos de trabalho tornando ainda mais crítico o atendimento da população brasileira.
Na medida em que uma nova variante do coronavírus avança no mundo, mais uma vez persistem os trabalhadores de saúde como um dos segmentos mais vulnerabilizados diante da situação. Neste contexto as autoridades sanitárias devem atuar de forma ética e responsável para proteger a população e em especial os trabalhadores de saúde, garantindo-lhes adequadas condições e equipamentos de trabalho.
O retardo criminoso e sem respaldo científico da vacinação de crianças entre 5 e 11 e certamente terá impacto também entre os profissionais que atuam com essa população infantil, como pediatras e equipe de enfermagem, como vimos no estudo do “Inventário dos óbitos dos médicos e de equipe de enfermagem” realizado pela Fiocruz mostrando que são esses especialistas um dos mais afetados, indo óbito por Covid-19. Com o recrudescimento do coronavírus e sua nova variante e com a repulsiva insistência em não proteger as crianças com a vacinação, o governo brasileiro repete o seu descaso com a vida humana. Sem responsabilidade pública e confrontando a ciência, permanece na contramão do mundo, negando o direito à saúde a milhões de brasileiros e brasileiras. Este negacionismo governamental atinge muito fortemente os trabalhadores de saúde, já exauridos e adoecidos de um longo percurso de trabalho pouco protegidos e em condições de trabalho inadequadas.
Outro fato grave refere-se a redução da demanda de cuidados, mesmos na Atenção Básica que caíram significativamente, sendo que muitos profissionais contratados por OSs estão sendo demitidos desde o final de 2020, produzindo uma grave desaceleração da estrutura de atendimento à população e uma clara e inaceitável sobrecarga daqueles que se mantém empregados.
É fato que no início da pandemia em 2020 sabíamos muito pouco sobre a Covid-19. Com o advento de pesquisas, em particular a que estamos realizando na FIOCRUZ, passamos a conhecer um pouco mais sobre a pandemia e os seus impactos nas relações de trabalho na saúde, na saúde do trabalhador, em especial a saúde mental e as sequelas permanentes e os óbitos provocados pela pandemia.
A produção de conhecimento nessa área tem o escopo de conhecer o trabalho em saúde e os impactos, para recomendar as autoridades sanitárias e a sociedade como um todo, ações que visem evitar, ou mesmo amenizar essas situações, para que o trabalho em saúde esteja melhor preparado, tanto no setor público como privado, para enfrentar novas epidemias, uma vez que tudo indica que teremos um longo período pandêmico, e outros vírus podem surgir ou mesmo como demonstra a realidade, enfrentar as constantes mutações genéticas do Covid-19, associando-se, inclusive a outros vírus.
No Brasil, a pandemia encontrou condições para propagar e ceifar a vida de mais de 619 mil pessoas. Segundo dados oficiais da OMS, inclusive milhares de trabalhadores da saúde. Hoje ocupamos o 2º lugar no mundo em número de mortes. Infelizmente, o cenário para 2022 é de agravamento das condições sociais da população brasileira, principalmente sobre os mais vulneráveis.
À época quando registrávamos mais de 500 mil óbitos, o contexto da pandemia, já mostrava uma dura realidade daqueles trabalhadores que estão na linha de frente. Um cenário marcado pela dor, sofrimento e tristeza com fortes sinais de esgotamento físico e mental. imposta pela incerteza da doença – Covid-19, em ambientes com trabalho extenuante, com sobrecarga de trabalho para compensar o elevado absentismo e mortes de colegas. O medo da contaminação e da morte iminente acompanham seu dia-a-dia, em uma gestão marcada pelo risco de confisco da cidadania do trabalhador (perdas dos direitos trabalhistas, terceirizações, desemprego, perda de renda, salários baixos, gastos extras com compras de EPIs complementares, uso de transporte alternativo e alimentação). Se não bastasse esse cenário desolador, eles experimentam a privação do convívio social entre os colegas de trabalho, a privação da liberdade de ir e vir e do convívio social e a privação do convívio familiar.
Passados meses e iniciando um novo ano, o cenário não se modificou positivamente, ao contrário, se agrava e nos preocupa.
Os estudos da Fiocruz sobre as condições de trabalho e saúde mental dos trabalhadores da saúde, nos apontam para algumas reflexões:
No aspecto político administrativo, um governo central que assumiu de forma aberta a negação das evidências cientificas, adotando ações por vezes agressivas contra aqueles que se colocam ao lado da ciência. A ANVISA por exemplo, tem sofrido ataques contundentes em razão de decisões institucionais inerentes a sua atuação como agencia reguladora em saúde. As relações de trabalhos foram ainda mais fragilizadas, com o crescimento do trabalho precário e ataques aos direitos trabalhistas, por inércia ou inexistência de atuação desses Órgãos, principalmente o Ministério do Trabalho, MEC e Ministério da Saúde. A Mesa Nacional de Negociação Permanente do SUS, instância do SUS no âmbito Conselho Nacional de Saúde foi extinta pouco antes de iniciar a pandemia e certamente, faz enorme falta nessas negociações para rever esse quadro de precariedade, desolação e desamparo que se encontra nossos trabalhadores da saúde. É imperioso que seja restaurada essa instância de negociação do trabalho no SUS.
O SUS e os órgãos federais de Controle: É fato que a pandemia, apesar de todos os ataques para enfraquecê-lo, encontrou um SUS sólido, estruturado e com uma Força de Trabalho em Saúde em condições de responder as demandas da pandemia. Contudo, ainda não foi totalmente desmontado em razão das decisões judiciais (STF) que garantem as regras constitucionais e preservam intactas as estruturas de saúde dos estados e municípios, legitimando essas instâncias e controle social, anulando as decisões que contrariem os princípios e diretrizes do SUS.
A Legislação de amparo aos trabalhadores, o Direito à saúde e a atuação do STF e o Tribunal Superior do Trabalho (TST). o Supremo exerce com plenitude a defesa da Constituição e da Ordem Jurídica. “última trincheira em defesa dos direitos à saúde”. Anulou praticamente todas as decisões que contrariavam a constituição, o direito à saúde coletiva e a organização do SUS. O Supremo ainda vai julgar o pedido do governo federal pela inconstitucionalidade da lei que institui o incentivo financeiro aos profissionais e trabalhadores e a seus familiares atingidos pela Covid-19. O TST também adotou decisões que asseguram os direitos trabalhistas, sociais e a proteção dos trabalhadores, principalmente no campo do direito previdenciário.
Todas estas questões levantadas orientam o caminho a seguir: o necessário alinhamento com as instituições públicas, entidades científicas e sindicais, e a outros pesquisadores que já se pronunciaram em defesa da vida, da ciência e das vacinas para todos. Tudo isto deve se realizar com o devido respeito e adequada proteção aos trabalhadores da saúde.
Serviço
Autores do texto
1 - Maria Helena Machado
2 - Antônio Vieira Machado
3 - Eleny Guimarães Teixeira
4 - João Batista Militão
5 - Swedenberger Barbosa
6 - Filipe Leonel
(1) Socióloga, pesquisadora DAPS/ENSP e do CEE-Fiocruz. (machado@ensp.fiocruz.br). Coordenadora geral das Pesquisas: “Condições de Trabalho dos profissionais de saúde no contexto da Covid-19 no Brasil” (Fiocruz); “Trabalhadores invisíveis da Saúde: condições de trabalho e saúde mental no contexto da Covid-19 no Brasil” (Fiocruz) e “Trabalhadores da Saúde Indígena: condições de trabalho e saúde mental no contexto da Covid-19 no Brasil” (Fiocruz).
(2) Médico, diretor institucional da FELUMA, professor da FCMMG, coordenador adjunto da Pesquisa: “Trabalhadores invisíveis da Saúde: condições de trabalho e saúde mental no contexto da Covid-19 no Brasil” (Fiocruz);
(3) Médica, professora da Faculdade Souza Marques, coordenadora adjunta da Pesquisa: “Condições de Trabalho dos profissionais de saúde no contexto da Covid-19 no Brasil” (Fiocruz);
(4) Advogado, pesquisador colaborador do NERHUS-ENSP, coordenador adjunto da Pesquisa: Trabalhadores invisíveis da Saúde: condições de trabalho e saúde mental no contexto da Covid-19 no Brasil (Fiocruz);
(5) Cirurgião-dentista, pesquisador da Gereb-Fiocruz-DF, coordenador adjunto da Pesquisa: “Trabalhadores da Saúde Indígena: condições de trabalho e saúde mental no contexto da Covid-19 no Brasil” (Fiocruz);
(6) Jornalista, assessor do CCI Ensp-Fiocruz, membro da equipe técnica da pesquisa e do NERHUS-ENSP (Fiocruz)
Alerta: a PANDEMIA não acabou!
Ao mesmo tempo que o número de brasileiros vacinados aumenta, o Brasil também registra o crescimento de novos casos e óbitos de Covid-19. Somente nas últimas 24 horas o país registrou 23.504 infectados pela doença totalizando 22.522.310 diagnósticos positivos contabilizados desde o início da pandemia. Já os casos de óbitos totalizaram 50, atingindo a triste marca de 620.031 óbitos registrados desde o início da pandemia.
Os dados levantados pelo consórcio de veículos de imprensa, formado por grandes veículos de comunicação, apurou a situação da pandemia no Brasil, com os dados fornecidos pelas secretarias estaduais de Saúde. Ainda conforme o balanço divulgado, a variação média dos últimos 14 dias registrou um aumento de 669% de novos casos e de 28% dos óbitos decorrentes da doença.
O disparo dos números ocorridos nas últimas semanas pode ser resultado de duas combinações, conforme acreditam os especialistas: dados represados devido à instabilidade do sistema de notificação do Ministério da Saúde e por conta da disseminação da variante ômicron entre os brasileiros.
Além do aumento dos casos do novo coronavírus, o país também enfrenta um surto de Influenza do tipo H3N2 em vários estados. A doença tem sintomas parecidos ao de Covid-19, o que dificulta o diagnóstico feito pelos profissionais de saúde.
Diante da pandemia que dá sinais de uma nova onda e dos surtos da gripe H3N2, é importante reforçar que os cuidados precisam estar redobrados para evitar novas infecções ou reinfecções. Dessa forma, o SINSSP vem informar e orientar os servidores do INSS que estão na linha de frente das agências, como também os que estão no teletrabalho, dos cuidados e protocolos de segurança para se proteger dessas duas doenças altamente infecciosas.
O que devo fazer para me prevenir da Covid-19 e do vírus da Influenza H3N2?
Tanto o vírus que transmite Covid quanto o que provoca H3N2 se espalha nas superfícies por meio da boca ou nariz da pessoa infectada expelidas em pequenas partículas, ou aerossóis ainda menores, ao tossir, espirrar, falar ou até mesmo respirar.
O ponto chave da contaminação é feita através da inalação do vírus estando perto da pessoa contaminada ou ao tocar em superfícies infectadas e depois passar as mãos nos olhos, nariz, boca ou orelhas. Os locais fechados e com pessoas aglomeradas são propícios para a disseminação da doença.
Dessa forma, é necessário o uso de máscaras, higienização das mãos de forma frequente com água e sabão ou na sua falta com o álcool em gel, distanciamento social e principalmente evitar as aglomerações.
Outro fator muito importante é manter o ciclo vacinal em dia com a primeira e segunda dose da vacina, além da dose de reforço (3ª dose) para os casos de Covid-19.
Para o vírus da Influenza é importante frisar de que ainda não está pronta a nova versão da vacina contra a gripe para a cepa H3N2 (Darwin), mas segundo dados do Instituto Butantan, pesquisas mostraram que o imunizante é capaz de proteger contra infecção pelo vírus H3N2, mesmo sem ter a cepa na composição, ajudando na proteção e no reforço da imunidade, provocando a fabricação de anticorpos.
Segundo os dados do consórcio de veículos de imprensa, no último domingo (09/01) cerca de 67,66% da população está totalmente imunizada e 13,79% dos brasileiros receberam a dose de reforço. Os números precisam aumentar e as crianças devem ser imunizadas o quanto antes, só assim o Brasil vai começar a controlar essa pandemia que assola a vida de todos nós.
Estar vacinado e respeitar os protocolos necessários que evitam a disseminação e contaminação dessas doenças é um ato de amor e respeito a si próprio, a sua família, amigos e colegas de trabalho.
Ao sinal de gripe como febre, dor de garganta, calafrios, perda de apetite, olhos irritados, dores musculares, tosse, mal-estar, vômito ou diarreia procure ajuda médica e mantenha-se em isolamento social, pois o seu diagnóstico pode ser tanto de Covid-19 como de H3N2.
Vamos ajudar a combater esses vírus tomando todos os cuidados sanitários necessários, informando a verdade e desmentindo as fakes news, com vacina no braço e longe de aglomerações.
Já que o governo não se importa com os servidores do INSS e toda a população brasileira, o SINSSP se soma aos demais sindicatos, a ciência, ao SUS e demais órgãos que se preocupam com a vida e combate ao negacionismo dos parlamentares e apoiadores desse desgoverno, para informar e orientar sobre os riscos e protocolos adequados dessa pandemia.
Portanto, servidor, se o seu local de trabalho apresenta condições inadequadas aos protocolos sanitários exigidos, DENUNCIE! clicando aqui para que o SINSSP cobre dos responsáveis as garantias necessárias para o desempenho seguro das atividades realizadas pelo trabalhador.
Juntos somos mais fortes!
Fora Bolsonaro denunciará genocídio da população negra no dia 20 de novembro
O genocídio da população negra brasileira, mais afetada pelas altas taxas de mortalidade por Covid-19 do que a não negra, será um dos temas que serão denunciados no dia 20 de novembro, feriado que celebra o Dia da Consciência Negra. Este ano, a mobilização unificou as pautas específicas do movimento negro às lutas urgentes da classe trabalhadora brasileira para fazer grandes atos pelo Fora Bolsonaro em todo o país.
A gestão e o comportamento do presidente Jair Bolsonaro são responsáveis pela tragédia econômica e social vivida pelos brasileiros e a população negra, por diversos aspectos, é a mais impactada. Por isso, o grito dos brasileiros pelo impeachment do presidente será também o grito contra o racismo – uma das características deste governo, explica secretária-adjunta da Secretaria de Combate ao Racismo da CUT Nacional, Rosana Fernandes.
“E racismo mata”, reforça a dirigente, complementando: “Não bastassem os índices da violência contra a população negra e a menor expectativa de vida, os números da pandemia mostraram que o índice de mortes por Covid-19 entre negras e negras é maior do que para a população não negra”.
Um dos dados do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI da Covid) do Senado, que apurou a atuação e omissão do governo Bolsonaro no enfretamento desastroso à pandemia, levantado pelo Instituto Polis, mostra que a taxa de mortalidade por Covid-19 entre homens negros era de 250 por 100 mil habitantes enquanto a de brancos era de 157 óbitos por 100 mil habitantes.
Outro dado, do Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que negros representam 57% dos mortos pela doença enquanto brancos são 41%.
O Mapa da Desigualdade da Rede Nossa São Paulo também mostra que a Covid-19 matou mais negros do que não negros. Entre esta população, em 2020, 47% dos óbitos registrados tiveram como causa a doença. Já entre a população branca o índice foi de 28,1%.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), organização que reúne 38 países, entre eles o Brasil, elaborou um relatório que mostra que em nosso país, o risco de morte por Covid é 50% maior para a população negra.
Por quê?
Para a secretária adjunta de Combate ao Racismo da CUT, Rosana Fernandes, este é um retrato das consequências do racismo no país, que perdura desde os tempos da escravidão, vinha sendo combatido com políticas afirmativas durantes os governos populares de Lula e Dilma, mas que desde 2019, com Bolsonaro, voltou a ser naturalizado por parte da sociedade.
Ela explica que a pandemia mata mais negros e negras por uma série de fatores, mas há dois que se destacam. “Um deles é o fato de que a vacinação começou na faixa etária mais alta e quem tem a expectativa de vida maior no Brasil, não é a população negra”, ela diz.
Portanto, sendo os não negros os primeiros a serem vacinados, estes garantiram uma proteção maior contra o vírus do que os negros, que continuaram mais vulneráveis.
A expectativa de menor longevidade entre os negros se dá pelas condições vida impostas a essa população. “Os lugares onde não há saneamento básico, água tratada, acesso a serviços públicos são as periferias, onde a maioria da população é negra”, diz Rosana.
Além disso, as moradias são precárias, pequenas e com número grande de familiares, portanto, com maior risco de contágio entre os próprios familiares que não têm o ‘privilégio’ de poder manter um mínimo de distanciamento social.
Outro fator para a taxa de mortalidade por Covid-19 ser maior para negros e negras é que esta população também não teve outro ‘privilégio’ – o de trabalhar em casa durante a pandemia.
“Aqueles que não perderam o emprego, tiveram de se sujeitar aos riscos no transporte público, no comércio que continuou funcionando como os supermercados, os entregadores de aplicativos, grande parte dos profissionais que trabalham na saúde como assistentes e na limpeza dos hospitais, assim como os trabalhadores na limpeza pública – categorias em que majoritariamente os trabalhadores são os negros e negras”, pontua a secretária-Adjunta de Combate ao Racismo da CUT Nacional.
Expectativa de vida menor - saúde
“Em pleno século XXI, com avanços tecnológicos constantes, toda a modernidade, é um escândalo abrir a porta de casa e dar de frente com um córrego, com esgoto correndo a céu aberto, não ter água potável”. Ao relatar esta realidade, Rosana Fernandes afirma que é grave ainda haver falta de saneamento básico em muitos locais.
A maioria das pessoas expostas a essa condição é negra e a falta de condições mínimas é fator determinante para a degradação da saúde humana, explica a dirigente.
Outra causa é a falta de acesso aos serviços públicos essenciais, como a saúde. “É um problema dos governos municipais, estaduais e federais que investem pouco na saúde pública brasileira. Como a população negra depende disso, fatalmente é prejudicada”, afirma Rosana, que complementa afirmando que muitas vezes o hospital é longe e a pessoa sequer tem o dinheiro do transporte para chegar até lá.
Ela cita como causa da menor longevidade os altos índices de violência contra a população negra. De acordo com o último Atlas da Violência, elaborado pelo Instituo de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em dez anos (2008 a 2018), os casos de homicídio de pessoas negras (pretas e pardas) aumentaram 11,5%, enquanto de pessoas não negras apresentou queda de 12,9%.
A violência escolhe a vítima pela cor. Não existe bala perdia. Existe bala encontrada no corpo negro. A falta de olhar para nossas vidas vem desde a escravidão.
- Rosana Fernandes
“Por isso, ainda ocupamos os piores índices sociais e infelizmente nossa expectativa de vida é menor”, acrescenta a dirigente.
Governo genocida
O último período, diz Rosana, foi de enfrentamento a um governo que nunca teve vergonha de se dizer homofóbico, machista e extremamente racista. “Quando se tem o chefe maior de uma nação falando as bobagens que fala, várias pessoas que antes tinham minimamente vergonha de se dizerem racistas, acabam se sentindo legitimadas a reproduzir esse discurso violento”, diz Rosana.
Mas a resistência faz o contraponto. Tanto a luta da CUT, das centrais e de movimentos populares como a consciência de grande parte da sociedade fortaleceram o diálogo sobre a luta antirracista. “Pessoas começaram a não aceitar o racismo e passaram a integrar essa luta”, diz Rosana que cita as redes sociais como instrumento importante de denúncia.
O dia 20 - Fora Bolsonaro Racista marca a luta de Zumbi dos Palmares, que tinha como objetivo construir uma sociedade onde todos e todas tivessem as mesmas oportunidades. O movimento negro tem esse objetivo – quer uma sociedade com oportunidades, salários, condições e acessos.
A gente quer ocupar as ruas para dizer ‘basta dessa sociedade racista’. Dia 20 será um dia de luta e pelo ‘Fora, Bolsonaro’ que é o que há de pior na política, um homem que tenta fragilizar cada vez mais a vida de homens negros e mulheres negras
- Rosana Fernandes
Brasil está a um dia de ultrapassar 600 mil mortos por covid-19
O Brasil chega nessa quarta-feira (6) a um dia de ultrapassar a marca oficial de 600 mil mortos pela covid-19, após registrar mais 530 vítimas no último período de 24 horas monitorado pelas secretarias de Saúde do país. O total chega agora a 599.359 óbitos causados pelo novo coronavírus. Isso sem contar a subnotificação denunciada por cientistas e reconhecida até mesmo pelo governo federal. Segundo o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), também foram notificados 17.758 novos casos da doença, totalizando 21.516.832 desde o início da pandemia, em março de 2020. Trata-se do segundo país com mais mortes no mundo, mas líder em vítimas neste ano.
A média móvel de mortes, calculada em sete dias, está em 462, mantendo tendência de estabilidade após movimento de queda observado desde a segunda quinzena de abril. O mesmo é observado em relação à média de novos casos, que está em 16.775. A vacinação apresenta resultados inegáveis e o país vive uma situação “confortável” de ocupação de leitos, em comparação com momentos mais graves do surto. Entretanto, cientistas alertam que o cenário ainda inspira cuidados e que o país precisa avançar na imunização.
Vacinas salvam
Até o momento, 47,11% dos brasileiros estão com esquema vacinal completo com duas doses ou dose única, segundo o Ministério da Saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que esta porcentagem deve ser superior a 80% para considerar o surto sob controle. Receberam a primeira dose ao menos 75,88% da população, também segundo o ministério.
Um estudo preliminar divulgado hoje (6) pelo Hospital Emílio Ribas, referência em doenças contagiosas em São Paulo, atesta os bons resultados da vacinação. Os dados dão conta de que quase nove em cada 10 pacientes internados com coronavírus no hospital não estavam com esquema vacinal completo, ou não tinham sido vacinados.
De 1.172 pacientes observados, apenas 138 tinham tomado as duas doses ou vacina de dose única. Entre janeiro e setembro, morreram 274 pessoas no hospital. Destes, 237 não estavam vacinados; 21 tinham recebido a primeira dose e 16, as duas. “Esse número chapado, do jeito que está, já mostra claramente o papel da vacina na contenção da pandemia. E esse recorte é importante porque, na primeira fase, a vacinação abrangeu os sujeitos mais vulneráveis, a população do extremo da faixa etária”, disse em entrevista coletiva o médico infectologista Jamal Suleiman.
Bolsonarismo contra a vida
Estudos chamados “do mundo real” cumprem um papel decisivo, de acordo com os médicos, de conscientizar para a importância da vacinação. Embora conte com boa adesão da sociedade, a imunização contra a covid ainda enfrenta desafios no Brasil. Além do atraso no início do processo, o presidente Jair Bolsonaro é porta-voz do negacionismo no país. Ele é responsável direto por disseminar mentiras sobre a segurança das vacinas, do uso de máscaras e de estimular e promover aglomerações constantemente.
Um dos resultados dessa investida de grupos negacionistas foi levantada hoje pelo portal Metrópoles. Policiais e bombeiros militares pelo país, grupo com grande presença de bolsonaristas, estão em atraso em relação ao restante da população. São 76,2 mil policiais sem nenhuma dose de vacinas, ou 9,85% de todo o contingente. Como grupo prioritário, os trabalhadores da segurança pública tiveram acesso aos imunizantes facilitado ainda em janeiro.
No topo da lista de faltosos está o Maranhão, com apenas 45% dos membros das forças de segurança e salvamento imunizados. Na sequência vem o Acre, com 51,7%; a Paraíba, com 53,2%; e o Paraná, com 53,1%. “As informações vindas do governo federal são muito consumidas por esse público. E temos o maior líder político do país com esse discurso. Então para eles não é fake news, é tudo verdade”, disse o doutor em Administração Pública e governo pela FGV e associado ao Fórum Brasileiro de Segurança Pública Alan Fernandes, em entrevista ao Metrópoles.
16ª Plenária Estatutária da CUT-SP será dias 27 e 28; confira a programação
Nos dias 27 e 28 de agosto, delegados e delegadas sindicais se reúnem em videoconferência para a 16ª Plenária Estatutária da CUT-SP ‘João Felício’. O objetivo da atividade é discutir a conjuntura política e atualizar as estratégias de luta para o próximo período.
A plenária estadual integra a programação da 16ª Plenária Nacional, que ocorrerá nos dias 21 a 24 de outubro, e leva o nome do sindicalista João Felício, que foi ex-presidente da CUT, do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e da Confederação Sindical Internacional (CSI), morto em 19 de março de 2020.
As assembleias dos sindicatos, eletivas às plenárias estaduais, ocorreram entre junho e julho deste ano. Já as plenárias estaduais e reuniões de ramos, eletivas para a plenária nacional, iniciaram em julho e seguem até a primeira quinzena de setembro.
“Em nossa plenária, teremos o desafio de avaliar e discutir as ações dos sindicatos e dos ramos filiados à CUT São Paulo e também de atualizarmos o projeto político CUTista para enfrentarmos os desafios do próximo período que promete ser de muita luta para combater as políticas neoliberais dos governos Bolsonaro e Doria”, afirma o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo.
O golpe e a resistência
Ao trazer como tema "Unidos e organizados, somos mais fortes. SP por trabalho, saúde, direito, democracia e vidas preservadas!”, a plenária pretende se debruçar sobre os ataques contra a classe trabalhadora desde o golpe parlamentar, de 2016, que tirou do poder a então presidenta eleita Dilma Rousseff (PT).
Um dos próprios articuladores do chamado ‘impeachment’, Michel Temer (MDB), chamou de “golpe” essa articulação, durante uma entrevista no programa Roda Viva, em 2019.
Posteriormente à saída da presidenta Dilma, o Brasil passou por disputas políticas e ataques nos campos midiático e do Judiciário que levaram à prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2018, impedido de disputar as eleições.
Solto no final de 2019, após 580 dias preso na sede da Superintendência da Polícia Federal do Paraná, em Curitiba, inúmeras decisões contra ele já foram anuladas. Como prova da armação realizada por diferentes setores, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou, em junho, a decisão de que houve suspeição, ou seja, parcialidade, do ex-juiz Sergio Moro em sua acusação contra Lula.
“A classe trabalhadora tem sofrido inúmeros ataques em todo Brasil desde o golpe. Com Bolsonaro na presidência da República, isso piorou ainda mais. São ataques constantes à democracia e instituições, aos direitos sociais e trabalhistas, com projetos neoliberais que reduzem o papel do Estado", avalia o secretário de Comunicação da CUT-SP, Belmiro Moreira.
"Pior de tudo, com um governo que optou por uma estratégia política de propagação do novo coronavírus durante a pandemia de covid-19, o que levou milhares de pessoas à morte. Temos muitas lutas a serem feitas no próximo período, inclusive descontruindo ideologias e fake news que são características desse governo genocida”, completa o dirigente.
Para o presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, o movimento sindical tem como papel a construção de alternativas diante do cenário atual. Ainda, destaca, as medidas aplicadas pelo governo Bolsonaro em nada se diferem do governo paulista de João Doria (PSDB).
“Vivenciamos uma situação desastrosa com o desemprego, a volta da inflação e da fome, o aumento dos preços do gás de cozinha, dos combustíveis e dos alimentos. Tudo isso aliado a uma política nefasta dos governos federal e estadual que avançam com as privatizações, aprofundam o desmonte dos serviços públicos e as precarizações do trabalho com a retirada de direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores tanto do setor público como do setor privado”, pontua.
Veja abaixo a programação completa da 16ª Plenária Estatutária da CUT-SP ‘João Felício’
27 de agosto de 2021
12h: Início do credenciamento dos delegados e delegadas efetivos
1ª Mesa
17h: Apresentação da votação e aprovação do Regimento Interno e apresentação de recursos ao plenário
2ª Mesa
18h: Abertura solene e conjuntura, com a participação do professor Fernando Haddad
28 de agosto de 2021
8h: Credenciamento dos delegados e delegadas efetivos e suplentes
3ª Mesa
9h: Homenagem ao professor João Antônio Felício e aos dirigentes e militantes vítimas da covid-19
4ª Mesa
9h30: Vídeo de balanço da direção da CUT-SP
5ª Mesa
10h30: Conjuntura nacional e estadual
11h30: Projeto organizativo da CUT – quem e como representar
13h às 14h: Almoço
14h: Apresentação e apreciação das emendas
6ª Mesa
15h: Plano de Lutas – apresentação de emendas
16h30: Moções
7ª Mesa
17h: Recomposição da direção e eleição de delegados e delegadas à 16ª Plenária Estatutária da CUT Nacional
18h: Encerramento.





