Fortalecimento da Carreira do Seguro Social – parte 04: As Falsas Soluções e Narrativas Enganosas - O Mito da Privatização como Solução para as Fraudes

O SINSSP-BR vai analisar mais um tema de extrema importância para os Servidores, o fortalecimento da Carreira do Seguro Social, com análise da crise no Instituto e sugestão de propostas de solução.

Para facilitar a leitura e a compreensão do tema, as publicações foram repartidas em 06 partes. Esta análise busca esclarecer a realidade dos fatos, demonstrando que a raiz do problema não está nos servidores concursados que atuam na linha de frente do atendimento ao cidadão, mas sim em um sistema de governança comprometido por interferências políticas e ausência de mecanismos eficazes de controle e transparência.

A parte 01 desse material trouxe a realidade das fraudes com a análise sistêmica e dimensão do problema (clique aqui para ler). A parte 02 abordou sobre o paradoxo da gestão política em funções técnicas (clique aqui para ler). A parte 03 falou sobre os Servidores da Carreira do Seguro Social que são vítimas e ao mesmo tempo potenciais responsáveis pelas soluções para a crise (clique aqui para ler). A parte 04 abordará sobre as falsas soluções e narrativas enganosas como o mito da privatização como solução para as fraudes.

Uma narrativa particularmente perniciosa que tem ganhado força no debate público é a ideia de que a privatização da Previdência Social e a terceirização do núcleo dos serviços essenciais atualmente executados por servidores estatutários seriam soluções eficazes para o problema das fraudes.

Esta argumentação não apenas ignora completamente as causas reais do problema – a interferência política na gestão e a falta de autonomia técnica dos servidores – como propõe um "remédio" que agravaria ainda mais a doença.

A experiência internacional demonstra categoricamente que sistemas previdenciários privatizados não são imunes a fraudes e, em muitos casos, apresentam problemas ainda mais graves de transparência e responsabilidade. Além disso, a participação do setor privado em diversas etapas do processo previdenciário brasileiro já é uma realidade, e as evidências sugerem que, em muitos casos, entidades privadas têm sido utilizadas como instrumentos para a operacionalização de esquemas fraudulentos.

A Contradição do Discurso Ministerial

É particularmente preocupante que autoridades ministeriais responsáveis pela gestão da Previdência Social tenham manifestado publicamente, em diferentes momentos da história recente, a expectativa de privatização do sistema em médio ou longo prazo. Tais declarações, incluindo aquelas proferidas por um ex-ministro que projetava a privatização em um horizonte de duas décadas, revelam uma perigosa tendência de pensamento que pode persistir em diferentes equipes ministeriais, independentemente da alternância de poder.

Estas manifestações, vindas de quem deveria ser o principal defensor da previdência pública, revelam uma profunda contradição e servem como alerta sobre o tipo de mentalidade institucional que pode comprometer o futuro do sistema, caso novos gestores com pensamento semelhante assumam posições de liderança no ministério ou na autarquia.

Da mesma forma, a postura de equiparar servidores em regime de teletrabalho – que continuam cumprindo metas estabelecidas e contribuindo para o funcionamento do sistema – a grevistas demonstra não apenas um profundo desconhecimento da realidade operacional da autarquia, mas também um padrão recorrente de desrespeito aos profissionais que, mesmo em condições adversas, seguem dedicados à prestação do serviço público previdenciário.

Esse desmonte da previdência social pública é uma das frentes de trabalho de quem defende as privatizações, corroem as estruturas do órgão, o deixam sem condições adequadas de trabalho e depois aparece algum político na mídia defendendo sua privatização, com a justificativa de melhora dos serviços prestados.

Diante do caos programado para acontecer, a população desavisada acaba concordando com o discurso orquestrado por quem quer tomar conta desse lucrativo filão da economia.

Por isso este alerta do SINSSP-BR, para evitarmos o caos que alguns países já estão atravessando no sistema previdenciário, como o Chile e a Argentina.

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Fortalecimento da Carreira do Seguro Social – parte 03: Os Servidores da Carreira do Seguro Social - Vítimas e Potenciais Solucionadores, o Silenciamento Sistemático

O SINSSP-BR vai analisar mais um tema de extrema importância para os Servidores, o fortalecimento da Carreira do Seguro Social, com análise da crise no Instituto e sugestão de propostas de solução.

Para facilitar a leitura e a compreensão do tema, as publicações foram divididas em seis partes. Esta análise busca esclarecer a realidade dos fatos, demonstrando que a raiz do problema não está nos servidores concursados que atuam na linha de frente do atendimento ao cidadão, mas sim fruto de um sistema de governança comprometido por interferências políticas e pela ausência de mecanismos eficazes de controle e transparência.

A parte 01 desse material trouxe a realidade das fraudes com a análise sistêmica e dimensão do problema (clique aqui para ler). A parte 02 abordou sobre o paradoxo da gestão política em funções técnicas (clique aqui para ler). Nesta parte 03 vamos falar sobre os Servidores da Carreira do Seguro Social que são vítimas e ao mesmo tempo potenciais solucionadores.

Um dos aspectos mais perturbadores da crise persistente no INSS é o fato de que os próprios servidores da Carreira do Seguro Social vêm denunciando há anos a existência de irregularidades e propondo soluções para combatê-las.

Contudo, essas vozes têm sido sistematicamente ignoradas através de sucessivas administrações federais, que têm demonstrado resistência em ouvir as denúncias e implementar as soluções propostas pelos servidores que estão na linha de frente.

Este padrão histórico de silenciamento atravessa diferentes governos e demonstra um problema estrutural que transcende questões ideológicas ou partidárias.

Diversos parlamentares e representantes governamentais, ao longo das últimas décadas, têm optado por ignorar os alertas emitidos pelos servidores, favorecendo a manutenção de um sistema vulnerável que permite a continuidade das fraudes.

Tal postura não apenas perpetua as condições para irregularidades, mas também representa um profundo desrespeito aos profissionais que, em muitos casos, dedicaram décadas de suas vidas ao serviço público previdenciário.

A Distorção das Metas de Produtividade

Os servidores da área finalística da Carreira do Seguro Social são submetidos a um sistema de metas que privilegia aspectos quantitativos em detrimento da qualidade do serviço prestado. Esta abordagem, que contraria recomendações expressas do Tribunal de Contas da União, cria um ambiente propício para análises superficiais e, consequentemente, para a ocorrência de erros que podem resultar tanto em concessões indevidas quanto em indeferimentos injustos.

O foco obsessivo em números compromete a capacidade dos servidores de realizarem análises cuidadosas, essenciais para a detecção de tentativas de fraude.

Conflitos Internos Explorados pela Gestão

A estrutura da Carreira do Seguro Social enfrenta ainda desafios relacionados a conflitos internos, com destaque para as tentativas de alguns segmentos de se apropriar das atribuições finalísticas historicamente exercidas pelos Técnicos do Seguro Social.

Estes conflitos, longe de representarem meras disputas corporativas, refletem uma séria ameaça à integridade do sistema previdenciário, uma vez que a expertise desenvolvida ao longo de anos pelos servidores técnicos é fundamental para a correta aplicação das normas previdenciárias e para a identificação de padrões indicativos de fraude.

Além disso, a polarização política que afeta o país como um todo também se manifesta entre os servidores, criando divisões que são habilmente exploradas por aqueles que têm interesse na perpetuação das fraudes.

Enquanto os servidores se dividem em disputas ideológicas, os verdadeiros responsáveis pelos esquemas fraudulentos seguem operando nas sombras, beneficiando-se da falta de unidade que enfraquece a capacidade de resistência institucional.

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Fortalecimento da Carreira do Seguro Social – parte 02: O Paradoxo da Gestão Política em Funções Técnicas

O SINSSP-BR vai analisar mais um tema de extrema importância para os Servidores, o fortalecimento da Carreira do Seguro Social, com análise da crise no Instituto e sugestão de propostas de solução.

Para facilitar a leitura e a compreensão do tema, as publicações serão divididas em seis partes. Esta análise busca esclarecer a realidade dos fatos, demonstrando que a raiz do problema não está nos servidores concursados que atuam na linha de frente do atendimento ao cidadão, mas sim em um sistema de governança comprometido por interferências políticas e ausência de mecanismos eficazes de controle e transparência.

A parte 01 desse material trouxe a realidade das fraudes com a análise sistêmica e dimensão do problema (clique aqui para ler). A parte 02 vai abordar o paradoxo da gestão política em funções técnicas.

A estrutura atual do INSS apresenta uma contradição fundamental: embora seja uma autarquia que administra direitos previdenciários com base em critérios técnicos estabelecidos por lei, suas posições de liderança são frequentemente preenchidas por critérios políticos, sem a devida ênfase em qualificações técnicas. Este modelo de gestão, observado em sucessivos governos ao longo das últimas décadas, prioriza alinhamentos partidários em detrimento da competência técnica, criando um ambiente propício para a ocorrência de irregularidades.

É fundamental compreender que, embora alguns dos envolvidos em esquemas fraudulentos sejam formalmente servidores da Carreira do Seguro Social, sua ascensão a posições de comando raramente ocorre por mérito técnico. Ao contrário, trata-se de indicações que respondem a interesses políticos externos à autarquia, um padrão que persistiu através de diferentes administrações federais, desvirtuando completamente a natureza técnica que deveria orientar a gestão previdenciária.

A Automação Sem Critérios Técnicos Adequados

A implementação apressada e tecnicamente deficiente de processos de automação e inteligência artificial tem contribuído significativamente para o aumento das vulnerabilidades do sistema. Sem os necessários filtros de segurança e sem a devida supervisão técnica dos servidores especializados, esses sistemas automatizados frequentemente falham em detectar tentativas de fraude ou, pior ainda, podem ser deliberadamente projetados para facilitar aprovações irregulares.

A tecnologia, que deveria ser uma aliada no combate às fraudes, transforma-se assim em uma ferramenta que amplia as possibilidades de desvios quando não é implementada com os devidos cuidados técnicos e operacionais.

O que achou da segunda parte sobre o fortalecimento da Carreira do Seguro Social?

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Fortalecimento da Carreira do Seguro Social – parte 01: Análise da Crise no INSS e Propostas de Solução

O SINSSP-BR vai analisar mais um tema de extrema importância para os Servidores, o fortalecimento da Carreira do Seguro Social, com análise da crise no Instituto e sugestão de propostas de solução.

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) encontra-se atualmente em uma profunda crise institucional. As revelações de esquemas fraudulentos que envolviam a alta cúpula da autarquia geraram um impacto devastador na imagem pública da instituição e, por extensão, dos servidores da Carreira do Seguro Social (CSS).

Para facilitar a leitura e a compreensão do tema, as publicações serão divididas em seis partes. Esta análise busca esclarecer a realidade dos fatos, demonstrando que a raiz do problema não está nos servidores concursados que atuam na linha de frente do atendimento ao cidadão, mas sim em um sistema de governança comprometido por interferências políticas e ausência de mecanismos eficazes de controle e transparência.

A Previdência Social brasileira representa um dos mais importantes instrumentos de distribuição de renda e combate à pobreza no país. Conforme estudos do IPEA, os benefícios previdenciários impedem que mais de 21 milhões de brasileiros caiam na pobreza extrema. Em um país marcado por profundas desigualdades sociais, o funcionamento adequado de um sistema previdenciário não é apenas uma questão administrativa, mas um imperativo de justiça social.

Este documento analisará as causas estruturais que permitiram o surgimento das fraudes bilionárias, apresentará o papel crucial dos servidores da Carreira do Seguro Social na manutenção da integridade do sistema, e proporá um conjunto de medidas para o fortalecimento institucional do INSS, com foco na valorização dos servidores de carreira e na implementação de mecanismos que garantam a autonomia técnica necessária para o combate efetivo às fraudes.

A Realidade das Fraudes: Uma Análise Sistêmica e Dimensão do Problema

Os escândalos que culminaram na CPMI do INSS, trouxeram à tona a magnitude das fraudes que afetam o sistema previdenciário brasileiro. Estudos apontam que as irregularidades podem representar até 17% do orçamento anual da Previdência Social, conforme relatório do Tribunal de Contas da União (TC 017.519/2017-9) citado no estudo "Qual é o impacto que a transformação digital pode ter para a Previdência Social". É importante destacar que este relatório considerou um cenário anterior à massiva automação das análises, implementada a partir de 2018 sem os devidos controles técnicos, o que potencialmente ampliou as vulnerabilidades do sistema.

Em termos absolutos, considerando que o orçamento da Previdência para 2025 estava estimado em aproximadamente R$ 1 trilhão, estamos falando de um potencial desvio de R$ 170 bilhões anuais, recursos que deveriam estar garantindo a subsistência de aposentados, pensionistas e beneficiários de benefícios sociais, como LOAS e seguro defeso, em situação de vulnerabilidade.

Paralelamente à implementação dessa automação sem os devidos filtros de segurança, observou-se uma drástica e preocupante redução no efetivo de servidores dedicados à apuração de irregularidades. Até meados de 2019, o INSS contava com aproximadamente 1 a 3 servidores especializados em cada uma das cerca de 1500 Agências da Previdência Social, totalizando pelo menos 2.000 técnicos dedicados à apuração de irregularidades em todo o país.

Em um movimento que agravou significativamente a vulnerabilidade do sistema, a apuração de irregularidades que era realizada nas Agências da Previdência Social foi completamente suspensa em meados de 2019. Este trabalho essencial para a integridade do sistema previdenciário só foi reativado por volta de julho de 2022 — após um hiato de aproximadamente três anos — e, mesmo assim, apenas no âmbito das Gerências Executivas, com uma estrutura drasticamente reduzida.

Como resultado, no início de 2024, o número de servidores dedicados ao combate às fraudes havia sido reduzido para apenas 162 profissionais — uma queda de mais de 90% no efetivo responsável por esta função crítica. Apenas no final de 2024 houve um discreto aumento para cerca de 320 servidores nesta função, número ainda muito aquém do necessário considerando a dimensão do sistema previdenciário brasileiro e o volume de benefícios administrados.

Este cenário revela uma sequência de decisões administrativas particularmente alarmante: primeiro, a suspensão completa por três anos (2019-2022) do trabalho de apuração nas agências, justamente no período em que se intensificava a automação sem os devidos controles; em seguida, a concentração deste trabalho apenas nas Gerências Executivas, distanciando a fiscalização da ponta do sistema onde ocorrem as fraudes; e, por fim, a manutenção de um contingente extremamente reduzido de servidores dedicados a esta função vital.

Esta redução alarmante no efetivo de combate a fraudes, combinada com a interrupção prolongada das atividades de apuração e a automação sem critérios técnicos adequados, criou um cenário ideal para a proliferação de esquemas fraudulentos em larga escala, explicitando uma perigosa contradição: enquanto se ampliavam as vulnerabilidades do sistema através da automação sem os devidos controles, simultaneamente se desmontava a estrutura humana especializada que poderia identificar e coibir tentativas de fraude.

O que achou da primeira parte sobre o fortalecimento da Carreira do Seguro Social? Não perca a parte 2 que estará no site em breve.

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