Unidade das centrais faz crescer a luta contra o fim da Previdência, diz Vagner
Em artigo, presidente da CUT diz que ação unitária foi determinante para o êxito das iniciativas e mobilizações coordenadas até aqui pelas Centrais para resistir e enfrentar os desmandos do governo Bolsonaro.

Foto: Roberto Parizotti

 

A classe trabalhadora, os sindicatos, os movimentos sociais, os estudantes já têm nova data para voltar às ruas e protestar contra os cortes de verba na Educação, a reforma da Previdência e o conjunto dessa obra destrutiva que é o governo Bolsonaro. De forma unitária, a CUT e todas as Centrais Sindicais decidiram apoiar e participar do Ato Nacional dos estudantes, em 12 de julho, em Brasília.

Menos de dois meses após os grandes atos de maio e após a exitosa greve geral de 14 de junho, na qual 45 milhões de brasileiros cruzaram os braços contra o fim da aposentadoria, retomaremos o espaço público. Estaremos juntos com a UNE (União Nacional dos Estudantes) durante seu congresso nacional em Brasília. Julho, aliás, será um mês de muita luta em todo o País e locais de trabalho, com os sindicatos orientados a intensificar o processo de coleta de assinaturas contra a reforma da previdência, cujo documento final será entregue ao Congresso Nacional.

O ato em Brasília se somará aos que as centrais vem realizando neste primeiro semestre, que garante à população espaço para se expressar e expor ao mundo o descontentamento com o governo Bolsonaro. Nosso estado de mobilização é permanente. As Centrais e seus Sindicatos atuam diariamente junto aos trabalhadores para barrar a aprovação da proposta que desmonta o Sistema de Seguridade e Previdência Social.

Nossa mobilização incessante prioriza também a pressão sobre os parlamentares. Seja nos gabinetes, nos aeroportos dos Estados onde estão suas bases eleitorais, nos corredores ou em frente à Câmara, o trabalho militante de pressionar deputados e senadores é diário, incansável e criativo.

Os parlamentares já perceberam o ônus que terão em aprovar uma proposta impopular como essa. Prova disso é o fato de essa pressão popular já ter nos garantido a vitória de ver itens decisivos da proposta, como o regime de capitalização, serem retirados do texto original. Mas ainda é pouco.

Não queremos essa proposta que está posta pelo governo, nada nela nos serve, nada nela melhora a vida dos trabalhadores e da população mais pobre do País. Muito ao contrário: só prejudica e empobrece.

Bolsonaro - é sempre importante destacar -  não anunciou uma única medida positiva, favorável à classe trabalhadora nesses seis meses de desgoverno. Nem aos trabalhadores, nem aos estudantes, nem para ninguém que não seja fabricante de armas, ruralista, empresário, banqueiro...

E mesmo essa elite, representada em maioria no Congresso Nacional, já manifestou perda de confiança no presidente que ajudou a eleger, daí a estagnação da economia e dos investimentos no País. As pesquisas comprovam que Bolsonaro vai morro abaixo em popularidade e que o Brasil não sai do ponto morto.

Pela aposentadoria, pelos nossos direitos, por empregos, pelas verbas à educação, por tudo isso e mais, julho já é uma mês importante à luta contra o desmanche que o governo vem impondo ao País.  Nas ruas, os trabalhadores tem espaço e tempo, vez e voz para dizer ao País o que Bolsonaro e sua equipe inconsistente se negam a ver e ouvir:

- Não queremos essa reforma da Previdência, não queremos o fim da aposentadoria, não queremos cortes de verbas na educação, na cultura, no saneamento, nos programas sociais; não queremos um país dividido e, ao mesmo tempo, acuado pelo ódio e desmandos de um governo sectário, conservador, despreparado, raivoso, incompetente.

Essas certezas unificam nossa luta. Uma unidade de ações que foi determinante para o êxito das iniciativas e mobilizações até esse momento coordenadas pelas Centrais Sindicais contra a reforma da Previdência.

O compromisso das Centrais é investir na manutenção dessa unidade de ação que faz crescer a mobilização e, por sua vez, amplia a unidade, em um círculo virtuoso de luta.

Fonte:Vagner Freitas/Presidente da CUT

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